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terça-feira, 10 de junho de 2025

Curiosidades 112

 

Em imagem, dois livros estrangeiros que vieram de longe e que têm em comum o facto de eu nunca os ter lido completamente. Acompanham-me desde 1963. Se a obra de teatro de Brecht (1898-1956) me foi oferecida, o calhamaço (1.600 páginas) do historiador e jornalista Shirer (1904-1993) comprei-o em Paris, em Setembro desse ano, por 11,35 francos  franceses. Julgo que ainda é considerado um clássico para a história do nazismo.
Por várias razões subjectivas tenho-os em particular estima.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (188)


 
Cineasta e fotógrafo, o holandês Ed van der Elsken (1925-1990) produziu vários livros (cerca de 20) onde deu a conhecer o melhor da sua obra. Tendo permanecido em Paris de 1950 a 1955, a capital francesa ficou detalhadamente documentado pelas suas fotografias originais de rua.





Tendo pertencido à Agência Magnum, conviveu de perto com Henri Catier-Bresson e Robert Capa, que respeitavam a qualidade do seu trabalho. As suas viagens por África e pelo Oriente deram também impressivos portefólios.


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Pinacoteca Pessoal 195

 

Por vezes uma obra ou duas bastam para se reconhecer um artista, ou fazer a sua glória. A Clepsydra (1920), de Camilo Pessanha (1867-1926), sagrou a sua eternidade como poeta. Ou o(1892), de António Nobre (1867-1900). Mas também alguns pintores são de imediato identificados por um ou outro quadro, caso de Leonardo da Vinci pela Mona Lisa ou pela Última Ceia.



Para mim, as Casas de Malakoff (Paris,1923), que integram o acervo do Museu Soares dos Reis, no Porto, são o ex-libris identificador de Dordio Gomes (1890-1976) ou, pelo menos, o quadro de que eu mais gosto. Embora não saiba muito bem porquê. Para além da sábia orquestração dos volumes que o pintor soube representar na tela.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Retro (113)



 Um atrevido poilu de 14-18 e a sua prometida...

sábado, 25 de dezembro de 2021

Para MR, especialmente, e em troca...



...do Vesúvio 2012, mas também para os nossos amigos francófonos, este cheirinho de Paris, na voz do saudoso Charles Aznavour.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Uma fotografia, de vez em quando... (151)



Nascido em França, com origem numa família judia da Lituânia, o fotógrafo Willi Ronis (1910-2009) teve como pai um artífice do ramo, que se tinha estabelecido em Montmartre, no início do século. As suas influências mais marcantes terão sido Cartier-Bresson e R. Capa. Mas o seu cenário predominante terá sido Paris e a sua população e costumes.





Trabalhou para a revista Vogue, tendo deixado de exercer a profissão a partir de 2001.




domingo, 13 de junho de 2021

Uma louvável iniciativa 60

 


São inúmeras, até hoje, as edições do , de António Nobre (1867-1900), desde que o poeta, em Paris, resolveu entregar os cuidados da edição original ao editor León Vanier (1847-1896), em Março de 1892. Nobre fê-lo porventura porque o conceituado impressor parisiense era o preferido de Verlaine, bem como de uma boa parte dos simbolistas, decadentistas e modernos: Rimbaud, Laforgue, Mallarmé...
A tiragem do livro foi de 230 exemplares, muitos dos quais oferecidos, mas é hoje caro e raro, quando  aparece à venda em leilões e alfarrabistas.



