Recebemos há dias, vindo de familiares em férias na Bretanha (França), o postal em imagem.
Não sei se, hoje em dia, ainda se utilizam os adjectivos bera e roscofe que, nos tempos da minha juventude, eram muito usados para qualificar artigos de má qualidade ou pessoas falsas.
A primeira das palavras é um aportuguesamento do alemão Baer. Esse senhor, joalheiro em Berlim, teria começado a comercializar, por toda a Europa, jóias com pedrarias falsas como se de brilhantes verdadeiros se tratasse. Essas falsificações chegaram a Portugal por volta de 1908. Quando, mais tarde, se descobriu a marosca, a palavra bera viria a ser usada para apelidar alguém ou alguma coisa que fosse falso ou mau.
Quanto à segunda palavra, ela é proveniente do apelido de um suiço-alemão (?) Roscopf, relojoeiro de profissão, que criou um tipo de relógios de muito má qualidade e que se estragavam muito rapidamente. Uma outra versão atesta que esses relógios eram vendidos aos marinheiros, no porto francês de Roscoff (Bretanha), pouco antes de eles zarparem nos seus barcos, porque esses objectos de medir o tempo avariavam cerca de 24 horas depois de começarem a trabalhar. Uma espécie de negócio de ciganos, como ainda hoje se costuma dizer...
Provavelmente, também alguns marujos portugueses foram endrominados. Dessa forma se chegou assim, em Portugal, ao adjectivo roscofe, para nomear qualquer coisa de muito má qualidade.