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domingo, 26 de novembro de 2017

Memórias da velha e pérfida Álbion


Em 1985, era Setembro, na modulação final da minha cristalização de gosto musical - reduto que, escassamente, foi perturbado depois -, em Queensway (Londres), havia ainda uma loja de discos, fulgurante. E eu já tinha ido para além de The Beatles, e procurava as últimas gravações de Tina Turner. O meu filho mais velho andava, então pelos Kraftwerk, muito naturalmente nessa décalage salutar de gerações. Quando lá entrámos, cada um se ocupou, na altura, das "bem querias" de que falava o bom velho Sá...
Acontece que, caída ou roubada, uma nota de 20 libras saíu, sem querer, de uma das nossas algibeiras diminuindo-nos o património familiar. Foi aí que, para restabelecer o equilíbrio das finanças, mais tarde em Greenwich, eu entrei numa agência bancária para trocar escudos portugueses por libras inglesas. Em abono da verdade, essa dependência bancária tinha ainda todo o ar pomposo e respeitável da época victoriana. Mas para ser justo, foram muito mais rápidos na operação de câmbios do que, em Portugal, para trocar as divisas, antes de eu iniciar a viagem para a Inglaterra.
Imagine-se o inimaginável:  uma atmosfera, qualquer coisa comparável por entre Charles Dickens e o Speedy Gonzalez...

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Algures a Noroeste do Hyde Park


O dominical mercado de artesanato dos anos 80 sumiu-se, reduzido a dois pintores de Domingo, com telas desinspiradas de um surrealismo ingénuo e cores berrantes. Não mais poderei comprar os unicórnios simpáticos e os crocodilos ameaçadores, que lá adquiri nos anos 70/80, a um barrista talentoso, que os expunha no murete de Bayswater Road. Saudoso, contemplei o nº 100, da extensa avenida, onde sir John Barrie (1860-1937), no início do séc. XX, imaginou a saga de Peter Pan.
Inverness Terrace continua pacífica, mas pejada de carros e cheia de sacos de lixo em volta dos candeeiros altos. E Queensway está mais barulhenta, luminosa em néons comerciais de lojas e restaurantes, de supermercados e cafés. O Royal Mail, agora privatizado, ao fundo, perto do Whiteleys (restaurado por fora, continua decadente, por dentro), com atendimento indiano (?), estava sujo e desarrumado de interiores. E muito mais caro: um postal para a Europa precisa de um selo de 1,17 libras, para seguir viagem. Que desaforo!
Só o Hyde Park é que continua um encanto. Com os seus esquilos, bandos de corvos* e patos selvagens. Haja Deus! e sua Majestade britânica, que continua a chefiar essa insólita igreja anglicana e insular.
Nem tudo se perdeu, felizmente...

* Aprendi, há dias, que a um grupo de corvos, se pode chamar a murder of crows, desde finais do séc. XV. Aqui fica, em partilha amiga, para amigos e estimadas visitas, que cá venham.