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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Do palavrão, como inefável banalidade


Devo confessar, embora com alguma relutância e pudor, que em tempos de ingénua meninice, e por volta dos 11/12 anos, na ânsia de ser homem mais depressa, comecei a fumar, a escarrar para o chão e a dizer palavrões - passou-me depressa, felizmente, excepto o vício do fumo, que ainda hoje tenho.
Assisti, com bonomia, nos anos 80, instalada que foi e consolidada a liberdade e democracia, a alguns publicistas (bragas, cardosos, pimentas...) portugueses, em busca de fácil notoriedade, a usarem, a torto e a direito, uma linguagem que eles julgavam desbragada, para chamar a atenção dos puritanos leitores...
Esqueciam-se, porventura, das cantigas de escárnio e maldizer, do Cancioneiro Geral, de Lobo de Carvalho, de Bocage, Botto, do "merda" de Álvaro de Campos, de tantos outros, no entretanto português. Porque eles não eram, de maneira nenhuma, pioneiros. Depois, chegou a vez dos autores de alguns blogues vituperarem pessoas e coisas, de forma soez. Por exorcismo, catarse ou exibicionismo, quem sabe?
Pelo que li, hoje, na ípsilon, chegou a vez das senhoras donas romancistas (?). E de uma jovem que se platinou recentemente (o seu look, anteriormente, era bem mais modesto...). Que se desbrague à solta e lhe faça bom proveito! (Não será isso, de certeza, que a fará ombrear com Sade ou Miller, em qualidade - e nós já estamos habituados.)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Amigos, contribuições e gíria profissional


Cada profissão é como uma sala fechada ou dicionário oculto cujo acesso e descoberta, nos seus rituais, no seu linguajar e gíria própria, só são acessíveis aos iniciados e a quem com eles conviva. Quem saberá?, por exemplo, que "basbaia", entre cortadores e marchantes, é uma palavra que define: carne de fraca qualidade, normalmente, de novilho ou vaca. A palavra "avultar", para os profissionais de panificação, é aplicada ao crescer da massa do pão, depois de lhe ter sido acrescentado o "isco" ou fermento. O vocábulo bigodes que, correntemente, é entendido como ornamento piloso masculino, entre os homens do mar corresponde, também, às ondas laterais que se formam, com o avançar de um barco sobre as águas.
Ora, muito recentemente, o meu amigo AVP, grande conhecedor das coisas marítimas e com boa experiência neste particular, ao visitar o Arpose, deparou-se-lhe o poste "O tempo que passa" (4/9/2011), em que eu refiro a intensidade com que hoje se usa, a torto e a direito, o vocábulo: caralho. E o meu amigo AVP achou por bem informar-me que, o considerado palavrão, tem ainda um outro significado, inócuo, registado pela Academia Portuguesa de Letras, e que é: cesto no alto dos mastros das caravelas. Para se saber mais (obrigado, AVP!), consultar: http://issuu.com/vilardaga/docs/caralho.
Aqui fica este precioso aditamento.

com grato reconhecimento a AVP. 

domingo, 4 de setembro de 2011

O tempo que passa


Hoje ouvi, com um intervalo máximo de 5 minutos, na rua, o poético vocábulo: caralho, vindo de duas pessoas diferentes - já estou habituado. Já não me escandalizo. Aliás, não sou puritano.
Da primeira vez, o impropério vinha de uma cave obscura, cujo postigo esconso ia ao nível dos meus pés e não deixava adivinhar  o rosto do autor. Pelo tom de voz, audível, seria um homem de meia idade e sublinhava , com veemência, a falta de compromisso, por parte de outrém.
O segundo palavrão, pronunciou-o uma jovem rapariga, de corpo ginasticado e elegante, que ia à minha frente pela rua, falando ao telemóvel. Julgo que falaria com o namorado e queixava-se, com raiva, de alguma coisa. Ia fumando, entretanto. Cerca de 20 metros depois, atirou com o cigarro a meio, impaciente, para o chão.
Eu ia curvado pela comodidade, idade e circunstância, mas pensei que até os impropérios vão perdendo a força e a razão pela frequência com que são usados.