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terça-feira, 19 de maio de 2020

Bibliofilia 146


Nesta sua obra, A Journal of the Plague Year (1722), de Daniel Defoe (1661?-1731), vêm contabilizados 1.998 óbitos, em cerca de um ano de peste, na cidade de Londres. O livro foi um sucesso de venda e teve inúmeras reedições.
O meu exemplar é uma edição cuidada, de 1848, adornado de finas gravuras e em bom estado de conservação. Com introdução de Edward Wedlake Brayley, o volume terá pertencido a um provável cidadão irlandês, de nome J. J. O'Keeffe, que por cá andou emigrado.


Assim começa Um Diário do Ano da Peste, publicado, inicialmente, anónimo:

"Foi  por alturas do início de Setembro, 1664, que eu, bem como o resto dos meus vizinhos, ouvi dizer numa conversa banal que a Peste tinha voltado, outra vez, à Holanda; e que tinha sido muito violenta por lá, particularmente em Amesterdão e Roterdão, durante o ano de 1663, embora falassem que ela teria sido trazida, segundo uns de Itália, outros do Levante e ainda outros que teria vindo com a Armada Turca; outros afirmavam que da Cândia; outros ainda de Chipre.
Não importaria muito donde veio; mas todos concordavam que ela tinha chegado à Holanda, mais uma vez." [...]

Com encadernação original do editor, William Tegg, & Co. (Londres), em cor verde, a obra, por volta de 1980, custou-me Esc. 380$00. E creio que foi um bom preço, que o sr. Tarcísio Trindade me fez, na altura.



segunda-feira, 11 de maio de 2020

A sorte dos livros


Há livros que, após um sucesso retumbante, se apagam para sempre na obscuridade e no esquecimento. Não terá sido o caso de La Peste, de Albert Camus (1913-1960), que ainda é hoje um dos top-ten da Gallimard, a seguir a Le Petit Prince, de Antoine de Saint-Exupéry e de L'Étranger, do mesmo Camus.
Publicado em 1947, La Peste vendeu 22.000 exemplares na primeira semana e 100.000 até ao final desse ano. E embora a crítica literária não lhe tenha sido muito favorável, bem como o autor que o considerava um livro falhado, o público leitor excedeu as expectativas de compras, na época.
Integrada na Colecção Miniatura (nº 55), com capa de Bernardo Marques, a obra foi editada, em Portugal, em finais dos anos 50, e reeditada recentemente. E embora só obliquamente o tema se possa associar à peste bubónica ou a uma pandemia, dado que o texto é uma metáfora sobre o nazismo, a Itália e a França, países europeus mais atingidos pelo Covid-19, apressaram-se também a reimprimir  o livro...
Assim ressurgiu A Peste.

domingo, 15 de março de 2020

Glosa (17)


É tão razoável representar uma espécie de encarceramento por uma outra como representar qualquer coisa que realmente existe por qualquer coisa que não existe.

Daniel Defoe (1660-1731), in A journal of the Plague Year (1722).