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sábado, 23 de novembro de 2013

O sagrado e o simbólico


Dar um sopapo no Presidente da República ou passar uma rasteira a um Primeiro Ministro, não sendo concretamente proibidos pela nossa Constituição, configuram, no entanto, uma atitude sujeita a penalização judicial.
A própria Igreja Católica atribui um valor simbólico, mas também sagrado, à hóstia abençoada, muito embora - era eu criança - as sobras das obreias fossem vendidas à porta da fábrica. Para quem quisesse dissolvê-las na boca e engoli-las, na sua imaterial leveza diáfana, laica.
Na subida para o Parlamento, há lanços de escadas permitidos a todos. Mas também há lanços de escadas defesos, que nem todos podem subir, sobretudo, aos magotes, ou em períodos de manifestações. E, embora esses lanços vedados não constem da Constituição, essa tradição cívica, não expressa, é normalmente respeitada.
Legislar contra a Constituição será legítimo e legal?
Os últimos tempos, levam-me a grandes dúvidas.
Mas, como diz o povo: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti."

sábado, 3 de novembro de 2012

Andar a pé, fugir de carro, regressar de helicóptero


A notícia li-a, há dias, no "Le Monde". Quebrando uma tradição secular, Vladimir Putin deixou de trabalhar na fortaleza do Kremlin, passando a fazê-lo nos arredores de Moscovo, num local isolado. Quando tem que se deslocar ao Kremlin, fá-lo de helicóptero. Isto para evitar as vaias, neste caso as ensurdecedoras buzinadelas dos carros dos moscovitas, manifestando o seu vivo desagrado, sempre que passava, pelas ruas, o longuíssimo cortejo oficial de viaturas topo de gama, alemãs, de vidros esfumados, saindo ou entrando no reduto oficial da Capital russa. Entretanto, os peões, pelas ruas moscovitas ao passarem os carros oficiais, iam fazendo o sinal com o polegar para baixo, indicando o gesto imperial de morte, para o gladiador, nas arenas romanas.
O jornal "Le Monde" lembrava, por contraste, o passeio a pé de François Hollande, pelas ruas de Paris, no dia da sua investidura como Presidente da República francesa.
Por cá, os nossos ministros fogem envergonhadamente pela porta das traseiras; o Parlamento faz votações a contra-relógio e grande parte dos deputados raspa-se sorrateiramente para evitar os manifestantes, cá fora.
A Vespa do ministro Mota Soares vai enferrujando a um canto, abandonada e sem uso...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Poupar nas palavras, ou o rei mago que se perdeu no caminho


O adjectivo salazarento tem, para mim, várias sugestões de associação subjectiva. Lembro-me de gafos (lazareto), dum senhor poupado (Salazar), de Nicolau Tolentino (cavalo lazarento) e recordo-me ainda da Bíblia (Lázaro).
Quando ontem, no Parlamento, um deputado (João Galamba) teve a ousadia legítima de dizer, ao nosso "contabilista melancólico" ou mago Gaspar, que o país já não tem "disponibilidade para discursos salazarentos", eu pensei que ele estava a dizer a verdade e a acertar na "mouche".
Ainda para mais, um senhor que, nas previsões e programa, errou quase todos os objectivos... Vamos que fosse um operário de uma fábrica a fazer tanta asneira, e já teria sido posto na rua. Com a facilidade que há, hoje, nos despedimentos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Estado da Nação



1. Já aqui no Blogue me referi, por diversas vezes, à proliferação incontinente e suspeita de Lojas de Compra (e Venda) de Ouro, no território português. Para quem, como eu, sabe a dificuldade em conseguir um alvará para abrir um posto de venda, esta facilidade com que as lojas de compra de ouro surgem é, no mínimo, estranhíssima. Há quem diga que pertencem a mafias de Leste, mas é bem possível que, por trás delas, haja alguma face oculta. Mas, finalmente, uma das instituições que nos regem, acordou para o assunto - mais vale tarde, que nunca. Os jornais de hoje noticiam: "Parlamento avança com investigação ao negócio de compra e venda de ouro". Haja deus!...
2. Há cerca de 15 dias, rescendi o contrato que me ligava à Vodafone, no que dizia respeito, à utilização de telefone e Internet. Nos 5 meses anteriores, fiquei sem telefone 3 vezes, o serviço de Internet era abusivamente lento, o apoio técnico, medíocre e inoperante, apesar de várias reclamações que fiz. Pois hoje, na caixa do correio, tinha 3 envelopes-carta da empresa fundada pelo Sr. António Carrapatosa (um dos "jovens portugais"): todas as cartas(-circulares) exactamente iguais, assinadas pelo mesmo sr. José Oliveira, dizendo, absolutamente, o mesmo. Apenas os números de série diferiam: 128, 129 e 130. E ainda dizem que o Estado português é desorganizado e tem muito desperdício!... (A menos que a secretária do sr. Oliveira seja gaga e tenha repetido a mesmíssima operação por três vezes. Ou se exceda no zêlo...)