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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Uma fotografia, de vez em quando... (132)


Nascido em Munique e de ascendência judaica, o fotógrafo Eric Schaal (1905-1994), naturalizou-se norte-americano em 1944. Trabalhou para as revistas Time e Life, mantendo porém a sua residência maioritariamente em Paris.

Cenas de interior de cafés, onde fotografou Woody Guthrie actuando, ou do Café Sacher, em Viena, em 1961, de que registou a singular atmosfera, são das suas fotografias mais conhecidas. Bem como significativos retratos de Dali, Zweig, Stravinsky...


Não esquecendo magníficos instantâneos dos poetas Robert Frost e Ezra Pound.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Uma nota longa para um poema curto de E. D., em versão portuguesa


A fé é uma invenção subtil
Como os cavalheiros podem constatar,
Mas os microscópios são prudentes,
Em qualquer emergência.

Emily Dickinson


Nota pessoal: falar ou tentar explicar um poema - quando de Poesia se trata - é sempre uma forma de lhe reduzir o horizonte. E limitar a infinita comunhão de leitura a quem o lê. Pondo em risco os mecanismos subjectivos de associação e imaginação do leitor. E da sua própria experiência pessoal.
A poesia de Emily Dickinson não é fácil. Não tem, pelo menos, a linearidade sábia e resolvida de grande parte dos poemas de Robert Frost, por exemplo.
Dito isto, eu acrescentaria apenas, para quem não saiba, e a propósito deste poema (ou quadra), que traduzi, que Emily Dickinson era uma mulher profundamente religiosa. E praticava.

domingo, 5 de outubro de 2014

Marcadores 23 : continente e conteúdo


Sempre que posso, aos sábados de manhã, passo pela rua Anchieta, para ver as bancas da feira dos alfarrabistas. Foi o que fiz ontem e a colheita foi proveitosa: 4 livros, um deles (de Tomaz de Figueiredo) para oferecer a um Amigo.
Num dos outros ("The new poets of England and America", 1957, com prefácio de Robert Frost), que tinha pertencido a José Palla e Carmo (1923-1995), pela assinatura de posse, vim a encontrar um pitoresco marcador de livros, que deixo em imagem (frente e verso), e que assinalava, na página 99, um poema de Michael Hamburger. Uma espécie de bónus inesperado, deveras agradável, e provavelmente dos anos 50 do século passado.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Arte, liberdade e intervenção


Quando, a 1/9/14, aqui citei uma frase de Justin Willis, veio-me à memória um verso de Drummond de Andrade: "...não faças versos sobre acontecimentos..." Mas também poderia invocar W. Wordsworth que definia poesia como "emoção recordada em tranquilidade". Não significa isto que o artista não deva participar, activamente, e do ponto de vista cívico, no dia a dia da sua comunidade e contemporaneidade, tomando posição clara sobre os acontecimentos mais relevantes. Mas deve deixar de lado a sua arte, para que ela se possa assumir com mais isenção e intemporalidade.
À roda das obras de Yeats e, mais recentemente, de Seamus Heaney criou-se, em alguns espíritos mais preconceituosos, a ideia de que esses poetas irlandeses quiseram manter uma certa neutralidade, nos seus poemas, de forma a poderem beneficiar, por uma certa ambiguidade, de um público mais alargado. No entanto, uma leitura mais atenta das suas obras, permitirá ver que eles assumiram posição sobre as questões que afectaram a Irlanda, nas suas épocas - que foram conturbadas.
Há que lembrar, ainda, Robert Frost: "(a poesia) nasce da liberdade criativa, mais do que da obrigação social". Ou, finalmente, referir Eugenio Montale: "a poesia terá de fazer uma peregrinação obscura através da consciência e da memória", muito embora deva mergulhar na "circulação diária, donde retira o seu primeiro alimento e inspiração".

segunda-feira, 7 de julho de 2014

R. Frost, em geminação, e para MR


Blue-Butterfly Day

É um dia azul de borboletas, por aqui, na Primavera
E com estes flocos de céu a pairar flutuando
Parece haver mais cor nas suas asas
Do que nas flores, a menos que elas se apressem.

E estas são flores que voam e tudo, mas não cantam:
Assim por um desejo intenso de sobrevivência
Elas flutuam em bando sobre o vento, e avançam
Por entre os sulcos enlameados, ainda, deste Abril.

Robert Frost (1874-1963).

