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segunda-feira, 13 de março de 2017

Divagações 121


Terei visto um peneireiro, ou terá sido apenas uma alucinação temporã da Primavera?
Seja como for, ele vinha direito a mim, no alto de um sexto andar, por onde um azul, embora inquieto, parecia também querer entrar. O bafejar ameno, acima dos 20º, permitia quase tudo, mesmo aquilo que o corpo já não poderia trazer de renascimento primaveril.
Depois, a ave vertiginosa guinou à esquerda de mim e não pude certificar-me, inteiramente, da espécie.
Como o outro, que se despediu de nós, alguns anos atrás, e que rumou a Monsanto. Esse, sim, com uma evidência visual plausível, que do alto da chaminé parecia querer dizer-nos adeus, antes de partir.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Bucólica e aérea


Altíssimo, único e pairando em círculos cada vez mais alargados, só podia ser, ao longe, o peneireiro que eu já não via há muito. Mas quando, à pressa, fui buscar os binóculos e voltei à varanda, já não o consegui mais localizar, no azul, a sudeste.
Daí a estranha ausência de pássaros, no horizonte próximo: nem gaivotas, nem pardais e os dois casais de rolas, que por aqui vejo todos os dias, devem ter-se remetido ao abrigo de alguma árvore mais entrançada, que os esconda e proteja.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O peneireiro na varanda

Há muito que não falava de peneireiros, aqui no Blogue, mas hoje impõe-se. Dos que conheci, ambos tinham crias, mas o lisboeta há muito que o deixei de ver. Ficou o outrabandista que é, como este do vídeo, parece-me, um peneireiro-das-torres. Bem gostaria de ter um na varanda, mas também me agrada vê-los, altos e livres, no azul outrabandista, em voos elegantes. E o peneireiro da varanda de Lisboa é prolífico!... Os livros especializados estipulam que, de cada ninhada, que são entre Abril e Junho, a pequena ave de rapina põe 4 ou 5 ovos. Ora esta fêmea pôs 6. Uma das crias já saíu do ovo, e ainda há mais 5 ovos por abrir...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Nocturno de um rústico observador de pássaros



Quase não havia aves, no céu, ao entardecer. Nove dias a crescerem, ainda, até ao S. João, em claridade. E, depois, começam as noites, outra vez a ganhar terreno. Consigo ainda ler na varanda virada a leste, depois do jantar. Mas hoje quase não vejo pássaros: poucos insectos no ar?, o anoitecer demasiado fresco?, ou será que o peneireiro e a sua cria vigiam, lá do alto?
Na tenda "árabe" do terraço da casa defronte, lá ao longe, tremula a bandeira das quinas, esfarrapada (já tem 6 anos), ao vento. Não fosse este nacionalismo rasteiro e pedestre... Vizinhos passeiam os seus "lulus" no descampado, uma vizinha sacode da janela uma enorme toalha, do jantar. Nem pelas migalhas, os pardais regressam. As andorinhas, muito menos. Céu pálido, sem aves no horizonte.
Um friozinho tímido atravessa a rua, vindo do Norte. Instala-se. Enerva a quietude das duas palmeiras, até aí, tranquilas. Parece querer dar as boas vindas à noite que vem a chegar, pé ante pé, silenciosamente. São quase 21,30: uma gaivota, solitária, regressa. Ou será o peneireiro? De tão distante e alta, a ave, não consigo distinguir. O céu acinzenta, muito devagar. E a noite, discreta, parece que me pediu licença para entrar...
P. S. : para a MR, não só, mas também pelo Nino Rota.