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sábado, 21 de dezembro de 2024

A saber

 

Há mistérios insolúveis, que sabemos quase impossíveis de decifrar. Parauta, por exemplo, era o nome afectuoso por que tratávamos a empregada dos meus primos, mas já nenhum de nós sabe o seu nome natural, nem ela é viva para nos elucidar devidamente.
Sobre este quadro (2004) de Paula Rego, intitulado "A Bruxa de Lordosa", que foi vendido em Londres, recentemente, por meio milhão de euros, tecem-se várias teorias. Na tela se agrupam, pelo menos, Salazar na horizontal e já falecido, a múmia paralítica cavaquiana e a sua "afilhada" Leite, mas também a actual ministra da Cultura. Será?
Quem souber da história, que esclareça.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Paula Rego (1935-2022)



Príncipes consortes, Arpad Szenes e Victor Willing abrigaram-se à sombra do talento das suas mulheres que cultivavam a mesma arte - a pintura.
Na França, Maria Helena, na Inglaterra, Paula Rego, ganharam estatuto e cotação internacional, situação muito rara para quem nasce português.
Paula Rego faleceu hoje, em Londres.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Pinacoteca Pessoal 163


Sempre tive a tentação de considerar da mesma família artística os pintores Graham Sutherland (1903-1980), Lucian Freud (1922-2011) e Paula Rego (1935), muito embora entre o nascimento do primeiro e o da última medeiem mais de 30 anos. Ter-se-iam mutuamente influenciado? Não sei responder, com rigor.
Pelo menos, as suas obras têm alguma afinidade estilística, sobretudo a nível de retratos e representação de figuras humanas. Com uma forte e impressiva pincelada que sugere alguma agressividade subjacente.


Dos três, é Sutherland quem se dispersa por mais aspectos artísticos: gravura, vidro, tecido e pintura naturalmente, e em que o retrato tem um papel preponderante. São conhecidos os magníficos retratos do escritor Somerset Maugham (aqui representado por um desenho preparatório) e do crítico de arte Kenneth Clark. De grande qualidade era também o seu trabalho sobre W. Churchill, encomenda de um grupo de personalidades, e que o político - de gosto artístico excessivamente conservador - por não ter gostado, terá consentido que viesse a ser destruído pela Esposa (este facto foi registado em poste do Arpose, a 28/1/2018: Curiosidades 68).


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Regresso ao Futuro


Não sei porquê, mas imaginei Joana Vasconcelos daqui por uns bons anos...

sexta-feira, 4 de março de 2016

A evolução na descontinuidade...



A Galeria Presidencial ficará acrescida, proximamente, com o retrato do ainda presente PR, executado por C. Barahona Possollo (1967). Ironicamente, não resisto a comentar que o menos lido, dos 3 últimos Presidentes eleitos democraticamente, é aquele que aparece com mais livros no retrato... Como diria o povo: "Não há fome que não dê em fartura."


domingo, 15 de dezembro de 2013

Pintura no feminino


A pintura de Marie Laurencin (1885-1956) ilustra com particular evidência, nas suas obras, uma mão feminina. Como, em Portugal, os quadros de Sarah Afonso e Maria Keil evidenciam o género.
Se Vieira da Silva consegue alguma neutralidade, muitas vezes, até uma certa assexualidade, sobretudo pelos temas, já Paula Rego, se não pela pincelada forte e intensa - que lembra Lucian Freud -, quase parece pintar masculinamente. Apenas o perverso, sugerido, da narrativa dos seus quadros denuncia, em última análise, um universo feminino. Que se descobre ou desnuda, subtilmente.
Voltando a Marie Laurencin, cujo auto-retrato, de 1906, encima este poste, cumpre-me informar que a pequena, mas belíssima aguarela (Mulher de chapéu, com cão), aqui há 16 anos, tinha, num leilão da Christie's, em Londres, uma estimativa de venda entre 10.000 e 15.000 libras.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A estética e a galeria Presidencial


Há opções que só dignificam quem escolhe e que evidenciam o bom gosto. Quando Mário Soares escolheu Júlio Pomar para lhe pintar o retrato, demonstrou não só uma vontade de ruptura com o passado, mas também que tinha um apurado sentido estético de modernidade. Jorge Sampaio não era tão ousado - uma espécie de Paulo VI, depois do revolucionário João XXIII - e, por isso, optou por Paula  Rego. Confere. Porque, às vezes, os militares têm gostos insólitos: quem é Francisco Lapa que, além de amigo, pintou o retrato de Spínola, exposto em Belém?
Teófilo Braga e Teixeira Gomes escolheram o melhor: Columbano. Justificando exigência, bom gosto estético e cultura. Confere, também, e da melhor forma.
O actual PR deve andar em bolandas metafísicas, porque já é tempo de escolher quem o retrate. O problema é que Eduardo Malta, que pintou o Gen. Craveiro Lopes, já morreu. Henrique Medina, também. Pode ser que haja, por aí, algum pintor-de-domingo que não se importe de o modelo ser paupérrimo... Em último caso, há sempre um manequim de madeira, da Rua dos Fanqueiros, para simular a post-modernidade. E que, exposto com jeito, causará algum espanto, aos visitantes do Palácio de Belém, no futuro.

