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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Atenção, isto não é uma sondagem!


Fui almoçar fora. Depois dos dois últimos dias, estava a precisar de ar puro, apesar do calor, mesmo que fosse, como foi, numa esplanada coberta, mas fresca. O restaurante é modesto, mas cozinha com profissionalismo, e o atendimento ultrapassa, ligeiramente, os serviços mínimos. Mas não vale a pena pedir a carta dos vinhos. Vem um Palmela, rude mas honesto - "Um Camolas, que é bom!", diz o Sr. José...
No local, uma dúzia de clientes, contando comigo. Um terço era de ofícios mecânicos, de duas pequenas metalurgias que, na zona outrabandista e milagrosamente, escaparam à voragem e aniquilamento imposto pela UE. Dois reformados, o resto, sobreviventes, em vias de extinção, da classe média lusitana. Ouvi-os. Não sendo uma amostragem tão pernóstica, como é a das sondagens da Universidade Católica (que tem patrocínio divino e benção final do espírito santo), os resultados e opinião eram concludentes. Assim:
1. Depois do discurso de ontem, o actual PM transformou-se num selenita, por vocação.
2. O finado contabilista das Finanças, abortado e falhado metereologista, é um jagunço que mata por carta armadilhada.
3. A contabilista que lhe sucedeu, embora avantajada da cintura para baixo, tem testa curta para o cargo.
4. O ganapo que costuma ir às feiras, antes das eleições, quanto a responsabilidade moral, ainda é menor.
5. Tirando o ministro da Saúde, o resto da canalha andou a gozar e a brincar connosco.
No entanto, e como dizia Pinheiro de Azevedo ("O povo é sereno!"), os comedores à mesa pareciam tranquilos. Apesar de tudo, um terço deles ainda tinha trabalho...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (VIII, e último)


Com absoluto respeito pelas regras que governam as eleições democráticas, encerra-se, hoje, a mostra de propaganda eleitoral para as Presidenciais, com execução gráfica, muita sugestiva, de Vitor Peón. As folhas de propaganda são de 1976, e esta é a última que se coloca, no Arpose. Amanhã, sábado, será dia de reflexão para o voto que se deverá exercer, no domingo, 23 de Janeiro de 2o11.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (VII)


A feliz imagem de autoria de Vitor Peón, na sua execução e traço, remete para uma cena do filme "Quo Vadis" (1951), de Mervyn LeRoy, baseado no romance homónimo de Henryk Sienkiewicz, na sua imaginativa adaptação à epoca conturbada do PREC, e de apoio à candidatura de Pinheiro de Azevedo à Presidência da República Portuguesa.
Ursus (o actor Buddy Baer, no filme) transforma-se em Pinheiro de Azevedo nesta pega de caras que, nas filmagens do filme de LeRoy, foi executada, na verdade, por Nuno Salvação Barreto, chefe de forcados português, corajoso e bem conhecido. Lygia, papel desempenhado por Deborah Kerr, no filme, é aqui a República Portuguesa. E Nero (Peter Ustinof), o imperador romano, é personificado pelo General Costa Gomes, na altura, Presidente da República, provisório.
A força física exuberante de Pinheiro de Azevedo, na imagem, não tinha correspondância exacta com a realidade. No dia do principal comício em Lisboa, no Pavilhão Carlos Lopes, o Almirante Pinheiro de Azevedo teve um enfarte, e entrou em coma, não podendo participar no evento, para grande consternação dos seus apoiantes. Creio que o comício não chegou, sequer, a realizar-se.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (V)


