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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Duas quadras populares e marotas



As quadras, abaixo, foram colhidas na obra Apontamentos acerca do Falar do Baixo-Minho, de F. J. Martins Sequeira, editada (1957/58) pela Revista Portugal. Seguem:

1.
Do meu corpete amarelo
fiz um colet'ò meu home;
cada cal pode coçar
no sítio donde le come.

2.
Azeitona miudinha
apanhada uma a uma;
as raparigas d'agora
num têm bergôinha ninhuma.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

domingo, 10 de outubro de 2021

Divagações 174

Hoje, que vou jantar, à sobremesa, um diospiro, de tarde andei a folhear, relendo, O Sal da Língua (1995), que é um bom livro de Eugénio de Andrade (1923-2005) para se ler nesta estação (Se deste outono uma folha,/ apenas uma, se desprendesse...). Mas os espíritos vão ligeiros, com este calorzinho brando que sobe pela tarde e nos pode ainda deixar amodorrados, até chegar a noite fresca. Virão a despropósito, hoje, que aqui queria exarar uns versos, mas aqui as deixo. A duas quadras populares, de que gostei, e que respiguei de um outro livro mais simplório nos seus propósitos:

Entre pedras e pedrinhas
nascem folhinhas de salsa;
mais vale uma feia e firme
do que uma bonita e falsa.

Manuel cachinho d'uvas,
apanhado na parreira,
não sei se te coma agora,
se te guarde para a ceia.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

3 quadras populares de Areosa (Viana do Castelo)


Os olhos do meu Amor
são duas azeitoninhas;
fechados são dois botões,
abertos, duas rosinhas.
...
Estou rouca, enrouquecida,
não é do comer azedo,
é de falar ao Amor
pela manhã muito cedo.
...
Salsa verde bate à porta,
alecrim vai ver quem é;
é o cravo mais a rosa
com uma açucena ao pé.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

3 quadras (populares e bem dispostas), que trouxe do Alentejo


Assenti-me em cima dum tojo,
aquela porra picou-me.
Emborqui um madronho,
não é que aquilo passou-me!?

...
Eu vi-te no teu jardim,
andavas apanhando hortelã.
Eu gosto de ti.
E tu, ãh?

...
Gostava de ser vestido,
vestido que tu vestisses.
Para onde quer que tu fosses.
Eu isses.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Da metafísica e da estatística dos blogues


Claro que podemos reflectir sobre ninharias - é essa a liberdade dos blogues, sobretudo, os nossos...
Dos últimos 100 postes, colocados no Arpose, o mais frequentado foi "Uma coutada, na Faculdade de Direito de Lisboa" (24/1/2016). Teve nada menos do que 71 visitas, até agora.
Entretanto, num espaço de pouco mais de uma semana, houve 2 postes com quadras populares: "Femininas e alentejanas" (3/2/16) e, ontem, "Mais 2 quadras populares alentejanas". Enquanto o primeiro teve apenas 16 visitantes, o que coloquei na quinta-feira (11/2/16) já soma 25 visitas, em apenas um dia.
Se o mais antigo foi ilustrado com uma bonita aguarela de Alberto de Souza, o de ontem contou com uma interessante fotografia da planície alentejana (com um monte e um sobreiro, ao longe). E digo isto, porque as imagens - já me habituei - têm uma importância e atracção, fundamentais, sobre os visitantes...
Como interpretar esta discrepância no número de visitas, sendo o tema, exactamente, o mesmo? Não sei. Só me ocorre um provérbio popular: "Mais vale cair em graça, do que ser engraçado"...
E vou à vida!...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mais 2 quadras populares alentejanas


As moças do Sagraçal
todas são sagraçaleiras,
são bonitas, bailam bem,
prestam-se para as brincadeiras.

...

Não há amor como o primeiro,
nem lenha como o azinho,
nem filhos como os do padre
que chamam ao pai padrinho.


Nota: uma vez mais, as quadras foram colhidas na obra "A sul do Tejo", de Manuel Mendes (1906-1969).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Femininas e alentejanas


Se fores ao Alentejo,
trazei-me uma alentejana,
pequenina e bem feita,
que caiba na minha cama.

...

Todas me lavam a cara
do meu amor ser ganhão.
É bonito, gosto dele,
é honrado e ganha pão.


Nota: as quadras populares foram recolhidas da obra "A sul do Tejo" (1965), de Manuel Mendes.

domingo, 13 de dezembro de 2015

4 quadras populares ribatejanas



A minha trança entrançada
serve de toda a maneira:
de dia serve de gala,
à noite de travesseira.

...
Água do Tejo vai turva
e a da ribeira barrenta;
o amor que não é firme
numa ausência se experimenta.

...
Quando chaparro der nozes
e a nogueira der cortiça,
então é que eu t'hei-de amar
se não me der a preguiça.

...
Os olhos dos namorados
têm um certo não sei quê,
que serve de sobrescrito
à carta que ninguém lê.
...

Nota: as quadras populares são recolhidas do volume "O Ribatejo" (Antologia da Terra Portuguesa, Bertrand), que, por sua vez, tinham sido seleccionadas por Alves Redol, em "Cancioneiro do Ribatejo".

sábado, 16 de junho de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 17


Seguem as três últimas quadras da selecção que tenho vindo a fazer do vol. IV da monografia "Entre Homem e Cávado", de Domingos Maria da Silva, editada em Braga, entre 1951 e 1981. Seguem:

O cuco penica a cuca,
Tira-lhe as penas da crista,
O cuco vai degredado
A cuca foi p'ra justiça.

O teu olhar desleal
Corações queima por gosto
Vou chamá-lo ao tribunal
Por crime de fogo posto.

