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domingo, 3 de novembro de 2024

Carne ou Peixe

 

Parece-me óbvio que houve por aqui um erro de casting. Ou um desvio de vocação. Nota-se que o Criador desatinou ao classificar o espadarte, o lírio e o atum como peixes. Pela consistência interior parecem ser carne.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Mercearias Finas 74 : pratos de peixe e castas dos vinhos verdes


Se, para alguns, quanto a vinho, só reconhecem o tinto e, ainda outros, se contava, por graça, que à pergunta: "Que vinho?", respondiam: "Muito!...", também, por vezes, a escolha da bebida certa para acompanhar determinados pratos, se houver critério, põe algumas questões. É certo que já vi muita coisa...até já vi um cavalheiro, para acompanhar uma perdiz estufada, pedir coca-cola. Matou a perdiz, pela segunda vez. E não a merecia, absolutamente.
A gama de vinhos verdes brancos, pela sua variedade de castas e  sabores, em matéria de pratos de peixe, permite alternativas amplas e opções acertadas. Pessoalmente, um rodovalho, um peixe-galo grelhado ou um linguado justificam a abertura de uma garrafa de alvarinho. Mais seco ou mais untuoso, consoante o gosto das pessoas à mesa. Mas, já um bacalhau assado, pede, no mínimo, um branco encorpado, ou até mesmo um tinto, em que pode entrar o espadeiro minhoto. 
Quanto às sardinhas, já não estou tão seguro e tudo fia de mais fino... Na minha modesta opinião, tudo depende da época e do ano. E, também por aqui, o vinho tinto pode ter uma palavra a dizer. Como este ano elas estão gordas, rechinam e pingam para o pão, a casta loureiro pode bem impor-se. Ou, em boa alternativa, o sempre seguro "Muralhas" de Monção, com os seus 90% de alvarinho e 10% de trajadura. Que é, quase sempre, uma escolha acertada e compensadora.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Idiotismos 16


Na grande maioria dos casos, as expressões populares têm uma origem simples e objectiva que explica a sua existência prática. E, como em coisas de Mar, o meu amigo AVP é o melhor especialista que eu conheço, aqui vou dar conta da explicação que ele me deu sobre o idiotismo: carapau de corrida. Ei-la:
era hábito, nas lotas, que o leilão se iniciasse pelas espécies melhores e mais caras do pescado, acabando nas espécies menos boas, menos frescas e mais baratas de peixe, com que se finalizava o leilão.
Varinas havia que se guardavam apenas para o final - peixe mais em conta, ou porque tivessem menos dinheiro para investir, ou porque os seus fregueses não fossem abonados em dinheiro.
Como as peixeiras, com o pescado de melhor qualidade e mais caro, já tivessem abandonado a lota para vender a mercadoria, as varinas retardatárias lançavam-se em correria acelerada, em direcção às povoações, de forma a não perderem os seus fregueses e conseguirem vender o seu peixe. Daí: carapau de corrida.
A expressão, como é hábito, alargou o significado e âmbito, podendo significar o chico-esperto ou o chamado feito fino. Que, de certo modo, ainda mantém alguma ligação com a causa original.

com agradecimentos a AVP.

domingo, 5 de agosto de 2012

No Mercado, logo pela manhã, com preços e tudo


Ver uma profissional competente "descascar" uma boa pescada e transformá-la em filetes, é um espectáculo digno de apreciação, logo pela manhã. A pescada, do alto, estava a 8,75 euros, mas nós tinhamos vindo por causa da sardinha que, fresca e apetitosa, se oferecia a 10,50, o quilo. Protestei. A filha (licenciada, mas trabalhadora) da dona da Banca que, hoje, estava de candeias às avessas com a mãe, replicou-me que, pelo Sto. António, tinha chegado aos 15 euros.
Entretanto o robalo e a dourada, pesca à linha e alto-mar, pousavam na Banca, por igual, a 17,50. Valia-nos o popular carapau pequeno, a 3,95 - e estava fresco. Lá vieram 6 sardinhas, bem cheias e gordas, como manda a lei. Mais uns pimentos vermelhinhos, pepino, umas simpáticas maçãs riscadinhas, pêssegos, e assim se foi compondo o almoço de domingo. Que será acompanhado por um Sauvignon Blanc, da Casa Santos Lima, em cuja Quinta o Herculano produzia, no séc. XIX, o melhor azeite de Portugal. Quando se abandonou à Lavoura e deixou, de lado, a História...