sábado, 13 de abril de 2013

Pérolas, e a cultura dos coelhos e dos porcos


Podemos até não apreciar excessivamente a obra de Paula Rego mas, daí a esquecer que ela é uma referência portuguesa na pintura europeia, será uma tola e crassa ignorância. Quando os animais retratados nos seus quadros forem ainda apreciados e estudados, na Tate Gallery e em muitas colecções particulares, os nossos coelhos de hoje, os cavacos e os gaspares estarão esquecidos e sepultados sob o pó do tempo, como lixo inútil e tóxico de uma época nociva, em Portugal.
É por isso que a extinção da Fundação Paula Rego, em Cascais, bem como o encerramento provável da Casa das Histórias, com quase duas centenas de obras suas, não me deixa indiferente. As obras ser-lhe-ão devolvidas e, provavelmente, hão-de obter guarida de consideração condigna na Inglaterra. Mas tudo isto não deve perturbar, minimamente, o sono do nosso pequenino comissário de cultura e dos seus próceres mesquinhos, alarvemente ignorantes...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Pinacoteca Pessoal 46 : 2 escolhas do Museu Ludwig (Colónia)


Houve tempo em que não resistia a comprar livros com reproduções das obras dos meus pintores preferidos: Dürer, Botticelli, Van Gogh, Renoir, Modigliani, Dufy, Soutine... Mas cheguei à conclusão que, uma vez lido, raramente voltava a pegar no livro; a não ser, uma vez ou outra, para relembrar algum quadro específico, por algum motivo muito especial.
Por isso, comecei a evitar estas tentações, até porque os livros de arte, devido às reproduções a cores são, normalmente, caros. Contento-me, nos últimos tempos, em fazer uma escolha criteriosa de postais, das obras que mais gostei de ver, num museu ou numa exposição. Da última visita que fiz ao Museu Ludwig, de Colónia, trouxe 3 postais, de que deixo dois na imagem deste poste.
O quadro "Menina Espanhola" (1927), de Georg Grosz (1893-1959), e "Duas Raparigas a vestirem-se" pintado, em 1908, por Oskar Kokoschka (1886-1980). Esta última obra faz-me lembrar, talvez pelo tema, alguns quadros de Paula Rego.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Motivos de orgulho


Não é todas as semanas que um conceituado jornal literário fala de Portugal, neste caso, o TLS (The Times Literary Supplement), que traz no seu último número (5699) referências e destaques, com iconografia alusiva a 2 artistas portuguesas. Precisamente, a Joana de Vasconcelos, a propósito da sua exposição em Versailles (de que aqui falámos, muito recentemente), e a Paula Rego.
Felizmente, nem tudo são agruras...


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Lembrete 2


Paula Rego faz hoje 77 anos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Para a história da Pintura portuguesa do séc. XX




Em arrumos dispersos, descobri um velho impresso (1967) da Galeria Quadrante que frequentei, com alguma assiduidade, quer para ver e comprar livros, quer para assistir a exposições, e até mesmo alguns "Happenings", muito em voga na altura.
Este impresso tem a particularidade de conter um texto muito interessante de José-Augusto França, sobre as obras e artistas representados nesta mostra. Anote-se um nome: Paula Figueiroa Rego. Um dos quadros ("Mártires") da Pintora, consegui localizá-lo (em imagem): está hoje na Fundação Calouste Gulbenkian.

domingo, 23 de outubro de 2011

Valores em Arte


Serão poucos os pintores portugueses do séc. XX que, no Estrangeiro, tenham cotação equivalente ou superior à que as suas obras alcançam em Portugal. Há pouco tempo, foi uma pintura de Paula Rego que atingiu um recorde de venda, em Londres - falamos disso, aqui, no Arpose. Congratulámo-nos agora com o justo reconhecimento, comprovado pelo preço recorde que "Saint Fargeau" (1965), de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), atingiu em Paris, num leilão da leiloeira Tajan. A notícia vem hoje, no "Público". O quadro, que pertencera à colecção reunida por Jorge de Brito (1927-2006), alcançou o elevado preço de um milhão e cinquenta e quatro mil euros. O mais alto preço atingido, até hoje, por uma obra da Pintora de origem portuguesa. E o mais elevado preço alcançado por uma pintura nacional, desde sempre. Ou seja, em moeda antiga: Esc. 210.800.000$00. Longe vai o tempo em que o retrato de Fernando Pessoa, pintado por Almada Negreiros, no início dos anos 70, do século passado, foi vendido por Esc. 1.100.000$00, num leilão em Lisboa. E que causou sensação pelo valor recorde atingido.

