Há memórias que não jogam, entre si. Ou porque os intervenientes não chegam a acordo quanto a datas e pormenores, ou porque somos a única testemunha sobrevivente e já não temos ninguém que possa certificar o facto com rigor.
Por uma coincidência, de estatística altamente improvável, sei que eu e mais dois amigos nos encontrámos, afortunadamente, no Verão de 1973 ou 1974, em Londres, numa esquina de Picadilly Circus, por mero acaso. Como diziam os antigos cauteleiros: há horas felizes...
Eu sei que o mundo é pequeno.
Mas nem eu, nem o Carlos, nem o António, nos lembrámos de mais nada. Para além desse facto real.
Quando muito, a efabulação de um escritor poderia compor o resto, com imaginação afectuosa.
E escrever um romance. Se tivesse talento.
E escrever um romance. Se tivesse talento.