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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Mercearias Finas 54 : Rojões minhotos


Ouvi, ontem, Ricardo Araújo Pereira dizer, numa entrevista televisiva, que decerto tinha chegado ao 1m93, de altura, por causa dos muitos rojões à minhota que comeu em casa da avó, em Viana do Castelo. Pelo menos, devem ter contribuido - penso eu -, pois são um prato muito substancial, pela variedade de componentes que se lhes juntam no Minho. Na receita canónica do Norte, os picles são espúrios, embora, muitas vezes, em Lisboa, sejam adicionados. Mas o que não pode faltar, nos Rojões à Minhota, são 2 componentes: o sangue de porco bem apaladado de cominhos, e as tripas enfarinhadas. O fígado de porco, nem sempre aparece, e ainda mais raro é o redanho que tem que ser bem "rojoado" para ficar estaladiço. Para quem não saiba, é uma dobra de gordura que está ligado ao intestino do porco.
Dito isto, os últimos clássicos Rojões à Minhota, que comi, foi no Restaurante Tanoeiro (passe a publicidade, porque o recomendo), no princípio deste mês, em Vila Nova de Famalicão, na praça principal, muito próximo do Mercado. A casa refeiçoeira tem uma magnífica carta de vinhos e a dificuldade é escolher um, entre tantos. Veio um Dão Duque de Viseu, tinto de 2004, que tinha já atingido a maioridade, mas que mesmo assim manteve alguma dignidade com os magníficos rojões.

domingo, 20 de novembro de 2011

Mercearias Finas 42 : tripas enfarinhadas e salsichas krakauer


Iniciamos já a "saison" dos sonhos (pré-)natalícios, sulistas e sem calda - os da minha memória nortenha eram ligeiramente diferentes. E, hoje, abrimos a estação do Queijo da Serra. Que um Syrah monocasta, reserva 2008, das Caves Vidigal, acompanhou com patriótica galhardia, nos seus 13º comedidos e macios.
Há uns bons 30 anos atrás, eu convivia, muito bissextamente, com o responsável pelas compras gerais de charcutaria de uma empresa de grandes superfícies. E não encontrava, nas lojas do Sul, os bons enchidos nortenhos que podia comprar nas lojas do Norte da mesma empresa, à vontade. E perguntei-lhe o porquê. Respondeu-me vagamente que as indústrias transformadoras do Sul eram muito susceptíveis e não queriam misturas nos expositores. Ainda o Pinto da Costa não perorava sobre os "mouros" de Lisboa...
Pois estreado, hoje, o Queijo da Serra deste ano, tenho prometidos, e em breve, uns Rojões à Minhota, com os inseparáveis e imprescindíveis: sangue de porco, cominhos q. b., e as saborosas tripas enfarinhadas nortenhas. Recheadas com farinha de milho, pimenta preta, cominhos, que, bem cozinhadas, ficam crocantes e deliciosas. Mas tripas enfarinhadas, no Sul, não há. Ou muito dificilmente se encontram. Por isso, estas que irei comer proximamente, vieram do Norte, e vão ser descongeladas.
Eu acho simplesmente incrível, e anti-patriótico em excesso, que se possam comprar salsichas Krakauer (de que gosto muito) que são polacas, em Lisboa ou no Porto, nas grandes superfícies portuguesas e, simultaneamente, não se consigam comprar tripas enfarinhadas senão no norte de Portugal.
São, infelizmente, assim os portugueses: poucos e, ainda por cima, divididos...