Não tendo a impressão primeira, à minha conta possuo as seguintes edições: 3ª (1913), muito bonita e ilustrada, a 7ª de 1944, e 11ª (1959). Mas não só. Em 1992, por feliz iniciativa do poeta e diplomata (Unesco) José Augusto Seabra (1937-2004), e com alguns patrocínios, convergindo com o século da publicação da obra-prima de António Nobre, foi editada uma edição fac-similada feita com base no exemplar que fora do autor, pertença do acervo da BPMP. E com as correcções manuscritas de António Nobre. Importante, por isso. Aqui deixo, do meu exemplar, algumas  imagens, para o efeito.


terça-feira, 17 de novembro de 2020

Influências e origens

 

Não sendo eu especialista na matéria, limitar-me-ei a transmitir por palavras minhas algumas ideias interessantes que a arabista inglesa Diana Darke (1956) expandiu na sua obra Stealing from the Saracens. Refere a  autora que "the origins of Gothic are islamic". Em apoio da sua tese estabelece, depois, algumas analogias entre a igreja síria de Qalb Lozeh, de rito bizantino e começada a construir no século V, e a catedral de Notre-Dame iniciada em 1163, cujas duplas torres e rosácea central vieram da experiência arquitectónica e visual dos Cruzados, nas suas andanças por terras do Oriente, em particular daquela igreja, hoje considerada pela Unesco como património cultural da humanidade.



domingo, 8 de março de 2020

Uma fotografia, de vez em quando (137)


Estima-se que, do fotógrafo francês Albert Monier (1915-1998) se tenham vendido, enquanto ele foi vivo, 80 milhões de postais ilustrados com as suas fotografias e cerca de 100.000 posters.
Uma boa parte dos seus instantâneos sobre Paris estão nimbados de uma espécie de neblina que lhes assegura uma intemporalidade e um certo mistério singular.



Mas a força impressiva das suas fotos de algum modo explica que lhe tenham chamado fotógrafo humanista e seja considerado um bom profissional, apesar de não ser muito lembrado, hoje em dia.




domingo, 8 de setembro de 2019

Para os francófonos, muito especialmente...



...este Domingo de 1957, para matarem saudades de Paris.
(Que eu sou mais de Londres.)

segunda-feira, 15 de abril de 2019

segunda-feira, 18 de março de 2019

Paris é uma festa?!


Só por ironia ou humor negro, nos podemos lembrar de um título célebre de Hemingway, para caracterizar o que se vai passando, todos os fins-de-semana, na capital francesa. Entretanto, aquele que alguns detractores chamaram, na altura da eleição, o idiota útil e que ele auto-transformou em Júpiter, talvez por ser do signo do Sagitário, parece ter sido completamente ultrapassado pelos acontecimentos. Ou incapaz de lhes pôr termo.

Mas não deixo de ficar profundamente surpreendido com o silêncio de chumbo com que os nossos afrancesados nacionais se têm comportado em relação à situação francesa actual. Parece que não se passa nada por lá, de anormal. Para não falar dos comentadores políticos, nos meios de comunicação portugueses, que fingem ignorar os acontecimentos ou titubear umas hesitações que nada significam de concreto.
Ou já tudo passou à história e à banalidade do dia a dia?


Porque será?

sábado, 12 de janeiro de 2019

O leve do pesado


Já o meu amigo H. N., ao passar-me o livro de empréstimo, me aconselhara a ler primeiro 4 apontamentos, que vinham em Le Monde, sobre o último Houellebecq, posterior a este. Assim fiz.
Retive o que Compagnon dele disse. Qualquer coisa como: que lemos este autor, para sabermos como estamos (em França) - uma afirmação compreensível e interessante nos propósitos.
Eu iria mais longe e citaria Brel - estas pouco mais de 30 páginas, que já li de Submissão, não deixam de ser um plat pays, a que falta nervo e osso. E garra literária, apesar do tema poder vir a ser pesado...
Há, evidentemente, Paris, embora menos repetitivo do que em Modiano. Há decadência e indiferença, também. Há um saber contar de água chilra. Bem como há muitos livros como este, que se publicam, até mesmo em Portugal, todos os meses, de forma absurda e acrítica.
Mas falta-lhes osso. E consistência literária.

para H. N., com agradecimentos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A propósito : "Par les ruines"...


