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terça-feira, 6 de agosto de 2019

História e diplomacia


Tenho vindo a ler ( a princípio, imaginei que fosse fastidiosa...), com crescente curiosidade e interesse, a correspondência diplomática de J. F. Borges de Castro (1825-1887), representante português na corte de Turim, endereçada para as Necessidades, durante os anos sessenta do século XIX. Esta correspondência diplomática, publicada, termina em 4/10/1870. É uma época crucial para a mini-Itália recém criada, que ainda não tinha englobado o Veneto (pertença ainda do império austro-húngaro) nem os territórios pontifícios de Pio IX. Mas já Garibaldi e os seus guerrilheiros ameaçavam estes últimos.
A correspondência foi coligida e seleccionada por Eduardo Brazão (1907-1987), para a revista Biblos (vol. XXXVIII, 1962), com cuidadosa inteligência. E ocupa 534 páginas da publicação da FLUC.
É também por esta altura (1862) que se começa a tratar do casamento de Maria Pia, filha de Vitor Emanuel II (1814-1878), com o nosso rei D. Luís. E a Itália, apesar de muitíssimo endividada (como hoje, aliás...), ainda ajusta um dote de valor considerável para a nossa futura rainha. Procurando insistentemente o apoio da Prússia e de Bismarck, para equilibrar a defesa aguerrida que Napoleão III, da França, faz do Papa e seus territórios, Vitor Emanuel II desenvolve, cumulativamente, uma rede de contactos com a Rússia e a Inglaterra.
Os relatórios e correspondência de Borges de Castro são de uma meridiana clareza, em todos os aspectos, definindo até as individualidades italianas que deveriam ser agraciadas com comendas portuguesas, por altura do casório régio (dantes como agora, muitas...). E ainda mais umas quantas, quando, 2 anos depois, os reis portugueses vão a Itália mostrar ao avô Emanuel, o seu neto Carlos de Bragança, nosso futuro rei.
Mas o que mais me surpreendeu, foi o retrato que Borges de Castro traça de Garibaldi (1807-1882). Um autêntico antecessor de Che Guevara e já incómodo, na sua irrequietude belicosa, para os políticos conservadores italianos. Um pouco como depois Guevara terá sido, algo incómodo, para Fidel... A história repete-se, com algumas semelhanças, nos comportamentos humanos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pequena história (8) : Maria Pia (e Imelda Marcos)


Era conhecida a paixão da raínha Maria Pia (1847-1911) por luvas. Mesmo assim julgo que seria um gosto mais barato do que a paixão de Imelda Marcos, das Filipinas, por sapatos - quando abandonou o país, encontraram 1.060 pares de sapatos no Palácio Presidencial... fora os que terá levado para o exílio.
Mas voltemos a Maria Pia. A raínha era considerada uma mulher generosa, ou excessivamente gastadora, consoante a perspectiva. Conta-se que uma vez, numa praia do Norte, uns pescadores reconheceram Maria Pia, e pediram-lhe esmola. A raínha mandou dar-lhes uma quantia avultada, e como alguém comentasse a desmesura da oferta, logo Maria Pia retorquiu, com sobranceria:
"- O verbo dar tem de ser conjugado, pelos reis, de forma diferente das outras pessoas!" Acrescentando pouco depois: "- Quem quer raínhas, paga-as!"

quarta-feira, 17 de março de 2010

Curiosidades 1






Segundo Eduardo de Noronha (1859-1948), no seu livro "Reinado Florescente", 1928?, para o casamento do futuro rei D. Carlos (1863-1908), com a princesa ( mais tarde rainha) Maria Amélia de Orleães (1865-1951), a mãe do noivo, raínha D. Maria Pia (1847-1911) usou: " um vestido, cópia admirável, feita por Worth, do quadro do Louvre «O triunfo de Maria de Medicis» de Rubens. A raínha, que conta apenas 42 anos, sem ser formosa, desprende de si uma distinção e um garbo que a todos domina..."




Nota: (Charles Frederick) Worth (1825-1895), costureiro inglês que se fixou em França, é considerado o pai da "Alta-Costura" moderna.