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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Um poema, para o acabar do ano

 


Ver Claro

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.



Eugénio de Andrade (1923-2005), in Os Sulcos da Sede (2001).

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Memória 153

 

Desta última exposição de Pedro Chorão (1945), na galeria Sá da Costa, em Maio de 2025, ficou-nos este magnífico catálogo ilustrado, com o título homónimo da mostra - Diálogos Sensíveis.
Pena que o original acervo fotográfico sobre o Alentejo, nas mãos do Pintor, que esteve para ser publicado pela IN-CM, não o tenha sido por vicissitudes várias, alheias ao artista.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Exposição

 

Na Galeria Sá da Costa, ao Chiado, abriu recentemente (30/4) uma nova exposição de pintura de Pedro Chorão (1945), que se manterá aberta ao público até 24 de Maio de 2025.



sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Lembrete 76

 

Durante vários anos, meritoriamente, o Clube Militar Naval convidou artistas portugueses a celebrar o 25 de Abril através de uma serigrafia alusiva ao tema (ver Arpose, 25/4/2020), que, depois, poderia ser adquirida pelos sócios da instituição. Em 1987, o pintor convidado foi Pedro Chorão (1945).
Este ano, os Anais, revista do Clube Militar Naval, no seu número especial comemorando a data festiva capeou-o com a imagem dessa serigrafia do pintor. O lançamento e venda da revista far-se-á na Avenida Defensores de Chaves, nº 26 (Lisboa), local da sede da instituição, pelas 18h00 de 29/1/2025.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Divagações 201

 

Nem todo o sentimento pessoal ou íntimo se consegue exprimir ou explicar. Muitas vezes, é uma sensação difusa que nem  sequer encontra a imagem perfeita ou palavras próximas. Locais concretos de outrora ajudam, mas é por sentidos estranhos, que não os cinco canónicos, que podemos talvez lá chegar melhor.
Percebo assim a pintura abstracta, na sua fulguração figurativa ausente.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Osmose 140

 

Vamos arranjando umas histórias para ilustrar os mistérios que ocorrem no exterior ou nas redondezas geográficas, e que não sabemos explicar. Algumas vezes a realidade vem dar-nos razão. Outras, os erros acabam por ser flagrantes. E o desencontro, total.
Há gente que desaparece para sempre, mas também regressam, raros embora, alguns filhos pródigos inesperados, que sempre foram de nossa estimação. Assim, por vezes, se nos enriquecem os dias.
E até parece que somos felizes, salvo seja...

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

arte menor (42)

 

Memória


Os anos vão ficando cada vez mais velhos,
a sua idade no tempo afasta-se
demais do que é presente,
apenas por instantes.

Perdem a verdade
do que foi. Parecem
ficção ou fantasia.


Sb., 25/11/24




sexta-feira, 14 de junho de 2024

Divagações 194



Com o tempo, a sensação do desarrumo começa a parecer mais frequente, quer nas coisas que nos rodeiam, quer na associação das reflexões que nos ocorrem. Para além de mais coisas que fomos juntando, há talvez uma liberdade na velhice que quase parece confundir-se com a anarquia, no seu melhor sentido.
Mas também é verdade que há algumas palavras de outros desaparecidos que, uma vez pronunciadas, nos hão-de acompanhar arrumadas para sempre, na memória dos dias. Mantendo o seu lugar parcialmente imperecível enquanto formos vivos e lúcidos.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

A caminho de ser máxima

 

Para uma boa amizade é sempre vantajoso criar o lastro comum de algumas aventuras no passado.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Mostra de Pedro Chorão



Com escassa duração (11 a 31 de Outubro de 2023, das 14h30 às 19h30)) e ainda com mais rara, ou nula, divulgação, está ainda aberta até amanhã um exposição do pintor Pedro Chorão (1945) na Galeria Sá da Costa, ao Chiado, em Lisboa. 
Fotografias que deram origem a quadros, de à volta de 1988, as obras resultam de uma bolsa que o artista teve, tempo que passou a percorrer o Alentejo e a fixar* singularidades de paredes, casas, monumentos, a gosto da sua estética pessoal. Algumas das quais se metamorfoseariam, mais tarde, em telas.
Para quem ainda puder, a não perder.

* inicialmente o portefólio era para integrar uma edição da IN-CM, que entretanto se gorou.



sexta-feira, 14 de julho de 2023

Recuperado de um moleskine (42)



A felicidade não existe, tal como deus, é uma benévola ficção humana. Mas há aproximações, breves, e coincidências agradáveis que agem como paliativos úteis. Ou noções muito chegadas daquilo que parece ser o bem estar físico ou mental. No fundo, um certo equilíbrio.
Cruzam-se por exemplo, no tempo contíguo, um filme inglês (Glorious 39), não tanto pelo enredo, mas pela ambiência e sensações favoráveis que trasmite (ou desperta?). Uns anos familiares, ao longe. Inesperadamente se associaram, incontroláveis em si, factores orgánicos inconscientes, mas harmoniosos.
Disto se vai fazendo crença, ausência de dor, a estabilidade humana, de vez em quando. Para prosseguir docilmente a caminhada.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Divagações 185



