Mostrar mensagens com a etiqueta Pinhão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pinhão. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de dezembro de 2018

Divagações 138


No Mercado, a dona Irene lacrimosa, soluçando a tuberculose inesperada de uma jovem parente sua, de 21 anos, tinha o pinhão a 70 euros, o quilo. Mas eu, este ano, até já o vi mais caro, e menos bonito.
Daí, algumas confeitarias, por vezes, fazerem uma vaquinha com caju e até amendoim torrado que, como vem de África, sempre fica mais barato e dá mais lucro no Bolo-rei vendido. Como já notei, aqui há dias.
Porque isto de tradições é tudo uma questão formal e de parecer. Mas também de contágio, como a tuberculose. Quem já passou Natal e Ano Novo, sozinho, alguma vez na vida, sabe que o facto pode nada ter de dramático ou infeliz. Sobretudo, se for depois de um enorme dia de trabalho...
Desde que haja uma fatia de Bolo-rei, com pinhões autênticos, e outros com casca, mesmo que não esteja ninguém à beira, com quem jogar o Rapa (,tira e põe), como a lembrar a infância de outrora.
Não farei coro com Sartre, a dizer que o Inferno são os outros, mas o Comércio é que leva à obrigação devota e clonada de afivelarmos, por uns dias, esta máscara de solidariedade e alegria, formais, sem mesmo reflectirmos, realmente, se estamos de bem com a Vida. E com os outros...


sábado, 2 de maio de 2015

Regionalismos transmontanos (79)


1. Ucharia - coisa redonda (Valpaços). Fartura.
2. Ulear - uivar.
3. Urca - estômago, barriga. Égua grande e robusta. Mulher alta e feia.
4. Urgueira - o mesmo que urze.
5. Ustir - aguentar, suportar.
6. Uveira - qualquer árvore ou arbusto que serve de suporte a videiras. Videira.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Regionalismos transmontanos (69)


1. Roga - conjunto de pessoas que vão rogadas para a vindima, rancho, ranchada.
2. Romanisco - diz-se do galo que tem a crista bifurcada.
3. Rópia - rompante de pimponice, arreganho.
4. Rosquedo - paródia, fado, pouca vergonha.
5. Rotar - diz-se das perdizes quando levantam voo.
6. Ruças - cabelos brancos, cãs, brancas.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Regionalismos transmontanos (62)


1. Pingacho - dança mirandesa.
2. Pinguelo - rapaz ou rapariga palerma.
3. Presigo - aquilo que se come com o pão, bocadito de carne cozida, conduto.
4. Proento - vaidoso, peneirento, presunçoso.
5. Proviscar - provar aos poucos, depenicar, mordiscar.
6. Puxavante - que puxa, que suscita, que provoca, que leva a.

sábado, 7 de junho de 2014

Diário sucinto de umas férias, sem rede, no Alto-Douro (5)


29/5
O sol piscou um pouco, de manhãzinha, mas pisgou-se logo, e as nuvens cinzentas ocuparam o horizonte, em Donelo. Mas o nosso objectivo era passearmos de barco no Douro, e pusemo-nos a caminho.
No Pinhão, o rio arredonda-se numa pequena baía, que mais parece uma lagoa, amena e tranquila pelas dimensões limitadas. O rabelo "Quinta de Ventozelo", adaptado, tem capacidade para 30 pessoas (com zona coberta e descoberta), mas a viagem de ida e volta até às águas da Quinta da Romaneira (1 hora), faz-se com apenas 18 pessoas e mais dois tripulantes. Só duas são portuguesas, as restantes distribuem-se por: flamengas, francesas, alemãs e inglesas (americanas?). Na conversa breve que tenho com o Arrais da barca duriense, recolho uma nova versão do naufrágio e morte do Barão de Forrester, no Cachão da Valeira, em que a Ferreirinha (D. Antónia), que se salvou por causa das suas saias de balão, não teria tido um papel inocente... Diz-me o Homem do leme, também, que a Capitania do Porto expediu recentes directivas que limitam estes rabelos a só levar 15 turistas: o que ele acha ridículo, porque as barcas transportavam, antigamente, até 20 tonéis de 300 litros, com vinho do Porto, até Vila Nova de Gaia. Mas ordens burocráticas, também são ordens...
No regresso, por descoberta de HMJ, ainda colhemos fruta de uma cerejeira brava que se inclinava sobre a estrada. Quase duzentos gramas de pequenos frutos de pele translúcida, bem saborosos e  doces.
Já em casa, ao fim da tarde, o sr. Pedro, acompanhado do seu fiel Póxi, leva-nos o garrafão de azeite duriense, encomendado anteriormente. Ficámos a falar sobre a fauna regional e as actividades cinegéticas. Que há excesso de melros - diz-me ele -, porque a caça destas aves foi proibida e, agora, os pássaros dão cabo das sementeiras. Em compensação desfavorável, há poucas perdizes e coelhos bravos, talvez por causa das muitas águias, que a Comissão Venatória tem libertado, pela zona - aventa. 
Até sempre, sr. Pedro!

domingo, 1 de junho de 2014

Diário sucinto de umas férias, sem rede, no Alto-Douro (1)


24/5
Almoço desinteressante em Lamego.
Chegados, verifico que as assimetrias de Portugal, por aqui, são ainda mais evidentes. Consegui ver que há comentários nalguns dos últimos postes do Blogue, mas nem sequer consigo abri-los, muito menos, responder. No entanto, da janela vejo, enormes e altos, 3 "moínhos eólicos", no monte defronte, sinal da modernidade tecnológica e ambiental portuguesa, mas a inefável tmn-MEO quase não tem rede, aqui, nem mesmo para telemóveis, e trabalha, no mínimo, à velocidade obesa e preguiçosa de um caracol distraido.
Vou-me resignando à hipótese provável e desagradável de o Arpose ficar "congelado" por uns tempos...
Mal que eu só tenha trazido dois livros para ler! Paciência... olho a paisagem, que é lindíssima. À noite, inicio as "Mitologias" de R. Barthes.
25/5
Domingo, 8h44. Mais 4/5 tentativas frustradas para ligar a net e aceder ao Blogue. Em frente, cinco oliveiras retorcidas e centenárias asseguram a antiguidade do lugar e a permanência estática do espaço. Isolado, agreste, sem abertura alguma ao futuro ou à modernidade que, fatalmente, nunca passará por aqui. Fecho o computador e desisto. O telemóvel, inerte e sem vida. Inesperadamente, consigo mandar uma mensagem... mais nada.
Donelo, Gouvinhas, Ferrão, Covas do Douro, andam por aqui à volta, numa babel de nomes estranhos e  cujo som fonético convoca tempos imemoriais, no mesmo ermo de solidão e penedia alta. Para chegar a casa, são cerca de 350 metros de picada exígua de largura, e inóspita.
16h10, Pinhão. Por momentos, no computador, a ligação"...Paris, S. Petersburgo, o mundo..." (Cesário). A suprema ironia...

domingo, 25 de maio de 2014

Momentaneamente, por aqui...


...por onde, os sumptuosos declives montanhosos, minuciosamente trabalhados, me lembram os carreirinhos do cabelo de Mariza, preparados para os espectáculos de Fado. Fados diferentes, no entanto...