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terça-feira, 23 de junho de 2015

A retórica do vazio


Ontem, assisti a um debate telivisivo centrado no tema candente do chamado segredo de justiça. De um lado, 3 meritíssimos de várias proveniências, um deles, talvez cinquentão, de lacinho e com gel a ordenar e a dar luzimento ao saraivado cabelo; do lado oposto, dois advogados e um jornalista. Como sempre, a habitual moderadora, um pouco amarelada (ou seria alaranjada?). Não fora o prof. Costa Andrade, a falar de Coimbra, com simplicidade e clarividência, o debate teria sido um mero exercício de banalidades, onde alguns tentavam deslumbrar o auditório, através da retórica, personificando uma pobre feira de vaidades, servida pelo tom empolado e vocabulário pretensamente rico e justiceiro, que parecia ressuscitar os "gargantas do Império" do antigo regime. Creio que, de uma forma geral, andamos muito mal servidos pelos actuais representantes decisórios da justiça portuguesa...
Entretanto, e por outros lados, jornalistas menores e comentaristas medíocres, se na semana passada falavam, a propósito da Grécia, da 25ª hora, a partir de ontem, passaram a usar, num estertor sem nenhuma imaginação, a sigla 26ª hora. Enquanto os pivot televisivos, dia após dia, vão referindo, repetida e dramaticamente, em jeito de actores de telenovelas de segunda ordem: Amanhã será o dia decisivo!... O que se vai dizendo, no fundo, não tem importância nenhuma. Muitas vezes, nem sequer tem conteúdo.
Esta desadequação faz-me recordar um título de recensão a uma obra publicada, que, nos anos 80, apareceu num jornal literário do Norte, subscrita por um plumitivo universitário pretensioso. Titulava ele o seu texto com um brilhante: "Inconcluso desejo no limiar do transe" (sic). Na altura, sei que me lembrei do coitus interruptus, embora ele nada tenha de literário... Muito menos adequado a leitores inocentes. Que mais nos irá acontecer?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Divagações 27 (muito pessoais e intransmissíveis)


A lua já vai alta e plena, de Cheia, que ontem ainda o círculo não era perfeito, embora o halo em volta prometesse bom tempo. Os pássaros vão-se aconchegando, como podem, naquelas duas árvores frondosas e ramalhudas, aos pios (dialogantes?), mas a noite ainda demora um pouco. As andorinhas já recolheram a penates, e já só restam as duas rolas, hoje silenciosas, fiéis e castas.
Eu preparo-me, ou antecipo o diálogo a 4, na 1, por volta das 22h45. Basta que haja uso de inteligência entre o ex-ambientalista, o jornalista esclarecido, o ex-PR senador e o comentador agressivo, q. b.. Gosto, apesar de tudo, de os ouvir sobre as grandes questões, mesmo que não concorde com eles, sempre. Serão, como de costume, moderados pela professora de História que o não foi, mas é jornalista. Normalmente, documenta-se bem - valha-nos isso. Talvez demasiado apologética, talvez excessivamente "cristã", talvez muito situacionista, talvez...
Mas o que é que nos resta? Eu sei que há muitos detractores do "Prós e Contras", alguns bem próximos de mim, e estimados. Mas também me cansa o niilismo absoluto, o sempre dizer mal do ex-leitor na Inglaterra (que se fartava de faltar...) e que, agora está bem instalado na vida; satura-me a azia crónica do fiscalista-Shylock de Shakespeare, que sempre esteve ligado aos grandes grupos económicos. Já não posso ouvir os economistas beatos, o seguro coelho (ou vice-versa), à abertura dos telejornais, nem as senhoras da benemerência lusitana, quais Cilinhas do MNF com aggiornamento de fatiota...
Que nos resta? Acampar indignados, no Rossio, agora que veio o Verão? Para mim, nanja, não!