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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O seu a seu tempo



O tempo acaba por ser uma forma saudável de nos levar ao equilíbrio e à realidade objectiva das coisas, a que a ignorância, o calor do momento ou o excesso juvenil nos pode levar.
Lembro-me bem, ainda, do barulho e da polémica que a estátua do Padre António Vieira (1608-1697), esteticamente de mau gosto e desactualizada em termos de arte, erecta no Largo Trindade Coelho, provocou nos juvenis candidatos à primeira página. Hoje, creio que já pouca gente se lembra disso e os pueris protestantes adormeceram bovinamente sobre o caso, já calmos e serenos...
Ando a ler, com imenso proveito Os Jesuítas no Grão-Pará, de J. Lúcio de Azevedo (1855-1933). Leitura que faria bem à cultura de muita gente e ao conhecimento real da personalidade corajosa do P. António Vieira.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Curiosidades 88

 

Sempre foi homem de excessos e de feitio arrebatado, este António da Fonseca Soares (1631-1682), poeta barroco, filho de um português e de uma irlandesa, que, na Guerra da Restauração e no Brasil, para onde fugiu por ter matado um semelhante, era conhecido por Capitão Bonina (talvez por fazer versos). Viria mais tarde a recolher-se ao Convento de Varatojo, por volta de 1632, tendo professado sob o nome de Fr. António das Chagas. Extensa obra, muitos inéditos manuscritos.
Eram carismáticos e impressivos, porém, os seus sermões fidelizando as almas dos seus ouvintes. E utilizando uma panóplia de efeitos que o Padre António Vieira (1608-1697) refere em carta para o diplomata Duarte Ribeiro de Macedo (1618-1680), deste modo:
"... e hoje se chama Frei António das Chagas. Haverá dois ou três anos começou a pregar apostolicamente, exortando à penitência, mas com cerimónias não usadas dos Apóstolos, como mostrar do púlpito uma caveira, tocar uma campainha, tirar muitas vezes um Cristo, dar-se bofetadas, e outras demonstrações semelhantes, com as quais, e com a opinião de santo, leva após si toda Lisboa. ..." 

sábado, 23 de novembro de 2019

Escrever bem


Que queremos dizer quando dizemos: Fulano escreve bem?
Se é um dado adquirido e uma verdade insofismável que ninguém discute a qualidade da escrita do escalabitano Fr. Luís de Sousa (Manuel de Sousa Coutinho) ou de Camilo, outro tanto será arriscado afirmarmos sobre a ficção de Hemingway ou de Mann, porque, no fundo e na maior parte destes casos, os livros passaram pelo crivo de melhores ou piores tradutores, quando os lemos na versão nacional. E se Fiesta (The Sun also rises) ganhou, em português, pela pena de Jorge de Sena, também já li algumas traduções de Mauriac, por exemplo, de péssima qualidade...
Elegância, clareza, ritmo, a proporção equilibrada das frases são factores a ter em conta - creio.
Mas se prefiro, talvez, o estilo sucinto de Cardoso Pires na esteira objectiva de Hemingway, não deixo de admirar a construção poderosa e inteligente de António Vieira, que me faz lembrar Quevedo.
O resto terá de sentir-se mais por intuição advinda de uma longa experiência vasta de leituras. E se tivermos sentido crítico que, normalmente, não abunda por estas paragens lusitanas...

domingo, 5 de julho de 2015

Bibliofilia 121



Abrangendo 28 sermões, seleccionados da oratória vasta do Padre António Vieira (1608-1697), distribuídos por 6 volumes de tamanho médio e agradáveis de manusear, esta edição Rolandiana foi publicada entre 1852 e 1853. A obra, com os cantos das capas de alguns livros um pouco puídas, encontra-se de interiores bem conservados, e está comigo há mais de 20 anos, comprada que foi num leilão, creio que levado a efeito por José Manuel Rodrigues (Livraria Antiquária do Calhariz).
Firmada a sua posse, em 1941, pelo Cónego José Ferreira Governo, o eclesiástico deu-lhe, pelos sinais, abundante uso. Talvez para melhor fundamentação às suas prédicas, no Asilo de Carnide. Há vários sublinhados (leves), a lápis, ao longo das páginas e alguns sermões estão marcados nos índices. É conhecida a poderosa e inteligente argumentação de Vieira, na defesa dos menos poderosos, fossem eles os índios brasileiros ou a sorte das armas ao serviço de D. João IV. Só comparável, nas sólidas passagens literárias, à estratégia premeditada de uma brilhante partida de xadrez...

