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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Círculos


A menos de 30 páginas do final de "Le Noir et le Rouge" (Grasset, 1984), de Catherine Nay, sobre a ascensão ao poder de François Mittérrand (1916-1996), é com pena que vejo o livro a terminar. É um texto desapiedado (ou pouco elogioso, e isento - parece-me), mas rico e inteligente, sobre os defeitos e virtudes de um grande político e homem de estado, mas também o retrato das circunstâncias e vicissitudes francesas de uma época (política).
Um dos aspectos que mais me surpreendeu e interessou foi o facto de saber que Mittérrand, em relação às suas amizades, acabou por criar uma espécie de diversos círculos ou grupos humanos que, embora quase tangenciais, raras vezes se tocavam ou conviviam entre si. Compartimentos estanques, de fidelidade, que Mitérrand, sabiamente, geria e administrava, em equanimidade. De algum modo, era a sua forma de dividir para reinar, politicamente.
Na modéstia da minha experiência, e naturalmente, verifico também que, o discurso e temas que privilegio com os meus maiores amigos, têm, quase sempre, algo de específico e predominante. Se, com alguns, a abordagem da ética, em sentido abstracto, se destaca, já, com outros, os diálogos abordam, maioritariamente, a arte e a literatura, em geral. E, ainda para outros, são os aspectos políticos, ou de sensibilidade humana que são mais recorrentes.
Digamos, para concluir, que os seres humanos, e à sua medida, não são assim tão diferentes, entre si.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ritmos


Em relações humanas fala-se muito da conjugação de feitios, de cedências recíprocas, da complementaridade, ou da atracção pelo oposto (sobretudo em anos de juventude, neste último caso). Que me lembre, nunca vi referida a questão das diferenças de ritmo num casal, ou mesmo entre pessoas do mesmo sexo, no que diz respeito a pensamento, tarefas, compreensão, etc..
Há uns tempos assisti, numa roda de amigos, a uma certa disfunção de ritmos de pensamento e expressão entre um romancista e um poeta. Este último, excessivamente epigramático, era criticado pelo romancista que o considerava demasiado impositivo e dogmático, pela brevidade inflexível das afirmações ou conclusões que formulava. Por outro lado, observei a impaciência do poeta ao ouvir as descrições minuciosas e detalhadas do romancista, para chegar ao fim dos casos de que falava.
Questões de ritmo...