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terça-feira, 3 de setembro de 2024

Divagações 196



Pouca gente hoje, mesmo da élite cultural diminuta nacional, fará a menor ideia da grande influência ideológica que António Sérgio (1883-1969), durante a segunda metade do século XX, exerceu sobre uma boa parte da esquerda portuguesa.
Assisti na RTP Memória, há pouco, a um programa, bem feito, sobre este ensaísta, com testemunhos interessantes de Vasco da Gama Fernandes, Raul Rêgo, João de Freitas Branco, A. José Saraiva, mas podia lembrar também a reverência intelectual que Mário Castrim lhe dedicava, como pude verificar, pessoalmente.
Era ontem. Hoje, quem sabe de António Sérgio?

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Bibliofilia 209


São já hoje muito raros os leilões de livros, ao vivo, mas apenas online vão acontecendo, organizados por antigas casas leiloeiras. Eu próprio há muito que já não os frequento, mas tenho lembrado aquele a que primeiro assisti, organizado pelo antiquário-alfarrabista Arnaldo Henriques de Oliveira (leilão nº 320) em Maio-Junho de 1976, que pôs em praça a biblioteca do Coronel António da Cunha Osório Pedroso. Dos que licitei, foram-me atribuídos 9 lotes, entre eles a primeira edição (Porto, 1885) encadernada de A Velhice do Padre Eterno (lote 4724), de Guerra Junqueiro, que me custou Esc. 126$50.



Do leiloeiro lisboeta refere, e bem, o jornalista e bibliófilo Raul Rêgo (1913-2002) que AHO "vendeu até hoje, com certeza, só em almoedas, para cima de meio milhão de livros." Deste curioso prefácio que antecede o catálogo nº 200 abrangendo a biblioteca (3884 lotes) de José Rodrigues Simões, e em que acamarada com Gustavo de Matos Sequeira, não resisto a citar mais um pouco de Raul Rêgo:
"...Neste nosso meio cultural e livreiro em que os grandes êxitos são os livros de capa azul para serem lidos por meninas de olheiras românticas, ou os livros policiais de segunda categoria; em que os escaparates dos livreiros medem pela mesma bitola as colecções para entreter umas horas de caminho de ferro, o livro de divulgação científica e o in-fólio erudito e documental da Academia de História;..."
Não estaremos hoje, proporcionalmente, pior?

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Apontamento 156: Presente e Passado


Há, de facto, coincidências felizes, no encontro do presente com o passado.

Não há melhor que o livro em imagem acima, posto à venda e adquirido na semana passada, para assinalar a importância do conhecimento do passado para interpretar, com propriedade, o presente.

Como espectador meramente exterior da presente jornada do mundo cristão apostólico, de que me afastei por opção de consciência há várias décadas, reconheço-me em olhares críticos como este, tirado do livro acima:



Raul Rêgo, Para um Diálogo com o Sr. Cardeal Patriarca, Lisboa, Edição do Autor, 1968

Recomendo, então, a leitura do livro para saber mais sobre as consequências de uma voz crítica, nos idos de 1968, ou seja, há 55 anos. Tempo de História, embora insignificante, mas de factos iniludíveis.

Post de HMJ, dedicado a MR

domingo, 28 de julho de 2019

Bibliofilia 178


Nos meus tempos de frequentador assíduo de leilões de livros, ficou-me a lembrança de algumas figuras características, nas suas preferências apaixonadas, da singularidade de alguns comportamentos humanos, no aceso das almoedas. Se uns licitadores eram discretos, outros mostravam a sua exuberância ruidosa, outros ainda o seu mau feitio e birras. Quanto a temáticas, havia um discretíssimo licenciado em Farmácia que se abalançava, tenso, a livros quinhentistas, um general na reserva que não perdia uma camoniana, um industrial corticeiro que comprava muito e diverso, um alfarrabista sorumbático que não perdia nunca um lote de livro raro que começasse a licitar...
Quanto a camilianistas, lisboetas, nunca dei por nenhum muito importante, mas havia os que vinham do Norte, quando o leilão era significativo, como este da Soares & Mendonça, que foi organizado pelo alfarrabista portuense Manuel Ferreira. E que tem um gostoso prefácio do bibliófilo e grande jornalista Raul Rêgo (1913-2002), que aqui deixo em partilha, pela sua qualidade intrínseca.


