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domingo, 13 de junho de 2021

Pessoa popular

 

1.
No dia de Santo António
todos riem sem razão.
Em São João e São Pedro
como é que todos rirão?

2.
Santo António de Lisboa
era um grande prégador,
mas é por ser Santo António
que as moças lhe têm amor.


Fernando Pessoa (1888-1935), in Quadras ao Gosto Popular (Ática, 1965).

terça-feira, 8 de outubro de 2013

3 quadras (populares) pessoanas


Quando compões o cabelo
Com tua mão distraída
Fazes-me sempre um novelo
No pensamento da vida.
...
Tenho uma pena que escreve
Aquilo que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve.
Se é verdade, não tem tinta.
...
Esse xaile que arranjaste,
Com que pareces mais alta
Dá ao teu corpo esse brio
Que à minha coragem falta.

Fernando Pessoa, in Quadras ao gosto popular (Ática, 1965).

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Durienses e populares


Em "Horizonte Cerrado - Ciclo Port Wine 1", de Alves Redol, entre ladaínhas e versos, encontrei um responso, uma quadra castelhana e mais quatro portuguesas, que me parecem populares. Escolhi 3 delas:

Fui ao Doiro, à vindima,
Pagaram-m'a trinta réis,
Dei um vintém ao barqueiro,
Só me ficaram dez réis.

Nossa Senhora da Serra,
Carqueijinha do Marão...
Olhinhos que foram meus,
Agora de quem serão?

Vinho fino do Alto Douro
De forte me faz falar,
Põe-me alegre, põe-me fino
E só «m'estrova» o andar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um poeta ignorado


Não fora Ricardo Jorge falar dele, e nunca teria dado por Manuel Duarte de Almeida (1844-1914), poeta duriense, dito parnasiano. Mas engracei com a quadra, citada por Ricardo Jorge. Por isso, aqui vai ela:

Se fores ao cemitério
No dia do meu enterro,
Dize à terra que não coma
As tranças do meu cabelo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

2 quadras (quase populares), para não perder o pé


A amar e a escolher amante
Ensinou-me quem podia:
A amar, foi a Natureza,
A escolher, a simpatia... 

Amar, e saber amar
São dois pontos delicados:
Os que amam são sem conto,
Os que sabem, são contados.

António Leite C. P. de Mello (1812-1896).