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sábado, 12 de novembro de 2022

Do que fui (re)lendo por aí... 54


Até 14/11/2022 decorre online, promovido pelo Palácio do Correio Velho, um leilão  (o V) da biblioteca do Prof. Dr. Fernando de Mello Mendes, com um rico acervo de obras, muitas delas pouco frequentes em aparecer à venda. Do conjunto destaca-se um invulgar grupo de livros encadernados (muitos deles de folhetos do mesmo tema) de José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832), autor prolífico e muito popular na sua época. A almoeda insere 10 lotes, com 19 volumes deste autor.


Entre estes consta o conhecido Barco da Carreira dos Tolos, na sua segunda edição (1820), de que eu também possuo um exemplar na minha biblioteca. O lote 203 tem uma estimativa de venda entre 50 e 100 euros. Por curiosidade fui folhear, para relembrar, o meu volume, encadernado, e dele transcrevo o início do folheto XII, respeitante a Dezembro. Segue a oitava:

Para descarregar esta Cidade
Da multidão de Tôlos, que a povôa,
Com maré, vento em pôpa, e brevidade
Vem este Barco ao Porto de Lisboa:
Leva Tôlos de toda a qualidade, 
Mas tem sempre hum lugar vago na prôa:
Quem disser, ou fizer alguma asneira,
De mez a mez tem Barco da Carreira.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Leilões


Pela presente situação de pandemia, até uma das mais dinâmicas casas leiloeiras lisboetas, o Palácio do Correio Velho, suspendeu temporariamente as actividades. Em boa hora, tive notícia recente que retomará os trabalhos com um leilão de livros e revistas Online, já no próximo dia 17 de Abril de 2020, sendo esta a sua almoeda número 1.424. Do acervo interessante, destaco dois lotes que têm uma base de licitação equilibrada: um de BD e o outro sobre Cinema. Qualquer deles invulgar. Ei-los:

Lote 16 - 6 volumes, 4 de Obras Primas de BD e 2 de o Cavaleiro Andante (1954/5).............  15 euros.
Lote 23 - Conjunto completo dos Cahiers du Cinema, respeitante aos anos de 1958 a 1963... 30 euros.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Despojos e nostalgia


As casas, hoje em dia, são pequenas e, normalmente, apenas andares onde desaguam as coisas de família. Tornam-se exíguas, para tanto passado e memória. O espaço nimba-se de uma claustrofobia irritante, por onde a circulação acaba por se tornar difícil.
O acto solene da leitura de um testamento e a venda em leilão do acervo de alguém conhecido, despertam em mim, quase sempre, um semelhante tipo de sensações, mistas de expectativas singulares, melancolia e desconforto físico, difícil de explicar.
A firma de leilões do Correio Velho começou a leiloar, a 4 e termina a 7 de Dezembro de 2018, uma parte do acervo pictórico de Victor Palla (1922-2006), em almoeda anunciada.
E a mesma sensação estranha toma conta de mim...


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Para a história de "O almoço do trolha", de Júlio Pomar


É sabido que o emblemático "Almoço do trolha", de Júlio Pomar (1926), foi vendido, num recente leilão do Palácio do Correio Velho, em Maio passado, pelo considerável montante de 350.000 euros, um recorde em pintura portuguesa. O que nem toda a gente saberá é que, na exposição inicial (SNBA) desta conhecida obra de recorte neo-realista, em Outubro de 1950, o seu preço de catálogo, conforme se poderá ver na imagem, era de Esc. 7.500$00.
De início, e após o leilão de Maio de 2015, não ficou a saber-se quem o teria adquirido, embora transpirasse que o licitador vencido teria sido uma estranha parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Gulbenkian.
Tive, hoje, a grata alegria de saber que o famoso quadro fora adquirido pela Fundação Manuel de Brito, e que a obra integrará, futuramente, uma exposição retrospectiva da obra de Júlio Pomar. São boas notícias, sobretudo por saber-se que esta conhecida e importante pintura do século XX português, se encontra em mãos e território nacionais.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Alerta


A conhecida obra "O almoço do trolha", de Júlio Pomar, é, provavelmente, a mais icónica e expressiva da pintura neo-realista portuguesa do século XX. Executada entre 1946 e 1950, há quem nela veja uma alusão simbólica e involuntária, do Pintor, à Sagrada Família.
O quadro vai a leilão na próxima almoeda do Palácio do Correio Velho, nos próximos dias 27 e 28 de Maio de 2015.
Escusado será dizer que esta pintura poderia enriquecer, consideravelmente, o Museu do Chiado. Mas do desGoverno, que deixou perder (e facilitou a venda), para o estrangeiro de um importante Crivelli, e que se exprime, débil e titubeante, sobre a alienação de vários quadros de Miró, para fora de Portugal, não se podem esperar grandes coisas. Nem sequer a clarividência inteligente, lúcida e culturalmente patriótica, para decidir na arrematação por uma opção sensata desta obra, a favor do acervo nacional.