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domingo, 17 de março de 2024

Mercearias Finas 197

 

Creio que nos últimos trinta anos conheci e provei muitas variedades de peixes que nunca tinha experimentado antes. Julgo que isto decorreu, em parte, das restrições impostas à pesca de algumas variedades de pescado, que obrigou a arte e os profissionais a virarem-se para outras qualidades menos conhecidas e mais numerosas quanto à existência marítima.
Se só nos anos 80 comi pela primeira vez Peixe-galo, em filetes, no restaurante 1º de Maio, ao Bairro Alto, o Rascasso veio já muito mais tarde à minha mesa, bem como o Cantaril, e o Lúcio que não é muito frequente aparecer à venda nas bancas do mercado. Quaisquer deles colheram a minha aprovação gastronómica e gosto de favoritos na alimentação.
Desta vez, dominical e assado, veio à mesa, em primícias nossas, um bodião, que dizem os compêndios é peixe que, com a idade, pode mudar de sexo. O que, nos tempos que correm, não é coisa anormal. Tendo sido acompanhado, e muito bem, por um Dão branco Vinha Maria Premium 2017 (Encruzado, Bical e Malvasia-Fina), nos seus 12,5º bem amadurecidos e saborosos.



 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Osmose (50)


"Quando aqui chego", disse-me ele, "azul em frente, verde e azul à esquerda, sinto-me em férias, à beira-mar. Retouço, adorno, relaxo, hibernante como um camaleão, na mata de Monte Gordo. Quase feliz, na suprema glória da sonolência animal..."
(Em abono da verdade, este meu amigo, pelo lado materno, descende de um poeta algarvio, que teve algum nome, na sua época. Sonetava, prolixo, mas hoje quase ninguém o conhece.)
Depois, perguntou-me, num sorriso benevolente e superior:
"Sabes o que é um rascasso?"
Eu não sabia, mas a caldeirada estava excelente, e muito bem apaladada.