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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Ideias fixas 98

 

Tenho sempre alguma dificuldade em escolher um vinho para acompanhar pratos em que entra pato. Se assado não duvido, será tinto, mas outras variações criam-me dúvidas, optando, quase sempre, por um vinho branco. Da última vez acamaradei o Arroz de Pato com um Encostas do Tua 2024, da Adega Cooperativa de Pinhel, lotado com Síria e Fonte da Cal (13º), e que está a um preço risível à venda numa das grandes superfícies. E é bom.
Cumulativamente, ninguém me tira da ideia que as castas de vinho têm um lugar ideal geográfico preferencial insubstituível, onde produzem de forma exemplar ou melhor. Não falo sequer da Baga, na Bairrada, do Alvarinho e do seu Monção e redondezas naturais, embora haja alguns produtores e enólogos novos ricos de cabeça que o plantem no Alentejo (com resultados mediocres, aliás, quanto a mim).
O Arinto alcança o seu pleno em Bucelas, insisto. Tenho só algumas dúvidas quanto ao Roupeiro que assim se chama no Alentejo e, nas Beiras, é Síria, mais mineral nestas bandas do que a Sul, onde madura de forma mais suave, normalmente. E em qualquer dos terroirs, embora diferenciado, dá vinhos de muito boa qualidade.


domingo, 20 de novembro de 2022

Números e categorias



Das antigas cidades portuguesas, que eram 36, na minha adolescência, a mais pequena era Pinhel aonde nunca fui e que contava 2.100 habitantes. Nessa altura, Guimarães tinha 19.000 habitantes e Lisboa quase um milhão (as rendas altas, de algum modo, provocaram o êxodo gradual da capital para a periferia e subúrbios...).
Hoje, há muitíssimo mais cidades no território nacional e desconheço quais são as razões ou obrigações que justificam nomear uma vila ou aldeia para a categoria superior. Estranhei, por isso, que ao ver um vídeo curioso sobre Manteigas (próxima da serra da Estrela), com 2.909 habitantes, no censo de 2021, a localidade não tenha sido promovida ainda de vila a cidade...
Porque certamente Pinhel não foi despromovida e duvido que tenha aumentado muito a sua população...

segunda-feira, 11 de março de 2019

Desabafo (44)


Assisto, com alguma tristeza ontológica, à subserviência portuguesa a tudo o que é estrangeiro.
Basta passar por alguns blogues, para ver a pouquíssima atenção que dedicam a coisas nacionais.
Há por aqui, evidentemente, terceiromundismo mental, talvez vergonha à terrinha que os viu nascer e prosápia de mostrar, aos outros, que são viajados e cultos. Mas, isso, nota-se à légua, porque é mero ornamento balofo.
Tenho que ir a Pinhel, um dia destes!...

sábado, 15 de julho de 2017

A região saloia


Não sou muito viajado. Fiquei-me pela Europa ocidental e já nem tenho vontade de conhecer a Hungria, sonho que acalentei dos meus 20 anos, até há pouco. Mas fico, estupormente, admirado desses fascínios cegos, desses "onde gostaria de estar", dessas paixões enormes por outros países, que alguns têm.
Confesso as minhas fraquezas: Inglaterra, Alemanha e Bélgica. E, antes de morrer, gostaria de ir a Pinhel. Que não conheço.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Os números da Emigração


Quando eu comecei a aprender Geografia, o número de cidades portuguesas não ultrapassava as 40, na plataforma continental. E a mais pequena, em população, era Pinhel, que contava 2.100 habitantes recenseados. A elevação de vila a cidade, nesse tempo e em Portugal, era um processo moroso, difícil e nem sempre bem sucedido, mas sempre desejado pelas populações regionais.
A emigração, nesses longínquos anos 50, ainda não era muita. Veio a acentuar-se, significativamente, sobretudo nos anos 60, resultado de políticas de maus governos e de justas aspirações de vida melhor, por parte dos portugueses - como hoje, aliás.
A fazer fé nestes números, do pacotinho de açúcar da Nicola, fornecidos pelo Observatório de Emigração, estes 9.224 portugueses emigrados em Moçambique dariam para refundar mais de 4 cidades de Pinhel, pelas tabelas antigas. Por aqui também se pode compreender melhor a desertificação do interior...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Em louvor de Mértola


Com propriedade geográfica e histórica cronológica, eu poderia dizer que fui conhecendo Portugal, de forma quase clássica. Se Évora se atravessou no meu caminho nos anos 60, só em 1975 atingi o Algarve. Mas só em 1976 visitei Mértola, que logo me encantou. Era ainda um pequena vila, quase abandonada, não ganhara espaço na agenda arqueológica e turística que, mais tarde, Cláudio Torres lhe viria a dar, num amor sem freio de dedicação e vida. Porque essa alcantilada terra alentejana, confluência de tantos interesses e culturas mediterrânicos (e vestígios indeléveis fenícios, gregos, romanos, árabes e, finalmente, portugueses), merecia-o. Dessa primeira visita, em 1976, recordo nítida uma ânfora (romana?) enorme, a frescura de um pátio interior, num Agosto inóspito, e um insólito quintal duplex e alcantilado, em dois patamares, alto sobre um Guadiana exíguo. 
Lá voltei, anos mais tarde, roído de saudades, para estadia mais demorada em casa modesta de turismo rural, com cozinha gigantesca enxameada de compotas campestres, para barrar o pão honesto do pequeno almoço, sobre o rio. Devia ser Junho, e o mês portou-se bem, equilibrado em temperaturas. Do outro lado, no "Casa Amarela", ficou-me no goto e na memória gustativa, um "Borrêgo à Pastora", rústico e simples, com aromas suavíssimos de ervas desconhecidas e mágicas de mouras encantadas. Uma selvagem perdiz estufada a preceito, uma mugem ribeirinha e fresca que trouxemos. Mas também as muralhas, os vestígios da História, que vimos, um lindo tapete de lã artesanal e a simpatia das gentes da vetusta Myrtilis. Tudo estava mais bonito e continuava despretencioso e simples.
Nunca fui a Cancun, nem à Praia das Galinhas, nem à cosmopolita Nova Iorque, para me gabar aos colegas de trabalho, depois das férias, em Setembro ou Outubro. Nem irei. De Portugal, e das cidades antigas, creio que só me falta conhecer Pinhel - digo-o com pena, porque nunca lá estive. Mas aos que não conheçam, recomendo Mértola, vivamente. No Alentejo e sobre o Guadiana. 

para H. N., cordialmente.