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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Historinha, quase uma fábula


Andam, por aí, muitos profetas da desgraça invocando os demónios mas, no antigamente, na vida, havia 3 classes no Mundo: os reis, que habitavam o Paraíso, a classe intermédia que morava no Purgatório, e os pobres que se arrastavam pelo Inferno. Então, houve alguém que, num passe de mágica e, filosoficamente, resolveu transferir estas paragens deterministas para o Além, ou para o reino do éter ou dos céus, numa outra vida, improvável. Durante séculos, este precário equilíbrio foi-se mantendo inalterável.
Até que um papa, de nome Bento, resolveu acabar com o Purgatório ou com a ideia dele. E foi assim que começou o  declínio, ou a desaparição gradual da classe média.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Interlúdio 24


Não há dúvida que M. escrevia correctamente e a leitura das suas obras até deslizava bem, nas horas que fossem despreocupadas e livres, era agradável, mas faltava-lhe nervo, alma e sangue. Era uma água chilra, como um chá frio, ou a dobrada, de que falava o Pessoa. E nunca tomava partido - era uma alma muito cândida. Abençoava a todos, a todos perdoava e procurava compreender, mas M. era feliz, à tona das suas águas serenas e sem vento que as agitasse.
Um dia, perguntou-me, de modo metafísico e crispado: "- Mas quem é que decide quem vai para o Inferno, ou vai para o Paraíso? Haverá um super-deus, que ajuíza?" E eu, francamente, não lhe soube responder, até porque estava a pensar se era melhor apanhar o eléctrico, ou ir de metro, quando me despedisse, para regressar a casa.
Mas hoje, se fosse eu que decidisse, mandava M. para o Purgatório.