Nota pessoal: o poema na versão original pode ler-se no "Prosimetron", onde MR o postou, hoje.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Um poema de Robert Frost, no aniversário do seu nascimento


A Minor Bird (Um Pássaro Menor)

Eu bem gostaria que o pássaro voasse para longe
E não cantasse mais, todo o dia, próximo da casa;

Bati as palmas para ele, junto à porta,
Quando senti que não podia ouvi-lo mais.

Mas a culpa pertence-me decerto
E não há que censurar a avezita.

É evidente que alguma coisa está errada
Em querer silenciar uma canção.


Robert Frost (1874-1963), in The Runway and Other Animals.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Memória 76 : Robert Frost (1874-1963)


O poeta norte-americano Robert Frost morreu faz hoje, exactamente, 50 anos. Era (é?) um escritor muito estimado nos Estados Unidos e eu li-o muito, na minha juventude. A sua poesia é, aparentemente, simples, com uma significação directa e imediata para o leitor. Muito embora permita interpretações mais aprofundadas. Frost disse uma vez, com humor sábio, que "Poetry is what is lost in translation". Mesmo assim, aqui fica a minha versão, para português, do seu pequeno poema Dust of Snow:

O modo como um corvo
me atirou para cima
o manto de neve
do ramo do abeto

Deu ao meu coração
um espírito novo 
e salvou uma parte
de um dia tristonho.



quarta-feira, 13 de julho de 2011

No aniversário de Miss Tolstoi, com estima e parabéns



The Smile
(Her Word)

Não gostei da forma como ele se foi embora.
Aquele sorriso! Não veio de ele estar contente.
Mesmo assim sorriu - viste? - tenho a certeza.
Talvez porque lhe demos apenas pão
e o infeliz se apercebeu que eramos pobres.
Talvez porque permitiu que lhe dessemos
daquilo que tinhamos, o que ele podia levar.
Talvez se tivesse divertido por sermos casados
ou sermos muito jovens (e lhe deu prazer
imaginar-nos velhos ou já mortos).
Ponho-me a pensar até onde ele terá ido, longe, pela estrada.
E acho que nos está a ver, dos bosques, como se lá não estivesse.

Robert Frost

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Frost, para Miss Tolstoi


My November Guest

A minha pena, quando ela está comigo,
É que pensa que estes dias chuvosos e cinzentos
São tão belos quanto podem ser os dias;
Ela gosta destas árvores lisas e despidas;
Passeia nas veredas dos prados encharcados.

O seu prazer não me deixa sossegar.
Ela fala e eu resigno-me a ouvir:
Fica contente que as aves tenham partido,
Alegra-se que o cinzento se tenha transformado
Em prateado, agora, que a neblina sobe.

As árvores nuas, desoladas,
A terra desvanecida, o céu pesado,
As maravilhas que só ela vê,
Julga que eu não dou por elas,
E humilha-me com isso.

Não foi ontem que aprendi
O amor pelos ermos dias de Novembro
Pouco antes de chegar a neve,
Mas seria inútil eu dizer-lho,
Assim será melhor para sua exaltação.


Nota: foi Robert Frost (1874-1963) que disse: "Poetry is what gets lost in translation". Mesmo assim, eu gosto de arriscar E desafio as sábias palavras do Poeta americano, porque tinha um compromisso interior comigo mesmo, de traduzir, para português, este poema (de que gosto), desde que Miss Tolstoi, amavelmente, o transcreveu num comentário (7/1/2011) que fez no Arpose. Que me perdoem a veleidade, quer o poeta Frost, quer a Miss Tolstoi. Prometo não prevaricar muitas vezes.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Robert Frost


Poeta americano, Robert Frost (1874-1963), abordou em grande parte da sua obra temas da Natureza e da atmosfera rural de New England. A sua vida foi cercada de tragédias familiares, de tal modo que, dos vários filhos que teve, apenas dois lhe sobreviveram. No epitáfio, que escreveu para si próprio, diz: "Eu tive uma desavença amorosa com o mundo."
O poema que traduzo a seguir, Fire and Ice, é de 1920 e foi publicado, pela primeira vez, no Harper's Magazine. Mais tarde, foi incluído no livro "Country things and other things". Foi inspirado no Canto 32 do "Inferno" de Dante.

Fogo e gelo

Alguns dizem que o mundo acabará em chamas,
Outros que acabará em gelo.
Da minha experiência do desejo
Fico ao lado dos que dizem fogo.
Mas se tiver que morrer duas vezes,
Penso que sei o bastante sobre o ódio
Para poder dizer que o gelo
É grande e a ruína
Será suficiente.