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domingo, 9 de fevereiro de 2025

Da leitura 60

 

É o jornalista de Le Monde, Harry Bellet (1980) que o refere, e eu traduzo: "Último dos simbolistas ou no grupo dos primeiros pintores abstractos, quem era Piet Mondrian (1872-1944)? Ele detestava a cor verde porque lhe lembrava demasiado a natureza, mas pintava árvores como ninguém, e flores durante quase toda a sua vida, cuja venda lhe assegurava a sua subsistência. Era aparentemente austero, mas também um excelente dançarino e amador de jazz...".
Ao inverso, lá diz o provérbio: "Se não fossem os gostos, que seria do amarelo." Na verdade, podemos procurar em vão, na obra do holandês Mondrian, alguma árvore em que o verde surja, mas não encontramos nunca essa cor. Achamos o cinzemto, aparece o vermelho, mas verde é que não há...



segunda-feira, 18 de maio de 2020

In


Hoje, o jornal vinha mascarado. Por muito horroroso que o problema seja, o sistema recicla, absorbe, recupera e põe a circular, ainda que com novas cores. Neste caso, suavizou a máscara com Piet Mondrian.
E pasme-se!, não fora a atenção gentil da dona da Tabacaria-quiosque, que me guardou um exemplar, o Público às 9h00 já estava esgotado.

domingo, 24 de março de 2019

Miscelânea : dispersas e sentimentais


1. Toda a grande poesia tem uma nova linguagem. Ou, em termos abstractos, uma expressão própria.  Difícil de descriptar, até que nos habituemos. Li eu, algures. O que é verdade: Nobre e Herberto Helder; Emily Dickinson e René Char, por exemplo. Não será regra absoluta, entre grandes poetas, mas quase.
Depois, há os versinhos de que toda a gente gosta...

2. A fotografia banalizou-se, deixou de ser um ritual próprio em circunstâncias especiais, oficiada por escolhidos ou profissionais. Perguntaram a Roger Scruton (1944), filósofo inglês, o porquê da seriedade das expressões, nos retratos do século XIX. Ele falou vagamente da solenidade do acto, nessa época.
Mas referiu também, no presente: as idiot smiling faces of the selfies.

3. A complacência, pecado maior. Ainda que sem notarmos, fazemos quase sempre um movimento e um esforço imperceptível para nos integrarmos na ordem estabelecida ou no gosto da maioria. Mesmo que essa adesão implique um constrangimento às nossas convicções mais íntimas ou pessoais.
As vanguardas artísticas já aceites, o filme (mais banal) já premiado, a canção eleita, mesmo pimba...

segunda-feira, 7 de março de 2016

Para MR, ...



... e com a ajuda de Mondrian (Piet), mai-la sua Amaryllys, de 1910, bem como com o apoio do British Pathé, no que diz respeito a Margot e Nureyev (1964), aqui vão os nossos cordiais parabéns, pelo seu Aniversário.
Que haja muitos e bons!


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Arte e ciência, segundo Steiner


De modo elíptico, por meio de analogias inatas difíceis de elucidar por completo, há transformações tangíveis na arte que reflectem as da ciência. Mondrian é provavelmente o último dos cartesianos. Os espaços mutantes, múltiplos e provisórios de Klee, os campos de forças e os "organogramas" de Pollock, as pulsações da luz de Rothko, não são simples metáforas do que sucede na lógica das ciências. Fazem também com que o observador aceda ao núcleo axial activo e instável da energia.

George Steiner, in Extraterritorial (pg. 194).

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Humildemente, como se fosse em confissão


Confesso que fico siderado e atónito, quando verifico, às vezes, que algumas das visitas ao nosso Blogue, conseguem ver 5, 6 ou mais postes no tempo recorde de 10/15 segundos. Serão ubíquas, superdotadas? Fico, até, com alguns complexos de inferioridade.
Procurando ser honesto e objectivo, sou seguidor fiel de apenas 8 blogues, embora visite, quase diariamente, mais 2, quando o tempo mo permite. E se aumentei, muito recentemente, o acompanhamento de 6 para 8, foi porque duas Amigas (a Nicolina e a Ana Eurídice) são extremamente bissextas a postar, e quase desactivaram os seus blogues. Por isso acrescentei a Isabel e a Catarina, que têm blogues bonitos, escrevem muito bem e trazem ao meu conhecimento, sempre, coisas simples, curiosas e dignas de admiração. Aqui lhes agradeço, cordialmente.
Finalmente, por razões diversas e de idade, chego à conclusão de que a minha gíria é de outro século. Muito do vocabulário que enxameia, hoje, os linquidins e os feicebuques, não o percebo e parece-me, muitas vezes, inapropriado. Sobre arrumos de cabeça e linguagem, sigo Steiner que disse, sobre isso, coisas sábias. E para sempre. 
Por outro lado, conhecendo-me a mim próprio de há muito, sei que, infelizmente, não tenho o dom divino da ubiquidade. "O pouco basta e o muito se gasta" - diz o povo. E eu concordo, inteiramente.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Pinacoteca Pessoal 27: Piet Mondrian (1872-1944)


