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quarta-feira, 11 de março de 2026

Foi assim

 

Ao fim da tarde de ontem.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Paisagem


Como abstractos e enormes pássaros metálicos, as gruas deslocam-se suavemente numa valsa aérea de progresso, reabilitando o passado. Mal se ouvem, deslizantes, oleadas no seu ofício e prática. Movem-se, mas não cantam. E o seu ritmo é prosaico, articulado e comandado por vozes e razões humanas de trabalho e lucro. Estão ali; amanhã, acolá. No futuro, talvez, mais além.
Os homens, entretanto, passam.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Paisagem aérea


Neste recente Outono, pouco marcado, incipiente, o céu tem vindo a arrumar-se, nestes últimos dias, em azuis muito nítidos pontuados por nuvens brancas, esvoaçantes, muito sugestivas nas suas configurações fugazes: flamingos alvos e alongados, duendes fantásticos, ouriços-cacheiros voadores, barbas algodoadas de gigantes inexistentes, eu sei lá!...
Basta a cada um procurar, no recôndito da imaginação, o ponto certo sempre mutante da irrealidade.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Paisagem próxima


As três roseiras amanheceram de forma diferente, embora estejam próximas e no mesmo local. Uma delas desafia o Outono, com dois pequenos botões escorreitos, onde o vermelho desponta, ameaçando o frio. Talvez se descubram em Dezembro.
O manjerico parece perdido e mirrado, pela sua decadência gradual, mas a salsa, vizinha, vai-se aguentando no seu verde tenro. Bem como os dois limões da safra exígua deste ano, um dos quais se vai temperando de laivos amarelos, suaves.
As hortênsias teimam ainda, talvez gratas ao Sol de S. Martinho, mas as pequenas folhas que brotam vêm pálidas, quase brancas e anémicas, sem força bastante. Restam o abeto e o pinheiro, habituados ao rigor, sobretudo o primeiro, que é germânico.
O Sol é inteiro e caricioso, o azul, ao alto, mantém-se firme. Só começa a desistir pelas 17h00, e a dar lugar ao frio e ao negro, que vai até às 8h00 do dia seguinte.

sábado, 28 de setembro de 2013

Os elementos e a paisagem da manhã


Como ontem, as nuvens vão céleres, vertiginosamente cinzentas para Nordeste, fazendo esquecer e rasurando o azul de há poucos dias. O rio e o horizonte outrabandista vão a preto e branco, quase baços, como nas primitivas e clássicas fotografias de outrora.
Tirando o magnífico e nítido arco-íris de ontem, as primeiras chuvas de Outono, se vamos sair, criam-nos a incomodidade da dúvida, sobre os artefactos e o que havemos de vestir: camisa de manga curta ou comprida? Casaco? Guarda-Chuva?
E, ontem, o vento de que tanto gosto normalmente (apreciado raramente pelo sexo feminino) excedia, pela violência tonitroante, a minha capacidade de afecto. Talvez a mesma violência com que os americanos andam a escavar os seus Estados, em busca do gás de xisto - lá se vai o solo e as águas...
Dizem, com propriedade, que ainda neste século as temperaturas, na Terra, vão aumentar, em média, 4º e os Oceanos hão-de subir 80 centímetros.

domingo, 3 de março de 2013

Paisagem matinal do dia seguinte


Limpa de pássaros, a manhã abria-se ao sol de Inverno das ruas desertas. Mas, da copa densa da árvore grande, vinham uns flébeis e maviosos trinados de algum pássaro tímido. No café silencioso, onde fui comprar o jornal, dois velhos, debruçados sobre a mesa, pareciam dobrados ao peso dos anos e do tempo a que assistem.
Que terá ficado da raiva de ontem que - mais que justificada - se espalhou pelas ruas das cidades, como um rio caudaloso, justiceiro e vingador? 
Quero acreditar que tenha sido como que um feitiço primitivo, irracional, que atinja os seus propósitos, instintivamente. E que alguma coisa mude, radicalmente, atingindo as causas: uma ira divina, um fulgor bíblico de justiça que destrua os fautores torpes desta "apagada e vil tristeza" portuguesa.