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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Os psicólogos e as criancinhas desesperadas


Eles estão em todas, de Entre-os-Rios a  Pedrógão Grande,  até à Bela Vista (Lisboa). Deve ter sido, das profissões artesanais, uma das que mais cresceu, em Portugal, depois de 1974.
Onde haja choro, sangue, tragédia, lá aparecem eles, vestidos de escuro, quais aves agoirentas, ou de claro como anjos salvíficos. Fazem crescer, perante a dor, os infelizes. São os gatos-pingados das almas desprotegidas e da infância desvalida que nunca há-de amadurecer.
Hoje, o Expresso online, titula: Cancelamento de Lady Gaga leva psicólogos ao Rock in Rio.
O que seria de Portugal sem eles?
Eu nem quero imaginar...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Da Janela do Aposento 23: Caviar em vez de pão



Como nota prévia, assumo que não aprecio caviar, mas é uma questão de gosto pessoal e de somenos importância para o assunto em epígrafe.
No entanto, costumo utilizar, frequentemente, a comparação nomeadamente quando, cá fora e pela Europa fora, se confunde o essencial com o acessório. De facto, incomoda e revolta assistir a cinismos e despropósitos em que se pretende oferecer caviar a quem espera apenas ter o pão diário, sem pedir nada a ninguém.
Assim, e por uma questão de "gradação" humana, seguem alguns exemplos em que a falta de sensibilidade institucional roça o insulto e ofende a matriz do ser humano, a saber, a sua dignidade.
1 - Imagine-se um docente, numa escola pública do país, a leccionar durante semanas, no Inverno, numa sala com os vidros das janelas partidos. Para além do incómodo, para discentes e para o docente, de envergar roupas como se andassem na rua, sucede que a voz, como instrumento de transmissão, começava a claudicar como consequência da adversidade. Ora, e durante uma daquelas famigeradas "acções de formação", pretenderam dar a essa docente umas lições de colocação de voz.Suprema ironia! Obviamente, perante a falta de condições básicas na sala de aula, surgiu nada mais do que a expressão do "pão em vez de caviar" para justificar a recusa a exercícios perfeitamente extemporâneos.
2 - Parece que a Comissão Europeia, no momento de crise que o país atravessa, pretende abrir um procedimento contra Portugal por causa da "falta de bem-estar dos porcos portugueses" (sic !). Com o devido respeito, a CE continua a preocupar-se demasiado com o acessório em vez de olhar, seriamente, para as condições em que vivem os cidadãos do espaço comum.


3 - Por último, a propósito de uma reportagem do DN de ontem, acrítica como costuma ser a nossa imprensa, constatamos que, passados vários meses após o incêndio na serra algarvia, as pessoas continuam a viver em escombros. Mas, com apoio de psicólogos (!) O testemunho de uma idosa de 71 anos não podia ser mais demolidor perante esses "funcionários de bem-estar". Dizia a senhora que "nunca precisou de esmola de ninguém", destroçada num canto da sua casa ardida. 
Na minha modesta apreciação, a senhora pedia apenas o pão que sempre amassou ao longo da sua vida, dispensando o caviar que lhe está a ser servido, há meses, certamente sem gostar.
Afirmo, categoricamente, que não confundo psiquiatria com psicologia. Tive o privilégio de conhecer, alguns, belíssimos profissionais de uma e de outra área do saber. Daí que aprendi, desde muito cedo, que é erro demolidor confundir o essencial com o acessório, ou seja, dar caviar a quem pede o essencial.

Post de HMJ