Todos semelhantes, mas todos diferentes, porque um estilo próprio os caracteriza - assim começarei, ao falar de Piet Mondrian. Porque dos vários quadros da sua obra de maturidade, nenhum é igual a outro. Mondrian nasceu na Holanda, a 7 de Março de 1872, e veio a falecer em Nova Iorque, onde se fixara, no ano de 1944. No Art Book (1996), da Phaidon, encontramos uma definição sucinta da sua arte, que passo a traduzir para português:
"Uma simples grelha preta intersectada por espaços de vivas cores primárias, ousadamente dispostas na composição geométrica. Mondrian desenvolveu um estilo que baniu o espaço tri-dimensional e a linha curva. Ele queria construir as suas imagens através dos mais simples elementos - linhas rectas e cores primárias - que deslocava nas telas até que encontrasse um equilíbrio perfeito na composição. O seu objectivo era criar uma arte objectiva de disciplina, cujas leis reflectiam, de algum modo, a ordem do universo."
Em imagem, um auto-retrato do pintor holandês e um quadro de 1929, intitulado "Composição", que pertence ao acervo do Museu Guggenheim, de Nova Iorque.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Miscelânea lisboeta


De repente, tudo se vai ajustando à lenga-lenga. E até pode sentar-se o romeno na mesa ao lado, na esplanada, e saborear os restos já frios da Carne de porco à alentejana, em rápidas garfadas sôfregas - e sem bebida. Jardineiro durante anos, na Quinta da Marinha, um acidente na perna (diz e mostra) obrigou-o a vender "O Seringador" e acendedores de gás de fogão, pelas ruas de Lisboa. Pelas avenidas de Timisoara, ainda deve estar a nevar, mas aqui o sol bate nas costas com a força de uma primavera antecipada.
Quatro ou cinco ninfetas chilreantes vem quase dançantes pela berma do passeio. Gritam espavoridas, quando um esquadrão de pombos (que levantaram sabe-se lá de onde) lhes faz sobre os cabelos soltos um voo rasante e agressivo. Alguém lhes diz a rir: "Então, agora, as meninas têm medo das pombas da cidade?!" E elas riem também, perdendo o medo juvenil. Cantarolando, começam a correr até ao cruzamento. Ou em direcção à Primavera.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Graciliano Ramos e a Infância


Sempre pensei que a prosa de Graciliano Ramos (1892-1953) era sisuda, enxuta de emoção, quase matemática na sua nudez e paixão fria. Próxima da geometria dos versos de um Cabral de Melo Neto, ou do lirismo pictórico e muralhado das telas de Mondrian. E muito longe do derrame lírico, transbordante, de Guimarães Rosa que, com o seu contágio de palavras, nos faz regressar às memórias primordiais da fala.
Pensava isso, antes de ler "Infância" (1945). Vi que estava enganado. Cada capítulo do livro é uma re-descoberta adulta, cheia de frescura e emoção, dos factos, lugares e pessoas da infância que lhe ficaram na memória. Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo (Alagoas), a 27 de Outubro de 1892. A melhor maneira de o celebrar e lembrar, é recordar as suas vivas palavras:
"...Os maiorais do município, govêrno e oposição, vinham de um grupo de famílias mais ou menos entrelaçadas, poderosas do Nordeste: Cavalcantis, Albuquerques, Siqueiras, Tenórios, Aquinos. Padre João Inácio era Albuquerque. O comendador Badega, parente de todos os graúdos, autor de vários filhos naturais, esfarinhado em César Cantu, vestia cassineta esfiapada e russa, usava chapéu de abas roídas e botas pretas com remendos amarelos. Assim, de rebenque e esporas, entrou uma noite no paço municipal com um lote de caboclas novas e, ao som da harmônica, dançou valsas e quadrilhas até o nascer do sol. Apesar da comenda, os roceiros davam-lhe o título de capitão. ..." (Infância, pg. 52)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Uma quadra não popular


Que segredo se esconde em tal cuidado
que seria mais secreto vir dizê-lo
do que sabê-lo apenas revelado
no discreto cuidado de escondê-lo.

António de Almeida Mattos, na colectânea Palavras de Cristal (2011)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Osmose (4)


Abriu os olhos, ainda cedo (insensato sono, pensou). Restabeleceu as coordenadas - dia 25. E ficou mais um pouco. Sabia que pensava e trabalhava melhor depois do caos: a reerguer tudo outra vez. Às vezes, noutra perspectiva, diferente.
Levantou-se, e seguiu para a cozinha, onde reaqueceu o café que sobrara da Consoada. Encheu a pequena chávena, intacta e limpa (a do Sérgio, o genro purista, parco de alimento, vegetariano, quase sempre...), e olhou as três pilhas de louça, por lavar. Mas não desanimou.
Porque é que a Lígia se teria apaixonado pelo Sérgio? - pensou. E voltou a olhar o caos harmonioso de copos, talheres e louça, à sua frente. Acendeu o primeiro cigarro da manhã, e esticou as pernas, com preguiça inocente. Pouco depois, voltou ao quarto onde o odor da noite ainda dominava uma quentura de penas. Com vagar, percorreu de memória, as lembranças do jantar da véspera. Sentiu sede: se calhar, não tinha demolhado o bacalhau, suficientemente. Mas estava tudo bem. Os filhos e a filha tinham confirmado. E já não tinham idade para lhe mentirem. Seguiu, então, para a casa de banho.
Fez o balanço final, ao dia 24. De manhã, tinha feito os 3 telefonemas essenciais. Demorou mais, de memória, a recordar as palavras de Manuel. E uma ternura súbita eriçou-lhe a pele e alisou-lhe a testa, quando se olhou ao espelho. Concluiu, quase tranquila, que Manuel tinha a mesma voz de há trinta anos. Estavam ambos sós, agora, mas já muito longe, um do outro. Só nessa altura Maria Isabel se decidiu a abrir, decidida, as torneiras, para tomar banho.

domingo, 7 de março de 2010

Triplo Aniversário






A 7 de Março de 1872, nasceu o pintor holandês Piet Mondrian (1872-1944).


A 7 de Março de 1875, veio ao mundo o compositor Maurice Ravel (1875-1937).


Feliz Aniversário, MR!