Mostrar mensagens com a etiqueta Perdiz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Perdiz. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Em volta de um terceto de António de Almeida Mattos (1944-2000)



O pequeno poema vem na página 27 de Conjuntivo Presente ( Afontamento, Porto, 1991) e reza assim:

Colhe nos céus este sabor bizarro,
tão único. Apenas um deus sabe. E diz:
pertence a deuses só de ser tão raro. 


Todos os poetas guardam segredos, como qualquer ser humano, naturalmente. Ao revelá-los, em relação à sua poesia, os vates porém podem correr o risco de destruir a magia dos poemas, cuja origem reside muitas vezes em razões menores ou muito simples, que escapam ao comum dos leitores.
O meu amigo António era, como eu, grande apreciador de caça, especialmente de perdizes. E confessou-me um dia que este breve poema, citado acima, lhe fora inspirado por uma saborosa perdiz que tinha comido. Aqui fica desfeito um pequeno segredo. E que o António me perdoe, lá onde estiver, por eu o ter revelado...

domingo, 1 de janeiro de 2023

Mercearias Finas 185



As perdizes estavam destinadas, de há muito. Maria Mansa, da Quinta do Noval, foi escolhido na antevéspera. A origem não antecipava sobressaltos, pelos pergaminhos do produtor. Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca lotaram este tinto de 2016, com 13º serenos e discretos, ligeiramente seco, que acompanhou dignamente a caça voadora que ainda trazia pequenos grãozinhos de areia no papo e alguns chumbos dos tiros(?) que lhes acertaram.
Do congelador veio puré de castanhas. A cama das perdizes levou couve coração, alho francês e pequenas cebolinhas novas. Não faltou a batata palha das receitas tradicionais, a compor o almoço de Ano Novo. Assim seja bom o ano, como foi o repasto!

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Mercearias Finas 148


Não vem à colação o excurso pelo almoço, que foram costeletinhas de borrego, bem apaladadas, com esparregado e batatas fritas, acompanhadas por um Chardonnay estreme e francês. Mas porque, ao arrumar uns livros, me deparei, meio escondido, com este maneirinho (12 por 17 cm.) Caderno do Refeitório, editado em 1983, pela Barca Nova Editor e com notas de Luís Filipe Coelho.


A obrinha, com 106 páginas e ilustrações de Luís Ruas, reproduz um livro publicado, em 1887, por António Macedo Mengo e dado à estampa por David Corazzi, em Lisboa, que, por sua vez, salvava da obscuridade e esquecimento, um manuscrito conventual do século XVIII (1743?).
Para imagens e traslado, escolhi matéria prima de que gosto, particularmente.



Muito embora a época da Lampreia já tenha passado - Fevereiro e Março é o seu tempo certo - e as Perdizes, com sabor silvestre e autêntico, só lá para Outubro, com a abertura da caça, é que comecem a apetecer, regadas por um tinto com uns anitos e à maneira.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Para a iconografia do almoço de 25/12


Diga-se, de passagem, que o puré de castanhas (nas 2 tacinhas, à esquerda), que acompanhou a perdiz estufada à moda de Alter do Chão, deu imenso trabalho a HMJ, mas estava muito bom. Aqui se presta preito e homenagem à  artífice da manufactura gastronómica.
O vinho tinto era um Dão reserva da Quinta da Garrida, de 2013. As couves de Bruxelas, apesar do nome, eram nacionais - gentileza da CEE..:-)

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Um simples painel de 4 azulejos


Pelo nome, iriamos dar a Queluz e ao conhecido e primoroso restaurante, e assim faria todo o sentido que os azulejos tenham sido confeccionados em Sintra, que lhe fica próxima. Desiludam-se, porém. Porque o painel foi colocado no pátio interior de uma nobre mansão, ao fundo da rua do Raimundo, em Évora. Talvez para lembrar que, no Alentejo, também se podem degustar magníficos pratos de caça, em estação propícia. Como perdizes, por exemplo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Mercearias Finas 108 (e não só...)


Por aqui (imagem), sossegadamente, nos iniciámos na estação da caça, neste ano da graça de 2015, com uma perdiz silvestre, estufada, a saber a campo. Acompanhada de batata frita, fina, e uma salada de feijão verde. Veio também, para a mesa, um jarro de colheita particular, de uma quinta próxima do Cartaxo, vinho branco fresco - sem pergaminhos especiais, mas capaz - porque estava calor. Rumámos, então, a Sintra. Por Colares, 4 Vampiros em falta esperavam-me numa Feira de Velharias espalhada por um  pequeno Largo, e, por volta de Almoçageme, de regresso, na estrada, com permissão e benevolência da A.S.A.E., ou porque era Domingo, uns feirantes expunham, ao ar livre, garbosamente, produtos de Fumeiro nortenhos, fruta da várzea de Sintra, queijos saloios, mel e outros produtos da terra. Trouxe um salpicão de Mirandela, que promete, e uma garrafa de Espadeiro minhoto, com linda cor rubi clarinho. Havemos de ver e provar, em altura própria que os mereça.

sábado, 1 de março de 2014

Adagiário CLXXIV : Março (5)


1. Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.
2. Em Março, de manhã pinga a telha e à tarde sai a abelha.
3. A 22 de Março ouga o pão com o mato, a noite com o dia, a erva com o sargaço, a fome com a barriga e a merenda do pastor nunca chega ao fim do dia.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Adagiário CLXX


Em Janeiro junta a perdiz ao parceiro, em Fevereiro faz um rapeiro, em Março faz o covacho, em Abril enche o covil, em Maio, pi-pi-pi para o mato.

terça-feira, 13 de março de 2012

Adagiário LXXXVI : cinegético


1. Não há carne perdida a não ser lebre assada ou perdiz cozida.
2. Perdiz é perdida se quente não é comida.
3. A lebre é de quem a levanta e o coelho de quem o mata.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mercearias Finas 21 : perdizes em Aldoar



Não sei se elas terão vindo do Alentejo (nem o António sabia), como veio o tinto Cartuxa de 2006, mas vieram morrer, maneirinhas, à mesa, lá para as bandas de Aldoar. Não estavam sozinhas: foram acompanhadas de túbaras, lardeadas de bacon, com batatas às rodelas e pequenos cogumelos - eram muitíssimo boas, as perdizes, neste Outono do ano da graça de 2010. Foram, para nós, as primeiras desta época.
Antes, e para fazer boca, umas vieiras, em pequenos cilindros vestidos de (quase laminadas) courgettes, tendo por cima umas pequeníssimas bagas de pimenta rosa que, pela côr, mais pareciam framboesas. Eram lindíssimas mas, rapidamente, se foram, pelo gosto que tinham. Casaram-se com o E. A. branco, também alentejano (Antão Vaz, Perrum e Roupeiro) da Fundação Eugénio de Almeida. Excelente.
Quase no final chegou à mesa o celebrado Toucinho do Céu que, com as Tortas, há quem diga, nasceram da doçaria conventual vimaranense; no entanto, este toucinho era tripeiro de gema, e feito pela mão cuidada da Isabel - na perfeição, ponto e gosto. Depois do café, para coroar tudo isto, a suprema Adega Velha, da Aveleda, elegante na sua garrafa alta e estreita, e de sabor divino.
Obrigado, Amigos!