sábado, 22 de outubro de 2011

A tosca rusticidade de um motor de busca : "search words, again"


É preciso dizê-lo alto e bom som, de uma vez por todas, e preto no branco, sobretudo pelos crédulos "investigadores" que recorrem, piamente, ao Google: o motor de busca é inculto e insensível, cego, surdo e mudo, boçalmente rural e, por vezes, na sua enorme ignorância não-pensante e no seu tactear atabalhoado, muito cruel para com os seus utilizadores. Vejamos, então.
Perdidos na sua solidão infinita e angustiada, 3 pesquisadores escreveram ao Google, provavelmente, para re-encontrar família neste imenso Universo. O primeiro escreveu tremente e esperançoso: "guilherme dinis moreno da silva arroz" e o motor de busca, cavilosamente, indicou-lhe no Arpose o poste: "Mercearias Finas: vai um arroz de espigos com pataniscas de bacalhau?" Isto faz-se, ó Google?! O segundo, foi uma senhora piedosa que referiu, na sua inocência: "sou filha de ruth simoes de goes meu pai armando, da familia bragança". E o Google, cruel e rindo-se, apontou-lhe o poste: "Os meus barbeiros".... Outro crédulo, amarfanhado na sua solidão, escreveu esperançoso, ao motor de busca: "benvinda da fonseca marcelo"; pois o insensível indicou-lhe, para ajuda, o poste: "Cromos 7 : A Gata Borralheira".
Não digo, no entanto, que não haja também "investigadores" maldosos que queiram gozar com o alheio. Ora vejam este que lançou um repto sinistro ao Google, escrevendo: "pinturas medievais parecida com maria cavaco". Que desaforo! Mas aí o motor de busca portou-se dignamente. Ignorou a aleivosia e aconselhou-o a ir ver o poste do Arpose sobre pintura do século XX, onde aparece um quadro de Klee e outro de Paula Rego, em que surgem três figuras femininas, com faces um pouco toscas e rurais, esteticamente. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O bonito, o belo e o feio


O bonito gera mais amplos consensos de agrado, em Arte, do que o feio, quando representado. Para, esteticamente, apreciarmos o "feio" é sempre necessário ultrapassarmos alguns obstáculos pessoais, sociais e até, por vezes, de cânone consagrado no Tempo. É muito mais fácil gostar ou aceitar a pintura dos pré-rafaelitas, do que admirar a obra de um Chaim Soutine ou de Francis Bacon. Pelo meio ficarão decerto Munch, Lucian Freud ou Paula Rego, e tantos outros pintores. Comecei pela Pintura, para chegar a outra arte. O poema (traduzido por João Barrento, para a Relógio d'Água) que vou transcrever, foi escrito por Gottfried Benn (1886-1956), escritor alemão que exerceu medicina, civilmente e no exército alemão. É, na minha opinião, um bom poema, embora possa não ser considerado "bonito". Intitula-se "Kleine Aster" (Pequena Sécia). Aqui fica:

Um carroceiro afogado foi içado para cima da mesa.
Alguém lhe tinha enfiado entre os dentes
Uma sécia, de um lilás claro-escuro.
Quando, a partir do peito,
por debaixo da pele,
lhe arranquei a língua e o palato
com uma grande faca,
devo ter-lhe tocado, porque ela escorregou
para o cérebro que estava ao lado.
Meti-lha na caixa torácica,
no meio das aparas de madeira,
quando o cosiam.
Bebe no teu vaso até à saciedade!
Descansa em paz
Pequena sécia!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre Pintura do século XX



As duas pinturas, em imagem, de Paul Klee (1879-1940) e de Paula Rego (1935), foram feitas com um intervalo de 65 anos. "Senecio", de Klee, em 1922, o quadro "Looking back", de Paula Rego, em 1987. Para mim que sou leigo, embora amador atento de Pintura, "Senecio" parece-me mais "moderno" do que o neo-figurativo "Looking back", talvez porque este último é mais transparente e parece, na sua realidade simbólica, contar uma história, ou despertar imediatas sugestões a quem o observa. A informação a propósito deste óleo sobre tela, de Klee, diz-nos que é baseado no retrato do artista Senecio, vestido de Arlequim. O quadro de Paula Rego reinterpreta, de uma forma ambígua, a discreta perversidade feminina.
Cruzaram-se-me, na manhã, porque Klee morreu a 29 de Junho de 1940, e uma boa parte da sua obra foi destruída pelos nazis que a consideravam "degenerada". E o quadro de Paula Rego, ontem em leilão, atingiu um recorde em venda: 860.000,00 euros. Só ultrapassado, em pintores de origem portuguesa, por Vieira da Silva, com o seu "Lisbonne-Ville", de 1958, que foi vendido, em 2007, por: 1.100.000,00 euros. Até parece que os mercados sabem proteger, das vicissitudes, muito melhor a Pintura, do que os políticos. Muito embora os nazis não sejam um bom exemplo de princípios estéticos. Nem éticos, claro.