60 anos depois, Paris oferece um espectáculo talvez ainda mais devastador e deprimente. Não se pode dizer senão que a persistência "revolucionária" dos franceses é apenas intervalar. Escapam umas gerações pelo meio, a quem queimam lojas e carros. O interior do Arco do Triunfo é que não merecia um tal vandalismo chunga desta nova ignorância...

domingo, 2 de setembro de 2018

Atalhos e traições da memória


Graham Greene (1904-1991) gostava muito de Brighton e muitas vezes lá ia, ficando por uns dias, a saborear a estadia. Uma das suas primeiras ficções intitulava-se até Brighton Rock (1938). Desta cidade, à beira-mar, disse em Ways of Escape: "No city before the war, not London, Paris or Oxford, had such a hold on my affections". Isso não impediu que, nas suas memórias, não cometesse vários erros de pormenor, nomeadamente, em relação a números de autocarros da cidade, ou datas. Refere, por exemplo, que com 6 ou 7 anos, em 1911, teria visto, num cinema local, o filme Sophy of Kravonia, baseado numa história de Anthony Hope. Ora, o filme foi realizado apenas em 1920, o que invalida essa visão antecipada do escritor britânico...
A memória parece ter uma imaginação autónoma, por vezes, criando assim ficções improváveis. Não me atrevo, eu, a dizer, por exemplo, que filmes terei visto na Alemanha ou na Inglaterra. E vi, tenho a certeza. Posso, no entanto afirmar, garantidamente, que o primeiro filme que vi em Lisboa, da primeira vez que vim à Capital, foi "A Colina da Saudade", em 1956, no Cinema Tivoli, realizado por Henry King, com Jennifer Jones e William Holden. A música, Love is a Many-Splendored Thing, ficou-me para sempre na memória. Quase outro tanto, poderia dizer do único filme que vi em Paris, num salão de cinema, ronceiro e sujo. Em relação à data, ou foi 1963 ou 1964, mas em Setembro, de certeza. De seu título Les Diaboliques (1955), numa realização de H. G. Clouzot (1907-1977), com boas interpretações de Simone Signoret e Paul Meurisse.
Era um filme policial de qualidade, e impressivo, baseado num polar da dupla Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Cujas imagens, de grande realismo visual, me ficaram na memória. Apesar de já se terem passado cerca de 55 anos...

sábado, 11 de agosto de 2018

Encore...


Dantes, e não há muito tempo, Lisboa, em Agosto, era uma sossegada, amena e desocupada cidade de província... Dava gosto passeá-la, a pé ou em transportes públicos quase vazios, sentarmo-nos na esplanada de um café, à sombra, e beber tranquilamente uma groselha fresca, um café, ou saborear uma cerveja bem gelada. Hoje, não. As esplanadas (e há muito mais, agora) estão coalhadas de multidões babélicas, barulhentas, sobretudo, se há mulheres castelhanas, que pedem meças às nossas antigas varinas, pela voz alta, metálica e desagradável. Os transportes públicos vão à cunha e depois há os tuques-tuques estridentes e os "troles" sacolejando, infernalmente, pelas calçadas das ruas. Anteontem, a HMJ, à porta dos Pastéis de Belém, viu uma bicha de quase um quilómetro que se cruzava com outra, que partia dos Jerónimos. O trânsito lisboeta, por sua vez, está caótico.
Saudosamente, lembrei-me de Aznavour, embora na canção ele fale desses amores breves que duram apenas um Verão. Quem não os teve?
E, ainda que ela já conste do Arpose (29/8/2010), passados 8 anos, é tempo de um encore... Relembrar Paris em Agosto, com saudades de uma Lisboa passada, agradável e acolhedora, quase vazia. De outrora, e sem turistas.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Os discretos, sensíveis sinais de atenção


Sobre a superfície rugosa do puro papel japonês, há um laço incompleto e um pássaro discreto.
A imagem fixou Truffaut e o seu alter ego Léaud, sob um céu outoniço e parisiense.
Tanto basta para criar uma atmosfera, sinalizar uma intenção, esboçar uma forma de estar.

com grato reconhecimento a Paula e Rui Lima.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Direito ao contraditório


em remake, e com agradecimentos ao autor.