Nas Eleições Presidenciais de 1976 houve 4 candidatos. Ramalho Eanes que tinha o apoio dos principais partidos (CDS, PPD, PS), do PPM (Partido Popular Monárquico), do PCP-ml, e ainda do MRPP, cujo Secretário-geral era Arnaldo de Matos que tinha sido subordinado do General, na sua comissão de serviço militar, em Macau. O general Ramalho Eanes venceu as eleições, tendo obtido 61,59% dos votos expressos. Em 2º lugar, ficou Otelo Saraiva de Carvalho que teve o apoio da UDP e do PRP(BR), de Carlos Antunes e Isabel do Carmo. Otelo obteve 16,46% dos sufrágios, nas urnas. O almirante Pinheiro de Azevedo, independente e sem apoio partidário, fixou-se em 3º lugar, com 14,37%. Finalmente, em 4º lugar, ficou Octávio Pato, apoiado pelo Partido Comunista, com 7,59% dos votos, que foi o pior resultado, até hoje, deste partido, em eleições presidenciais. Otelo teria absorvido uma boa parte do eleitorado que, tradicionalmente, votava no PC.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (IV)


Foram várias as frases "notáveis" do Almirante Pinheiro de Azevedo, que ficaram para a pequena história, para além daquela que Vitor Péon refere, nesta folha de propaganda eleitoral. Numa manifestação muito concorrida, no Terreiro do Paço, de apoio ao VI Governo Provisório, alguém (?) atirou petardos, e a multidão, com o estrondo produzido e algum fumo provocado, começou a entrar em pânico. Foi, então, que Pinheiro de Azevedo, da varanda donde assistia à manifestação, gritou com voz forte, mas calma: "O Povo é sereno, o Povo é sereno!...É só fumaça, é só fumaça!..." E a multidão de gente se foi tranquilizando.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (III)


O Almirante Pinheiro de Azevedo era um candidato singular e sem apoios partidários. Com uma linguagem castiça, muito próxima do calão das casernas, homem frontal, desassombrado e corajoso perante as adversidades, reuniu algum apoio dos desiludidos dos círculos partidários, e de alguma sociedade civil, talvez menos preparada politicamente. Foi, no fundo, a primeira candidatura presidencial post-25 de Abril, na sua origem, totalmente independente, livre de compromissos e de apoios políticos identificados. Vitor Péon, num dos seus momentos felizes, integra-o, recriando, na BD de Goscinny e Uderzo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (II)


As Eleições Presidenciais de 1976 foram muito acaloradas quer na pré-campanha, quer na própria campanha de propaganda eleitoral. Houve até alguns incidentes dramáticos que lhes emprestaram alguma tensão. O candidato General Ramalho Eanes concitou o apoio dos 3 principais partidos: PS, PPD e CDS. O General tinha sido o nome e o rosto do operacional militar mais visível dos confrontos "bélicos", de contornos "pré-guerra civil", desencadeados em 25 de Novembro de 1975. Os líderes políticos estão representados, na imagem de Vitor Péon, por Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Freitas do Amaral. A propaganda oficial da campanha do Almirante Pinheiro de Azevedo insinuava que, através dos "seus mandantes" políticos, Ramalho Eanes iria ser o chefe de uma nova democracia musculada, próxima de uma disfarçada ditadura.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (I)



As Eleições Presidenciais de 1976 foram as primeiras, democraticamente livres, realizadas em Portugal, desde há muito. No próximo dia 23 de Janeiro de 2011 realizar-se-ão as oitavas Eleições Presidenciais livres post-25 de Abril. Até lá iremos publicar umas folhas de propaganda originárias da campanha presidencial do candidato Almirante Pinheiro de Azevedo, que foi o 3º mais votado (14,37%). São muito pitorescas e, todas elas, foram executadas por Vitor Péon (1923-1991), grande desenhador de BD, e não só. Colaborou intensamente, por exemplo, no "Mundo de Aventuras". Para quem não se lembre, recordo que o vencedor das Eleições Presidenciais de 1976 foi o General Ramalho Eanes, que teve uma votação surpreendente de 61,59% dos eleitores, no conjunto dos 4 candidatos. Estas eleições tiveram lugar em 27 de Junho de 1976.

P.S.: para MR que, há algum tempo, falou destas folhas de propaganda.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Almirante Pinheiro de Azevedo

O Almirante Pinheiro de Azevedo que morreu, precisamente, há 27 anos, foi uma personagem curiosa e desassombrada no PREC. E creio que teve um papel significativo, para não dizer importante, nessa época. Era um homem sem medo e não uma raínha de Inglaterra.