Não faltavam nesta riquíssima almoeda de Fevereiro de 1968, as muito raras edições originais camilianas de A Infanta Capellista (1872) ou do célebre folheto Matricidio sem Exemplo..., (capa em imagem, abaixo) que terão feito porventura as alegrias dos afortunado arrematadores.
Não tive oportunidade de assistir a este importante leilão, porque me encontrava, em Mafra, a cumprir o serviço militar, mas vim a adquirir, mais tarde, o catálogo desta almoeda da Soares & Mendonça, por 9 euros, no meu alfarrabista de referência - em boa hora.

para MR, obviamente, e com estima.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Boletim bibliográfico


Recebido hoje, da Livraria Ecléctica (à Calçada do Combro, Lisboa), o catálogo XVI, correspondente ao presente mês de Abril de 2017. Do conjunto de 328 lotes propostos para venda, por gosto pessoal, destaco os 4 seguintes livros e respectivos preços de venda:

Lote 15 - Eugénio de Andrade - Mar de Setembro (1963)....................... 45 euros.
Lote 135 - Herberto Helder - Edoi Lelia Doura (1985)........................... 75 euros.
Lote 251 - Raul Rêgo - História da República (1986)............................. 85 euros.
Lote 265 - Mário Sáa - As Memórias Astrológicas de Camões (1978)..... 28 euros.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Boinas


Se "chapéus há muitos", como dizia Vasco Santana no filme, boinas - ao que me parece - há cada vez menos. Muito embora a boina, a partir da segunda metade do século XX, se tenha difundido muito nos fardamentos militares. Na infância, não gostando delas, usei-as um pouco por imposição materna e, quando pensava ter-me libertado para sempre, eis que fui obrigado a usar uma castanha, na tropa, em finais dos anos 60.
Quando, hoje, lancei o poste "Politicamente incorrecto" fiquei a olhar demoradamente para a foto de Jorge de Sena, na Ilha de Moçambique, onde usava também  boina. E recordei-me de Raul Rêgo, bem como de Heinrich Böll, que também as usavam. E, onde, haveria, pelo seu uso um sinal de pertença. Originárias do país basco, e usadas sobretudo por pescadores e camponeses, elas foram como que um distintivo, na Guerra Civil de Espanha.
Só depois é que aparece a boina de Che Guevara...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Filatelia LXIV : Raul Rego, BNP e Liberdade


No panorama algo desolador, pelas circunstâncias, de acontecimentos culturais de relevo promovidos por instituições públicas, a agenda da BNP (Biblioteca Nacional de Portugal) é uma honrosa excepção, revelando um dinamismo digno de louvor e admiração. É certo que lhe anda associada imaginação, apoios desinteressados ou mecenáticos, e muito trabalho de quem lá exerce o seu labor quotidiano.
Hoje, foi a vez de uma exposição para celebrar o centenário de Raúl Rêgo (1913-2002), bibliófilo distinto, jornalista e combatente pela Liberdade. Mostra que incluía algumas obras da sua vasta e importante biblioteca. Em boa hora, os CTT de Portugal se associaram, muito justamente, à efeméride, emitindo um selo alusivo e proporcionando um carimbo de 1º dia, aposto na BNP.
O acontecimento contou com a presença sempre simpática de Mário Soares, que lembrou alguns episódios das suas lutas comuns pela causa da Liberdade, em Portugal. E de João Alves Dias que ilustrou, com afecto e sapiência, a figura exemplar de Raul Rêgo nos seus amplos aspectos de humanista.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Há 10 anos



Completam-se, hoje, dez anos sobre a morte de Raul Rêgo (1913-2002), que foi director do jornal "República" (1971) e ministro da Comunicação Social no primeiro Governo Provisório, após o 25 de Abril de 1974. Além de cidadão exemplar.

domingo, 14 de março de 2010

Bibliofilia 9 : António Sérgio



Sobre o pequeno livro "O Navio dos Brinquedos" de António Sérgio (1883-1969), nada melhor que o texto exemplar de Raul Rêgo (1913-2002) que o situa e descreve, e que reproduzimos do "Diário de Notícias" de 1/9/1983; quanto à história de como me veio parar às mãos, é outra coisa... Nessa noite chuvosa de Dezembro de 1976, assisti a um dos últimos leilões tipo-"ancien régime" ( que dava direito a café - começava às 21,30hrs. - e, depois, aguardente velha ou whisky, à escolha), na Afra Filhos, ali, na esquina da Av. Duque de Loulé com a Praça José Fontana, em Lisboa. Estava muito pouca gente e os preços quase estavam a saldo.

Comprei 3 lotes. O primeiro adquirido, "Cidade Triste e Alegre" de Victor Palla e Costa Martins, dei-o, aqui há uns anos, ao meu filho mais velho, por razões de maior afinidade dele que minha, com o livro; custou-me, na altura, Esc. 253$00 (cca. euros 1,25) e o último que se vendeu em leilão, há poucos meses, atingiu o preço de euros 800,00. Saíu, entretanto, uma reedição.

A terceira compra (lote 369) foi "O Navio dos Brinquedos", de António Sérgio, que justifica este "post". Estava e está danificado , sobretudo, no canto superior direito, mas tem boas margens e texto completo e não afectado. Custou-me Esc. 17$30, ou seja, euros 0,90. Parece ridículo, mas em 1976, daria para almoçar, razoavelmente.
Nota: na foto reproduzida, António Sérgio está ao centro, Aquilino Ribeiro à direita, e Ferreira de Castro encontra-se à esquerda.


P. S. : para MR, pelas mais óbvias razões, cordialmente.