Lavadeira tem mais brio,
Já vais na quarta paixão;
Olha que não lavas no rio
As nódoas do coração.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 16


Mais uma pequena selecção de quadras populares da região de Amares, do distrito de Braga:

Menina, prenda o seu melro,
Que me vai à minha horta,
Esgravatar o cebolo
C'o sentido na minhoca.

Semeei na minha horta
Bacalhau frito às postas;
Nasceu-me um velho careca
Com uma marrancha às costas.

As nuvens correm depressa
A lua vai devagar;
Cedo começa a tristeza
Tarda a ventura a chegar.

Nota: raras, mas muito interessantes, as quadras que, por vezes, têm um "non-sense" inesperado, quase surrealista no seu tom, como é o caso da 2ª quadra. Pouco usual, a palavra "marrancha" que tem o significado de leitoa, ou porca pequena.

domingo, 29 de abril de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 15


Ainda mais três quadras populares da freguesia de Sta. Marta do Bouro (Amares):

Saudades d'horas felizes,
Julga-se triste quem tem,
Mais triste é não ter saudades
De nada nem de ninguém.

Meninas do outro lado,
Com que lavais o cabelo?
- Com as ervinhas do monte
Chamadas o tromentelo.

Estes mocinhos d'agora
São franguinhos de vintém,
Prometem dez réis ao Santo
A ver se a barba lhes vem.

Nota: não consegui apurar, com rigor, o significado da palavra "tromentelo". Arrisco a que seja uma corruptela, popular, de tormentina ou tormentilha, sinónimos de Sete-em-rama (Houaiss), da família das rosáceas.

sábado, 7 de abril de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 14


Desta vez, as quadras populares são da freguesia de Santa Marta de Bouro, no concelho de Amares - donde foram retiradas as anteriores constantes desta rubrica. Seguem, da selecção feita, mais três:

Ó tocador da viola,
Que tocas na perfeição,
Quando pões a mão nas cordas
Tocas no meu coração.

O meu coração não dorme
Que não lhe chega o vagar,
É soldado sempre alerta
No seu posto para amar.

A mulher é sombra e luz,
Noite escura ou estrela d'alva,
Ora descanso, ora cruz,
Tanto perde como salva.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 13


O meu amor e o teu
Andam na fresca ribeira:
O meu anda à erva doce,
O teu à erva cidreira.

Oh! minha mãe, hoje em dia
Não se pode ser mulher:
Se é linda deitam-lhe fama,
Se é feia, ninguém a quer.

De enganos e desenganos
Se faz a teia da vida:
Mal uma esperança acabada
Já outra de novo urdida.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 12


Os olhos do meu amor
São duas azeitoninhas:
Alumiam toda a noite
Como duas candeiínhas.

Quem me dera ser colete,
Quem me dera ser botão,
Para andar amarradinha
Junto do teu coração.

Fui-me deitar a dormir
Entre verdes laranjais,
Para ver se me esquecias,
Cada vez me lembras mais.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 11


Desta vez as quadras populares, seleccionadas do mesmo livro referido anteriormente, nesta rubrica, foram recolhidas na freguesia de Carrazedo (Amares). Seguem:

Uma menina bonita
Nunca devia nascer,
É como a pera madura,
Todos a querem colher.

Ó meu amor, vai e vem,
À vinda vem por aqui;
Eu baixarei os meus olhos
E farei que te não vi.

Quem me dera a liberdade
Que o galo tem no poleiro;
Namorava as moças todas,
Ficava sempre solteiro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

3 quadras populares algarvias


Do céu caíu um suspiro
No ar se desfarinhou;
Quem neste mundo não ama
No outro não se salvou.

Se fores no domingo à missa
Põe-te em lugar que te veja,
Não faças andar meus olhos
Em leilão pela igreja.

Lindos olhos tem a cobra
Quando olha de repente;
Mais vale um bom desengano
Que andar enganado sempre.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 10


Quem me dera ir a Braga,
Ou em Braga ter alguém;
Quem me dera a liberdade
Que as moças de Braga tem.

Os olhos do meu amor
São duas bolinhas pretas
De namorar ao luar
Debaixo das violetas.

Da janela do meu pai
Vejo o pomar do meu sogro,
Antes queria ver o filho
Que a fruta do pomar todo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Nortenhas e populares (quadras) 9


Hoje, as quadras são da freguesia de Caldelas, das termas afamadas e da tenra vitela dos pastos verdejantes. Retirados os versos, como habitualmente, da Monografia da região de Amares, intitulada "Entre-Homem e Cávado" (1981). Aí vão três quadras:

Amor, não me escrevas cartas,
Bem sabes que não sei ler;
Se tu sentires saudades,
Perde um dia, vem-me ver.

Esta noite choveu papas,
Ó moços, tragam colheres;
Quem quiser ouvir mentiras
Chegue-se ao pé das mulheres.

Entre a salsa e o coentro
Hei-de plantar a cebola;
Mais vale feia engraçada
Que uma bonita mas tonta.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Nortenhas e populares (quadras) 8


Desta vez são da freguesia de Rendufe (Amares), as quadras populares que se transcrevem da mesma Monografia que tenho vindo a utilizar.

Fui à figueira dos figos,
Ataquei-me de laranjas;
Veio o dono das ameixas...
- Quem te deu tantas castanhas?

Amor de chapéu de palha
Ninguém me fale para ele,
Ele anda por minha conta,
Eu ando por conta dele.

Olhos pretos, roubadores,
Porque não vos confessais
Dos delitos que fazeis,
Dos corações que roubais.

Nota pessoal: achei particularmente curiosa a 1ª das quadras com o seu quê de surrealismo naïf.