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domingo, 24 de março de 2019

Miscelânea : dispersas e sentimentais


1. Toda a grande poesia tem uma nova linguagem. Ou, em termos abstractos, uma expressão própria.  Difícil de descriptar, até que nos habituemos. Li eu, algures. O que é verdade: Nobre e Herberto Helder; Emily Dickinson e René Char, por exemplo. Não será regra absoluta, entre grandes poetas, mas quase.
Depois, há os versinhos de que toda a gente gosta...

2. A fotografia banalizou-se, deixou de ser um ritual próprio em circunstâncias especiais, oficiada por escolhidos ou profissionais. Perguntaram a Roger Scruton (1944), filósofo inglês, o porquê da seriedade das expressões, nos retratos do século XIX. Ele falou vagamente da solenidade do acto, nessa época.
Mas referiu também, no presente: as idiot smiling faces of the selfies.

3. A complacência, pecado maior. Ainda que sem notarmos, fazemos quase sempre um movimento e um esforço imperceptível para nos integrarmos na ordem estabelecida ou no gosto da maioria. Mesmo que essa adesão implique um constrangimento às nossas convicções mais íntimas ou pessoais.
As vanguardas artísticas já aceites, o filme (mais banal) já premiado, a canção eleita, mesmo pimba...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Alta cultura, pop e baixa cultura, nimbadas por ironia


Numa sua recensão crítica, no TLS (nº 5875), o escritor e filósofo inglês Roger Scruton (1944), professor convidado da Universidade de Oxford, ao abordar o volume (traduzido) de Vargas Llosa, Notes on the death of Culture, epígono da obra de T. S. Eliot (Notes towards a definition of Culture, 1948), permite-se um tom irónico, muito british na sua essência, ao caracterizar as diferentes formas de cultura. Porque o texto me divertiu imenso, vou traduzir, de forma livre, um pequeno excerto dessa recensão bem humorada. Assim:
"... Há segredos que é preciso saber descriptar, ao contrário de outros, que são permissivos livros abertos. Ao contrário da cultura pop, a alta cultura é algo que não se pode consumir. É alguma coisa em que apenas somos iniciados. E que tem um efeito transformador na nossa vida, e uma vez partilhada, tudo muda - amigos, amantes, companhias, actividades, dia a dia e lazer. Algumas vezes, é verdade, acontecer beijarmos uma rapariga, mesmo quando ela não saiba distinguir o prelúdio menor do Livro primeiro de Bach, da Opus 48 do Livro II; mas esses beijos não foram verdadeiros beijos: eles pertencem ao mundo da ephemera, e não à vida autêntica que deve ser vivida. Bem assim como à diferença entre a pop e a clássica aplicada a beijar como deve ser. Não reconhecer isso, é trair tudo aquilo que aprendemos com F. R. Leavis, Eliot e D. H. Lawrence. ..."