Tenho o passado arrumado, razoavelmente, na cabeça, até porque, sendo emotivo, não sou sentimental. Coisas há que têm o seu tempo e como bem dizia o poeta Afonso Duarte (1884-1958), "voltar atrás é uma falta de saúde...". Não me recuso, porém, a celebrar, algumas datas da tradição portuguesa, que são, em princípio, de enorme contributo calórico...
Dispenso as cavacas, o pão-de-ló, tenho pena de não ter à boca os bolos de gema desta época, mas faço questão de ter à mesa o anho pascal, no Domingo de Aleluia. Que é uma espécie de ressurreição laica atávica e de antanho, na minha vida. Mesmo que me recuse a hipócrita e teatral identificação, bem portuguesa e preguiçosa, de católico não praticante (que será isso? Não ir à missa aos domingos?!!!...)
No nosso almoço de Páscoa, naturalmente, o cabritinho no forno veio à mesa, tenríssimo, com aroma a alecrim e outras preciosidades silvestres. Fi-lo acompanhar de um monocasta de Touriga 2014, rústico de Silgueiros, tinto e ainda com taninos fortes. Sobrante, o cabrito regressou nesta segunda-feira de antecipada Pascoela, mais apurado e perfeito. Escolhi, desta vez, um Assobio de 2011, produzido no Douro pela Esporão.
Excelente, para não dizer mais. Assim concelebramos a ágape pascal e de pascoela, à nossa maneira.