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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Memória 71 : Confluências

Giacomo Leopardi nasceu a 29 de Junho de 1798 e Vittorio Gassman faleceu neste mesmo dia, no ano de 2000. Ambos italianos, já aqui confluiram num poste, em 16 de Abril de 2012, em que Gassman diz o poema " A Silvia". Das mais conhecidas e difundidas obras de Leopardi, "L' Infinito", deu-nos Pedro da Silveira (1922-2003) uma belíssima versão, em português, que se transcreve, em seguida:

O Infinito

Sempre caro me foi este ermo outeiro,
e esta espessura, que por tanta parte
do mais longe horizonte o ver me impede.
Mas sentado e olhando, intermináveis
espaços além dela, sobre-humanos
silêncios, e fundíssima quietude
na mente eu imagino; até que quase
o coração se assusta. E quando o vento
ouço bulir entre as ramagens, esse
infinito silêncio a esta voz 
vou comparando: e considero o eterno,
mais as mortas idades, e a presente
e viva, e sua voz. Assim entre esta
imensidade o meu pensar soçobra:
e o naufrágio me é doce neste mar.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Celso Emílio Ferreiro


O Profeta

Pouco antes de morrer
disse ele ao povo:
Deus te dê ira,
que paciência tens de mais.

Nota: esta versão do poema do galego Celso Emílio Ferreiro (1912-1979) é devida a Pedro da Silveira.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Um Poeta (quase) desconhecido

Sabe-se pouco sobre Joaquim Fortunato de Valadares Gamboa (1745-1815) e, o pouco mais que se sabe, hoje, é devido ao trabalho persistente e silencioso de Pedro da Silveira (1922-2003), também ele poeta, que publicou em 1999, em edição de "O Mirante - Jornal da Região do Ribatejo", Santarém, uma "Antologia Poética" do autor, na colecção "Alma Nova".
No panorama, um pouco desolador, da poesia portuguesa do sec. XVIII, encontram-se, por vezes, pequenas "pérolas" de poetas (quase) desconhecidos que nos deixaram versos que merecem alguma atenção. Eu tinha lido Valadares Gamboa no princípio dos anos 80, e sempre gostei deste soneto despreocupado mas realista, simples e despretencioso que o poeta,nascido em Lisboa, na freguesia da Madalena, escreveu à beira-rio. Aqui vai ele:
"Os seus nédios rebanhos pastorando
Além andam no campo os pegureiros;
Ali na seca praia estes barqueiros
A rota lancha estão calafetando;
Sobre as tortas fateixas balançando
Vejo dos ovarinos dois saveiros;
Carregado de pobres passageiros,
Um côncavo batel cá vem chegando;
Lá vão barcos à vela de água acima; Aqui passa de gente uma barcada;
Aquele ao duro peito a vara arrima;
Eu sobre esta muralha escalavrada
Isto que vejo vou compondo em rima, Porque não tenho que fazer mais nada."