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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Qualidade e quantidade


A nossa época é generosa e descuidada. Talvez por falta de critério. O consumismo desenfreado ajudou, os shares das tevês impuseram-se, tiranicamente, o feicebuque e os seus likes desmiolados contribuiram em grande. E até mesmo algumas publicações, com algum prestígio, se contagiaram por esta praga de números, que desprezam a qualidade.  Ou, pelo menos, são muito condescendentes e permissivos.
Já  aqui falei, há pouco tempo, na diferença numérica das escolhas anuais do TLS (20 livros) e Le Magazine Littéraire (100), quanto a opções de leitura aconselhadas. 
Uns bons anos atrás, L'Obs capeou de título e nomeou 20 filósofos do futuro. Portugal estava representado, honrosamente, por José Gil, nos happy few. Na última edição da revista literária francesa Le Magazine Littéraire a caridade generosa e de mãos rotas continua a ser norma. São, nada menos de 35, os pensadores destacados. Só que, desta vez, não há nenhum pensador português na lista.
Pudera!, quando alguns, pela escassez nacional e falta de sentido crítico, consideram Teixeira de Pascoaes como filósofo, o que seria de esperar das promessas destas novas gerações?
Generosidade, sim, mas devagar, pelo menos uma vez... 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Pequena história (54) : quantidade, qualidade e percentagens...


Ao Screen International (25/10/1977), Gregory Peck (1916-2003) descreveu o seu primeiro contacto com Gary Cooper (1901-1961). Deste modo:
Eu conheci Gary Cooper pouco depois de chegar a Hollywood. Ele perguntou-me quantos filmes eu tinha feito: "Dois." Ele já tinha feito 62. Depois, interpelou-me sobre que tal eram: "Um bom, outro mau." - respondi. E ele: "Vais à minha frente." E continuou a referir que, de cada 5 dos seus filmes, apenas dois eram bons.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Falemos, agora, a sério


O olhar e a memória são, para mim, duas das qualidades essenciais para o sentido crítico do ser humano.
Tive, durante a Escola Primária, 3 professores. Dois deles eram excelentes e ensinaram-me muito.
Durante o Liceu, e segundo as minhas contas, devo ter tido cerca de trinta professores, e guardo boas recordações de mais de uma dúzia deles. Eram exigentes, mas compreensivos da natureza humana dos seus alunos, além de serem, na sua maior parte, competentes profissionais do seu ofício.
Quando passei para a Universidade, acreditei que iria passar para um mais alto patamar de competência pedagógica. Puro engano: dos cerca de 25 Mestres, encontrei qualidade, apenas, em meia dúzia deles. O que me fez concluir que, nem sempre os mais altos cargos são ocupados pelos melhores ou pelos mais capazes.
A recente observação e audição das Comissões Parlamentares (BES, PT...), na TV, ajudaram-me a confirmar, reforçadamente, a fraquíssima qualidade, profissional e humana, a mediocridade, o flébil pensamento estruturado desta nata nova de gestores portugueses, ao seu mais alto nível - uma miséria franciscana! E até evito ir mais longe e mais alto, ou seja, até Belém...