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domingo, 15 de maio de 2016

Da incompletude


Tem-se rodeado de alguma polémica uma recente e ambiciosa exposição, em Nova Iorque, intitulada Unfinished: Thoughts left visible. A mostra abarca diversas obras inacabadas que vão desde pinturas de Leonardo da Vinci a Picasso, passando por Van Eyck, Rembrandt, Turner e Cézanne, entre outros mestres.
O mote para esta exposição partiu de uma citação  de Plínio, o Velho, que, na sua obra História Natural, refere, mais ou menos, o seguinte: "...um facto pouco comum, mas memorável, são as últimas obras de um artista, inacabadas, que acabam por ser mais admiradas do que as que foram terminadas, porque naquelas se podem ver os traços preliminares e descortinar as intenções do pensamento do artista." Esta citação poderia aplicar-se a Da Vinci, sobretudo, ao quadro incompleto S. Jerónimo, que seria um bom exemplo.
Tenho alguma dificuldade em aceitar este postulado, que me parece excessivamente dogmático, considerando até o facto de saber-se que algumas pinturas (abandonado o tema original) foram pintadas por cima, com motivos divergentes dos iniciais. Mas Patrick McCaughey (TLS nº 5901) refere ainda, a propósito da inacabada Rue en Anvers-sur-Oise (1890), de Van Gogh, onde o  céu não foi completamente pintado: "Todos poderão reconhecer a veemência do trabalho de Vincent van Gogh, cujas pinceladas muito marcadas de azul parecem ter a força de marteladas que imprimissem na tela, a fresca revelação do poder e paixão do Pintor."
Mais convincente esta afirmação, mesmo assim deixa-me dúvidas.




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pinacoteca Pessoal 2 : Laocoonte


O grupo escultórico Laocoonte teve vida atribulada, mas nos, quase, 2 últimos séculos descansa, finalmente, e pode ser visto no Museu do Vaticano. A estátua, que é já referida por Plínio, o Velho, esteve perdida mais de 13 séculos. Em 14 de Janeiro de 1506, foi (re)descoberta por um lavrador que tratava da sua vinha, numa zona, onde teria sido o Palácio do Imperador romano Tito. Embora com falta do braço esquerdo de Laocoonte, o papa Júlio II logo a adquiriu, pela sua beleza. Plínio atribuía a sua autoria, em conjunto, a Agesandro, Atenodoro e Polidoro.
Em 1799, Napoleão levou o grupo escultórico para o Louvre, em conjunto com outros despojos de guerra. Mas, em 1816, após a derrota definitiva de Napoleão, a magnífica estátua foi devolvida ao Vaticano. Em 1957, o braço esquerdo de Laocoonte, que faltava no grupo escultórico, foi encontrado à venda num antiquário, e comprado. Estava na posição exacta que Miguel Angelo lhe atribuira, previsivelmente, em Janeiro de 1506. Laocoonte e os seus filhos, cujo tema se inspira na Guerra de Tróia, é uma das estátuas que mais aprecio, do período da Antiguidade Clássica. Por isso o quis evocar, hoje, nesta Pinacoteca Pessoal.