Estamos no mês em que o bacalhau é rei. A norte, sobretudo, onde a Consoada não prescinde dele, cozido. Na minha infância e adolescência o preferido era o inglês, hoje o norueguês tomou conta do mercado. Nesses tempos recuados, era acompanhado por vinho verde tinto que, quando era de Basto (e era-o muitas vezes) era acidíssimo, e não recomendo. A opção, na minha opinião, deverá fazer-se por um vinho branco encorpado ou um tinto de média pujança. O tinto da Bacalhôa creio que será forte demais a acompanhar um cozido de bacalhau. E é pena, que os nomes casavam bem. Mas o tinto da Quinta da Bacalhôa, com os seus 90% de Cabernet Sauvignon e 10% de Merlot, parece-me fora de causa.
Estas castas terão sido plantadas, possivelmente, no tempo em que a proprietária foi uma norte-americana, Orlena Scoville, que comprou a Quinta em 1936. Nos anos 90 foi vendida ao comendador Berardo. Inicialmente, o terreno pertencia à Corôa Portuguesa, no tempo de D. João I. Em 1528, foi adquirida por Brás de Albuquerque que lhe construiu casa e jardins, e lhe deu feição renascentista, que se manteve até hoje. Chegou a ser pertença de D. Carlos que a comprou em 1903. Mas, ainda em finais do séc. XVI, a Quinta da Bacalhôa foi herança de D. Maria Mendonça de Albuquerque, que casou com D. Jerónimo Manuel. O marido tinha a alcunha de "Bacalhau" e a esposa, naturalmente, seria "Bacalhôa". Daí, provavelmente, o nome da Quinta.