terça-feira, 30 de junho de 2015

Recuperado de um moleskine (13)


Se para um sim o silêncio basta para o significar, como aquiescência, o não obriga, normalmente, a que a palavra seja pronunciada, para o expressar.
Sobre o não (ou non) falou, há muito, o Pe. António Vieira (1608-1697) num sermão célebre ("...Terrível palavra é o non."), e por palavras; Manoel de Oliveira (1908-2015) glosou-o, sobretudo em imagens.
Forma última de defesa e sinal inequívoco de maturidade, o não é, muitas vezes, um sinal de desconforto, para quem o pronuncia e para quem o recebe. Mas, até mesmo nas crianças, pode indiciar um modo de afirmação pessoal. E, nem sempre, apenas de rebeldia, caprichosa.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Lembrete 10


Foi um acaso feliz, embora com atraso, eu ter-me lembrado, hoje, da História do Futuro, do Padre António Vieira, que, ontem, acompanhava o jornal, ao preço de 5,95 euros. Até porque a obra, nas edições normais e antigas, não é nada fácil de encontrar.
Felizmente, a tabacaria ainda tinha 2 exemplares - ficou só com um. Aqui fica o lembrete, para quem goste de Vieira. Na próxima terça-feira (22/10/13), sai  Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio, mas esse já não o comprarei porque o tenho, embora numa edição vulgaríssima.

domingo, 11 de setembro de 2011

Luís Miguel Cintra


A propósito do lançamento de 3 discos em que lê textos seleccionados de Camões, António Vieira e S. João, Luís Miguel Cintra (1949) deu uma entrevista à P2, suplemento do jornal Público, que considero uma das melhores entrevistas que li nos últimos tempos. Tem coerência, sequência lógica e humana, e muitos motivos estimulantes de reflexão. Vou transcrever alguns excertos que me provocaram especial atenção e me fizeram reflectir. Seguem:
"- Desde sempre precisei de exemplos. De Santos. Do exemplo de vidas políticas. Voltadas para os outros e voltadas para Deus. A nós, menos grandes, e sobretudo já passada a idade de crescer, são quem nos defende do Mal, do cinismo.  (...)
"- O discurso de Vieira quando é lido é muito menos claro, tal como as canções de Camões. O texto é tipicamente barroco: a estrutura é muito funcional e, depois, está decorada com toda a forma de excessos adornando uma ideia límpida e fundamental, contida quase na própria epígrafe do sermão: « Pulvis est, et in pulverem reverteris» (és pó e ao pó tornarás). (...)
"- Gosto imenso da vida, mas tenho que me conciliar com a ideia que ela vai acabar. Só o consigo fazer se pensar que a vida não é só minha, mas a das outras pessoas todas." (...)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Salão de Recusados IX : a palavra "não"



Terrível palavra é o «non». Não tem direito nem avesso: por qualquer lado que o tomeis, sempre soa e diz o mesmo. Lêde-o do princípio para o fim, ou do fim para o princípio, sempre é «non».

Padre António Vieira (1608-1697)


Ao contrário do que diz Vieira, o «non» não é "terrível ". É uma palavra inteira, acabada, por qualquer lado que se tome. Mais brilhante que a afirmação é sempre a negação. Porque a negação é a afirmação que pára no limite dos riscos.

Vergílio Ferreira (1916-1996)


Ao homem restam sempre dois direitos: o direito de dizer não e o direito de se ir embora.

[citado de memória] Albert Camus (1913-1960).