Considero
que as viagens, feitas na altura própria do crescimento físico e mental,
acrescentam “categorias de referências” insubstituíveis. Penso também que o
conceito de viagem, como eu a entendo, carrega consigo toda a subjectividade
individual e a interpretação própria dessas categorias. Obviamente, não estou a
falar de viagens de turismo, de folheto.
Se
na juventude procurava “um mundo fora do quotidiano conhecido”, na idade, e com
os incómodos inerentes à mudança, concentro-me na descoberta de pormenores.
Aliás, sempre gostei mais de passear pelas cidades e olhar para o edificado do
que passar muitas horas em exposições e museus.
Do
Porto sempre gostei pela diferença. Dos edifícios, das casinhas estreitas, das
lojas do comércio tradicional. Quando passava pelo Porto, alguns dias, ficava,
normalmente, na zona de Aldoar, circulando pela Avenida da Boavista e passeando
pelas Ruas de Santa Catarina, pela Praça de Filipa de Lencastre e a zona de
Carlos Alberto.
Desta
vez, fiquei na Praça da Batalha. Com uma vista privilegiada, de um 6º andar,
sobre a Praça e os montes à volta da cidade que, aliás, nunca tinha visto de
uma perspectiva “terrestre”. O poiso fora escolhido pela proximidade do Jardim
de S. Lázaro, não pelas razões que algumas más-línguas possam atribuir a um
espaço público transformado em “casa de passe” ao ar livre. Cobiçava, isso sim,
os “tesouros verdadeiros”, que se escondem no palácio fronteiriço e que dá pelo
nome de Biblioteca Pública Municipal do Porto.
Fiquei,
pois, com uma experiência positiva, e renovada, do funcionamento da BPMP e com
a confirmação de um trânsito perfeitamente caótico no Porto. Aliás, assim que o
programa o permitiu, meti o carro num estacionamento até à hora da saída. Conhecer
o Porto, de facto, é a pé e de transporte público.
Também
reparei na degradação impressionante do edificado da zona da Cedofeita quando
comparado com uma Boavista ou a Foz. A Praça da Batalha parecia a mescla de
gente do Intendente de Lisboa, com as arcadas do antigo Cinema de Batalha
ocupadas por sem abrigos. Do 6º andar do Hotel, a Praça da Batalha permitiu o
olhar sobre uma cidade, uma sociedade “doente” nos seus alicerces. A decadência
de uma cidade a contrastar com o esforço de sobrevivência do “homem comum” que
nada deve aos “ares superiores” da gente da Boavista, da Foz e dos poderes
públicos que, infelizmente, “não a estimam”, i.e., a sua cidade.
Post de HMJ