Coisas há que, na altura, sem nenhum valor objectivo, por acaso ou sentimento, guardámos inadvertidamente e que vem a ganhar, quando as redescobrimos muito tempo depois, um valor subjectivo inestimável. Estão neste caso facturas esquecidas que nos afirmam uma data: de um almoço ou jantar e onde, da compra de um livro e em que livraria, leilão ou alfarrabista,  de um museu que visitámos no passado, de um móvel que adquirimos num local improvável e insólito... Âncoras que se recuperam de forma a datar um espaço e um gosto antigo. Bem como, muitas vezes, o reerguer-se uma figura apagada, das trevas, e que nessa altura anterior e longínqua nos foi companhia habitual.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Da pintura e da paisagem



Quando a bátega forte, mas breve, se abateu sobre nós, já tínhamos passado pelo lago, por onde circulavam, livres, patos e garnisés de cores vibrantes, em volta. Também ladeamos o insólito, mas digno  busto do Inca Garcilaso de la Vega (1539-1616) que lá está, à sombra das árvores, e que eu descobri, um dia, surpreso, aqui há mais de dez anos, quando passeava no Campo Mártires da Pátria. Mas eu não fora ao Largo para rever esse dotado renascentista de dois mundos e de linhagens nobres, em estátua...




Fôramos simplesmente ver a exposição de Pedro Chorão (1945) na Galeria Monumental.
E, ao contrário do que li sobre a mostra, há um novo caminho embora em sequência da penúltima exposição, mas em ruptura com a anterior e última exibida na Sá da Costa, recentemente.
Evocarei desta, hoje, os azúis, não tanto clarinhos ou quase translúcidos dos anos 80/90, mas uns azúis densos e fortes de agora que, aliados aos rosas, pareciam procurar agarrar a alegria.
Depois há a competência da idade, na pintura. Falamos por exemplo de Matisse ou Picasso. Saber que não acompanha os poetas, normalmente. Seres muito mais breves no seu exercício...

domingo, 8 de janeiro de 2023

Exposição de Pintura



No próximo dia 12 de Janeiro de 2023 inaugura-se, na Galeria Monumental (Campo Mártires da Pátria, 101, Lisboa), uma exposição do pintor Pedro Chorão (1945) sob o título Paisagem Continuada. A mostra decorrerá até 25 de Fevereiro próximo. 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Exposição



É já na próxima quinta-feira, 27/10/22, que se inaugura na galeria Sá da Costa, ao Chiado, uma nova exposição de pintura de Pedro Chorão (1945), sob o título de Ventanias.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Osmose 127

 


Olho para as mãos: entrecortadas de sulcos por onde a água já não corre, mas apenas um suor envelhecido.
Uma palavra basta, muitas vezes, para interromper o desastre, a má notícia. Ou abrir à força, irreal mas propícias, alvas novas frescas de outro ano a que chegamos, quase sem dar por isso. O eterno é sempre para adiar, realisticamente, por algum tempo. Mortal, embora.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Continentes e conteúdos, em sequência diversa

 


Brinquedos, bonecas russas ou peças simplesmente decorativas, as matrioskas são quase sempre de madeira e contém, em si, na maioria das vezes, 5, 6 ou 7 réplicas mais pequenas. Pintadas e envernizadas, têm, no entanto, um ar rígido e formal, por serem feitas do mesmo pedaço de madeira e terem pernas e braços unidos ao corpo.



Dependendo da perspectiva de quem vê, a Europa, segundo continente mais pequeno do Mundo, pode bem parecer uma emanação ou península da Ásia. A divisão destes 2 continentes é uma mera questão geográfica ou formal. Mas também a Europa segrega, entre outras, a Península Ibérica. E Portugal contém, em si, a península de Setúbal. Para não falarmos de Tróia...




Apenas o sono consegue vencer a dor. Pelo próprio cansaço do corpo.

domingo, 18 de outubro de 2020

Quadros de uma exposição

É sabido que o título deste poste não tem nada de original, e pertence a uma das obras musicais mais célebres do compositor russo Modest P. Mussorgsky (1839-1881). Mas serve também para sublinhar o maravilhoso conjunto de uma exposição de pintura de Pedro Chorão (1945), na Galeria Monumental, e que encerra a 31 do presente mês de Outubro.


Com o sub-título de E la nave va, esta mostra O Princípio da Paisagem, na cumplicidade de Federico  Fellini (1920-1993) e lembrando o seu filme de 1983, convoca a ficcionada ilha de Erimo bem como o majestático funeral da diva Edmea Tetua, mas também uma fresca alegria marítima que os azúis, marca de água do Pintor, raramente abandonaram. É para esse regresso às coisas simples de que se faz a alegria e a beleza, que eu gostaria de convidar quem as ame.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

sábado, 25 de abril de 2020

25 de Abril


Felizes as gerações que têm uma data a comemorar. De pequeno, estranhava, no 5 de Outubro, as romagens dos velhos republicanos aos cemitérios para homenagear os companheiros falecidos, no entretanto da ditadura. Estranhava, até que se deu o 25 de Abril.
Tendo sido acto singular e único, como não havíamos de nos repetirmos, ano após ano, nas comemorações? Ou, pelo menos, nas palavras e na simbologia utilizada, já por aqui, no Blogue.
E se seria imperdoável não marcar ou registar a efeméride, voltámos a Pedro Chorão (1945) e  a Armando Alves (1935) pedindo ajuda, mais uma vez, em busca de iconografia adequada a um acontecimento inesquecível, para quem o viveu.