Esta época anestesiante e natalícia instala, por razões subjectivas e objectivas, um tipo de relação com o Tempo, muito própria e especial. Normalmente vertiginosa, do ponto de vista psicológico e do desejo. Galgar os dias parece sobrepor-se ao próprio tempo dos dias, e o ser humano esquece, até, que quanto mais depressa chegar ao dia 24, mais rápida a véspera do Natal integrará o passado, numa ilusão breve que se desvanece.
Há, também, uma concentração quase obsessiva, muitas vezes, nas compras, nas comidas e guloseimas da Consoada, nos presentes, que faz esquecer as preocupações do momento e o normal viver quotidiano. Só assim se explica que, uma receita de mexidos ou formigos (num poste de 24/12/12, no Blogue) vimaranenses, tenha tido, nos últimos 5 dias, nada menos de 49 visitas; ou que um simplório cartão de Boas-Festas, colocado há 2 anos, com um Pai Natal gorducho, tenha merecido mais de 30 visitantes...
Não nos excluímos, de todo, deste ópio popular, talvez só ultrapassado pela alienação do futebol: o tosco e miniatural Presépio já foi montado, a mesa, para a Consoada, já está posta. De qualquer forma, convém não esquecer o presente, sem miragens nem ilusões - pesado e sem muita esperança. Ele irá voltar, irremediavelmente e sem falta, logo na manhã de 26 de Dezembro. Não valerá a pena correr muito...