Raros são os poetas singulares, de geração espontânea. Porque quase todos se filiam, de algum modo, numa estirpe ou família mais antiga, num tom de voz anterior, a que novos temas, ou obsessões íntimas e pessoais, podem dar um diferente colorido ou tensão.
No
Vem serenidade!
Vem cobrir a longa
fadiga dos homens,
este antigo desejo de nunca ser feliz...
de Raul de Carvalho (1920-1984), poderá ver-se um eco, reconhecer-se ou sentir-se a palpitação de Pessoa, através de uma outra nocturnidade:
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio...
A grande diferença é que muitas destas vozes ficam pelos caminhos do mundo, sepultadas no esquecimento dos homens, outras, mais ditosas (ou mais fortes?), vão sendo lembradas por alguns, durante mais tempo. Sempre finito.