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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Portugal, a Europa e o mundo

Minuciosamente, percorri as escolhas do ano, do TLS, na esperança de encontrar o nome de algum escritor português distinguido pela crítica inglesa, durante o ano de 2012. Debalde. No ano passado, José Saramago (1922-2010) fora distinguido por Gabriel Josipovici, a propósito da tradução inglesa de "A viagem do Elefante", como um dos melhores romances do ano. No entanto, nas recensões deste TLS, Nick Caistor refere "Raised from the ground" ("Levantado do Chão"), de forma elogiosa, muito embora anote a construção marxista deste romance de José Saramago, na tradução (exemplar, segundo Caistor) de Margaret Jull Costa. Foi-me agradável sabê-lo.
Mas não tenhamos ilusões: Portugal é uma insignificância na Europa, muito embora os portugueses representem, presentemente, cerca de 15% da população do Luxemburgo - outro país pequeno... São factos a que temos que nos habituar, apesar do passado glorioso. Nos últimos 3 séculos, Portugal foi apenas notícia de primeira página, por dois acontecimentos: um, trágico, e o outro, feliz. Refiro-me ao terramoto de 1755 e ao 25 de Abril. Mas acontece, por vezes, que um homem nos levanta do chão. E nos restitui algum orgulho pela admiração que suscita pelo seu trabalho, pela sua obra e autenticidade. Que evita que, alguma alarve ignorância europeia, nos inclua anónima e geograficamente na Ibéria, como se a Península fosse apenas uma única nação. E Portugal uma pequena província.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

As novas Taifas


Taifa, para quem não saiba e no contexto da Península Ibérica, significa, no passado histórico, um principado muçulmano independente. Mas taifa, neste poste, terá também um significado metafórico.
As taifas, recentemente, começaram na Tunísia, passaram ao Egipto e, depois, contagiaram a Líbia, num mimetismo de imitação que me provocou algumas dúvidas. Vitoriosas nos dois primeiros países e amplamente cobertas pelos media, talvez por falta de assunto, têm arrastado um longo e penoso empate técnico na Líbia. Beliscados e contagiados, foram também o Yemen, a Síria e a Jordânia. Mas os jornalistas, talvez cansados (coitadinhos...), já quase deixaram de falar nisso. Hoje, pouco sabemos se a Tunísia e o Egipto, afastadas as ditaduras, se encontram melhor e se as populações, realmente, beneficiaram com estas taifas. Até a Sra. Clinton e Obama deixaram de falar destes países...
Mas o movimento das taifas, depois de avassalar o sul e o leste, atravessou o velho Mar Mediterrâneo, avançou para a Ibéria e ocupou a Puerta del Sol, em Madrid. As visitas do Arpose que me desculpem  o cepticismo e a idade, porque não os posso evitar. Um dia destes deverá chegar, em aduar, ao Marquês de Pombal ou ao Rossio, em Lisboa. Esta imitação mimética, promovida pelas redes sociais (não são os pobres que se revoltam, esses, normalmente, nem têm telemóveis), preocupa-me. Falta aqui uma razão substantiva, uma ideologia concreta, um programa de futuro. Claro que o presente é cinzento e o futuro, parece, negro. Mas é preciso muito mais do que isto para destruir um sistema perverso que começou a instalar-se e reforçar-se, impunemente, sobretudo a partir da queda do Muro de Berlim.