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sábado, 8 de fevereiro de 2025

Divagações 202



O nacional-porreirista mor do nosso reino (vulgo MEC) escreve hoje no Fugas, do jornal Público, que chorou por uma garoupa - triste e patético. Vê-se mesmo que nunca provou, na sua vida redonda e oportunista de plumitivo chocho, um bom rodovalho grelhado.
Mas compreendo. Todo o ser humano se esgota, todo o cronista acaba por se repetir. A imaginação tem limites. De tanto escrever, o MEC já chegou, há muito, ao fim do seu prazo de validade. Pelo menos, desde a altura em que fez a remake do romance da coxinha (telenovela radiofónica antiga), a propósito das maleitas da sua cara metade. O gorducho incontinente devia ter aprendido a parar com as suas banalidades pindéricas e já insuportáveis de infantilidade crónica.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Viagens, gastronomia e emigração

Se nos apearmos na estação de metropolitano de Zülpicherplatz, desembocando no Hohenzollernring, vindo um pouco atrás, deparamos com a original, e única na especialidade, em Colónia, Livraria Gleumes. Há lá de tudo que se possa imaginar, em relação a viagens, sejam os destinos mais improváveis ou exóticos, até mesmo recônditos, os lugarejos. Até os minuciosos mapas do Exército Português lá poderemos encontrar... Convém é chegar um bom bocado antes das 18h30, porque o horário de encerramento é rigoroso, e a livraria muito bem fornecida.
Mas, às 19h00, subindo um pouco mais, pelo lado direito, mas em direcção à Clodwigplatz, aberto e já a servir jantares, o Bistro Pinot di Pinot recebe-nos gentilmente, com boas escolhas de peixe, carne e vinhos. Quem vier, nestes tempos mais próximos, há-de encontrar para atender uma espécie de Cabrita Reis, menos emproado, ou seu "clone", depois de uma cura de emagrecimento - e sem charuto, mas com aquela bem cuidada barba e bigode, muito bem aparados. É português, como 2/5 do pessoal do restaurante que, de italiano, só tem o dono venerando, alguns pratos e a magnífica garrafeira. O serviço é excelente.
Aconselho, vivamente, os filetes de Rodovalho, com molho de mostarda e salada a condizer. E, se ainda houver, recomendo um Montepulciano dos Abruzzo, de 2007, tinto, com 12,5º, que está no ponto, para uma noite fria. Poderão ter a sorte que o empregado português traga, depois do café, uma grappa destilada de Barolo, em cálice apropriado e alto, que deixe voar os eflúvios aromáticos -  uma especialidade!...
Se, à saída, o empregado luso, sósia do Cabrita Reis (emagrecido e elegante), porque reparou no SG filtro, Vos pedir, delicadamente, um cigarro português, não lho neguem. Porque ele é humano, e tem saudades. Do sol, do filho pequeno que está longe e da Figueira da Foz, neste frio de rachar, outonal, de Colónia.

domingo, 14 de março de 2010

Mercearias Finas 4






A primeira vez que comi rodovalho ("scophthalmus rhombus, Linnaeus") foi no Porto. Ou no "Abadia" ou no restaurante "Palmeiras", ambos de boa memória, mas que ainda lá estão, creio que na mesma rua tripeira. Quando íamos ao Porto, a minha Mãe e eu, era num deles que almoçávamos. Sempre gostei dos peixes espalmados, de águas profundas (como Mário Soares "classificava" Jaime Gama), de carne branca, sólida e macia: linguado, badejo, patêlo (Póvoa de Varzim), menos um pouco - a solha. Mas o meu preferido é, sem sombra de dúvida, o rodovalho. E não o comi, mais do que uma dúzia de vezes, na minha vida. Em Lisboa, não aparece muito; mais a Norte. E a melhor época para o apreciar, devidamente, é de Setembro a Abril. No Sul, lembro-me de um enorme e magnífico rodovalho que saboreei, gostosamente, numa pequena quintinha, em Dona Maria, pequena localidade da linha de Sintra, grelhado, e muito bem, pela anfitriã que era uma excelente cozinheira. Foi acompanhado por um modesto mas honesto branco, feito na propriedade.

Mas, ontem, matei saudades. Com bons amigos, em ambiente familiar. O rodovalho é um peixe ósseo, de carne muito branca e tem a particularidade de ter os dois olhos quase colados um ao outro. É uma espécie de peixe estrábico - como bem humoradamente dizem... E chega a atingir quase um metro de comprimento. HMJ encomendou dois, pequenos, no mercado do Monte da Caparica (fresquíssimos que eles estavam!) e, grelhados, com batata cozida, fê-los acompanhar com espargos verdes laminados e salteados com cebola e "bacon". Estavam divinais!...

Escolhi para parceiro líquido um "Herdade Grande", alentejano quase da Vidigueira, branco, da colheita de 2008 (castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro). Eramos seis à mesa e foi ouro sobre azul... No final, uma sericaia que, em vez de ameixas de Elvas, casou com frutos do bosque, em calda. Nota máxima. Para conclusão, uma tabuazinha de queijos, com destaque para o "Serra" e um "Brugge vieux", acompanhados por um Dão, "Quinta das Maias", tinto, de 2000. Que, apesar da provecta idade de 10 anos, se portou com honra, brio e galhardia! Que convívio...