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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Uma fotografia, de vez em quando (78)


Antes de mais, eu julgo que uma fotografia pode atrair-nos pelo seu exotismo, ou prender a nossa atenção pelo seu ineditismo singular, pela exuberância, eventualmente, na sua forma mais vulgar e banal.
Pode, no entanto, passar a obra de arte se, pelo menos, cumprir três requisitos fundamentais, para mim: o enquadramento e a qualidade do ângulo, a oportunidade do momento em que foi tirada e o sentido estético intrínseco da foto.
Desde sempre, também, muitos fotógrafos encenaram as poses e adornaram os cenários dos objectos, pessoas ou acontecimentos que iriam retratar. Como aformosearam e retocaram as obras, no final. Como ainda acontece nos dias de hoje.
A foto que encima este poste foi tirada em 1931, por um fotógrafo não identificado, pertencendo agora ao acervo da National Portrait Gallery (Inglaterra). E integra-se no tipo de fotos que caracterizo no primeiro parágrafo deste texto. É sobretudo um documento sociológico de uma época.
Retrata um casamento inter-racial, entre duas celebridades muito conhecidas, na Grã-Bretanha desse tempo. O socialite Ras Prince Monolulu (de seu nome de baptismo, Peter Carl Mckay) e a actriz branca Nellie Adkins. O negro era conhecido, não só pela sua exuberância no trajar, mas sobretudo por dar palpites (remunerados) nas corridas de cavalos. E pela sua presença constante nos hipódromos ingleses. Onde, para se anunciar aos seus clientes, costumava gritar: "I got an'orse!"
A fotografia perdeu alguma importância sociológica, porque, hoje, os casamentos inter-raciais são muito mais frequentes, mesmo entre celebridades conhecidas do grande público... Mas não deixa de ser curiosa.