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segunda-feira, 1 de julho de 2019

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O gosto e a idade


Já gostei muito de Lorca, numa idade em que seria natural tê-lo como referência, em poesia. Depois, o destino trágico e injusto iluminou a sua curta vida do tom próximo de epopeia que fascina a aventura sonhada dos dias da juventude de cada um. Se, e quando, esses sonhos existem.
Mas, lentamente, fui-me, com a idade, afastando dos seus versos. O lugar de eleição foi sendo ocupado primeiro por Jiménez, de quem o Eugénio me falou, e, depois, num outro registo, chegou-me Quevedo, na forma avassaladora do soneto Desde la Torre:

Retirado en la paz de estos desiertos,
con pocos pero doctos libros juntos,
vivo en conversación con los difuntos
y escucho con mis ojos a los muertos.
...

A minha idade madura ia procurando o realismo objectivo da vida, a exigência simples, o mínimo essencial que prescinde de mimos e fantasias do acessório, cultivando, no fundo, uma sobranceria irónica pela tona dos dias e pela ligeireza das ambições excessivas, que são sempre poluentes.
Eu acho que Paco Ibáñez percebeu isso, ao musicar (no vídeo do poste anterior), em tons muito diferentes, as palavras sensuais de Lorca e os versos terrestres de Quevedo. A secura essencial dos trinados aplicados a Quevedo contrasta com os requebros utilizados para os versos de Lorca.
Sabiamente.


terça-feira, 20 de novembro de 2018

Memória 126


Desculpe-se este "bis" recente de Paco Ibáñez (1934), aqui no Arpose, mas ele faz hoje 84 anos. E, por outro lado, canta aqui uma interessante canção de Georges Brassens (1921-1981). Assim se celebra a memória de dois grandes cantautores.

domingo, 18 de novembro de 2018

Paco Ibáñez (1934) canta Jorge Manrique (1440?-1479)


Este poema maior da literatura castelhana, intitulado Coplas por la muerte de su Padre, de Jorge Manrique, era - diga-se, por uma questão de curiosidade - um dos preferidos do nosso rei D. João II que, normalmente, trazia consigo, no bolso, uma cópia manuscrita destas Coplas.

sábado, 26 de maio de 2018

Neruda


Quem tiver lido na juventude, ou em idade ainda propícia a arrebatamentos, não se terá esquecido, por certo, das palavras Puedo escribir los versos más tristes esta noche (que Paco Ibáñez, mais tarde, veio a musicar e cantou), que iniciam o penúltimo poema do livro 20 Poemas de Amor y una canción desesperada, do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), que foi prémio Nobel da Literatura, em 1971. 
O tempo, o surgimento do sentido crítico e o convívio com outros poetas fará, no entanto, abrandar o entusiasmo emocional que esses versos nos despertaram. A que acresciam, também, as lendas românticas que envolveram o poeta. Como, por exemplo, o de ter sido envenenado pelos esbirros de Pinochet, quando afinal Neruda morreu em resultado de um prosaico cancro da próstata.
Creio que a melhor síntese sobre a obra do poeta foi feita, em 1939, por Juan Ramón Jiménez: Siempre tuvo a Pablo Neruda por un gran poeta, un gran mal poeta, un gran poeta de la desorganización; el poeta dotado que no acaba de comprender ni emplear sus dotes naturales.



Os críticos, e mais uma vez os anos, encarregaram-se de desmontar uma boa parte da obra do Poeta chileno nobelizado, atribuindo-lhe influências notórias de Ruben Darío, C. Sabat Ercasty e do indiano Tagore. Não se livrou até de o acusarem de ter plagiado alguns versos do argentino Jorge Enrique Ramponi, no seu poema Alturas de Macchu Picchu. E o crítico inglês C. M. Bowra chegou a escrever que cerca de metade da poesia de Neruda era "very poor stuff indeed".
O penúltimo TLS (nº 6006), pela pena de Ben Bollig, a propósito da saida de duas traduções inglesas de e sobre o poeta chileno, encarrega-se, no entanto, de pôr alguma água fria na fervura e reavaliar, com certo equilíbrio, a obra de Pablo Neruda.






domingo, 1 de março de 2015

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Música e Poesia XXVIII : Pablo Neruda/ Paco Ibáñez



Esta canção de Paco Ibañez, com versos apaixonados de Neruda, sempre me pareceu um magnífico contraponto a "Tu ne dis jamais rien", de Léo Ferré.