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sexta-feira, 11 de outubro de 2024

No melhor pano cai a nódoa...

 

Isto das editoras, na sua grande parte, quererem poupar dinheiro ao despedirem os revisores, tem os seus custos perniciosos. A Asa Editores S. A., ao editar este livro do embaixador Marcello Duarte Mathias (1938) deveria ter tido mais cuidado para não manchar o nome ao diplomata. Exemplifiquemos:
na página 353, do livro em imagem acima, pode ler-se - " A emergência da democracia-cristã na Itália; as relações entre a política e a Igreja; Paulo VI e Salazar em Fátima em 1962. Vaticano II."
Ora como se sabe, nesta altura, em Roma pontificava João XXIII. Paulo VI esteve em Fátima a 13/5/1967. Daqui se conclui que nenhum responsável da editora terá lido as provas deste livro com a atenção devida.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Guerra e paz


Esta época de fim de ano e começo do novo tem o condão de amolecer a agressividade de cada um, ou, pelo menos, de quem a tem. E só por oportunismo maquiavélico, algumas guerras tiveram início, ao longo dos séculos, por alturas da quadra natalícia e início do ano novo.
Descontando o bíblico massacre dos inocentes, conflito regional, apesar de tudo, mas com danos colaterais significativos, a História não regista, por esta altura, muitos actos bélicos e é um mar de serenidade e paz, entre os homens. Felizmente.
Razão pela qual, hoje e desde 1968, no primeiro de Janeiro e por iniciativa do papa Paulo VI, se celebra o Dia Mundial da Paz. Cinquenta anos pelo meio dos quais várias guerras se iniciaram e muitas outras se foram mantendo em estado latente, tal como o conflito israelo-palestiniano.
Mesmo os desejos e propósitos das boas intenções nem sempre vencem ou chegam para anular os interesses materiais do poder, da cobiça dos homens e da mesquinha vontade de supremacia da força.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Variações sobre as coisas que andam no ar


Não se tinha passado sequer uma semana, depois do meu poste sobre animais domésticos (16/5/2017), e eis que, ao comprar o penúltimo TLS (nº 5954), vejo a sua capa e temática consagradas às relações entre os humanos e os bichos. Na altura do poste, no Arpose, lembrei-me de Gilbert Cesbron (1913-1979), por associação, e dos seus "Cães perdidos sem coleira" (1954), livro que teve um enorme sucesso nos anos 50/60, e que tratava dos padres-operários, experiência piloto que a Igreja católica permitiu e sancionou, pouco antes desse renascimento religioso de dimensões fraternas, mas também realistas, que foi o Concílio Vaticano II, resultado da previdência, e do dinamismo humano e inteligente de João XXIII. A viradeira veio a dar-se, depois, com Paulo VI...
Haverá pioneiros sempre, incompreendidos na altura, mas quem pensa e sente, com verdadeira atenção e humildade o seu tempo, tem, muitas vezes, grandes possibilidades de antecipar o futuro próximo - no fundo, aquilo que já anda no ar do tempo. Para usar as palavras que Nina Ricci deu a um belo perfume feminino (L'Air du Temps), em 1948. E para dar um exemplo mais simples e corriqueiro.

sábado, 17 de maio de 2014

Ambiguidades cristãs


Já por aqui o disse: nunca tive grande simpatia pelo cardeal Montini, esfíngico e diplomático, que se veio a tornar no papa Paulo VI. Para além de tudo fazer para desacelerar as medidas originadas no concílio Vaticano II, depois de ter recebido, no interior da Santa Sé, em audiência privada, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Mondlane, veio a Fátima abençoar, publicamente, Cerejeira e Salazar, e oferecer-lhes uma rosa de ouro...
Soube agora que nesta pressa católica de novos mártires que irá santificar João XXIII e João Paulo II, também ele, Paulo VI, irá ser beatificado. Em abono da sua personalidade, um pormenor saboroso: João XXIII, na sua infinita bondade e perspicácia, alcunhava-o de "cardeal Hamlet", ao que parece pelo seu humor atormentado. O breve João Paulo I é que parece ter sido esquecido pela Cúria Romana, nestas apressadas promoções...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A estética e a galeria Presidencial


Há opções que só dignificam quem escolhe e que evidenciam o bom gosto. Quando Mário Soares escolheu Júlio Pomar para lhe pintar o retrato, demonstrou não só uma vontade de ruptura com o passado, mas também que tinha um apurado sentido estético de modernidade. Jorge Sampaio não era tão ousado - uma espécie de Paulo VI, depois do revolucionário João XXIII - e, por isso, optou por Paula  Rego. Confere. Porque, às vezes, os militares têm gostos insólitos: quem é Francisco Lapa que, além de amigo, pintou o retrato de Spínola, exposto em Belém?
Teófilo Braga e Teixeira Gomes escolheram o melhor: Columbano. Justificando exigência, bom gosto estético e cultura. Confere, também, e da melhor forma.
O actual PR deve andar em bolandas metafísicas, porque já é tempo de escolher quem o retrate. O problema é que Eduardo Malta, que pintou o Gen. Craveiro Lopes, já morreu. Henrique Medina, também. Pode ser que haja, por aí, algum pintor-de-domingo que não se importe de o modelo ser paupérrimo... Em último caso, há sempre um manequim de madeira, da Rua dos Fanqueiros, para simular a post-modernidade. E que, exposto com jeito, causará algum espanto, aos visitantes do Palácio de Belém, no futuro.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O católico Graham Greene e o Santo Ofício


"...Nos anos 50, fui convocado pelo cardeal Griffin, para a catedral de Westminster, para o ouvir declarar que o meu romance «O Poder e a Glória», publicado dez anos antes, tinha sido condenado pelo Santo Ofício, e que o cardeal Pizzardo exigia alterações que, naturalmente - mas julgo que educadamente -, eu recusei fazer. O cardeal Griffin fez-me ver que teria preferido a condenação de «O Fim da Aventura». «Evidentemente, disse-me ele, nem o senhor nem eu podemos ser afectados por passagens eróticas; mas os jovens!...» Respondi-lhe - e era bem verdade, mesmo que eu tivesse esquecido a influência perniciosa de Sir Lewis Morris - que uma das experiências eróticas mais precoces tinha sido, em mim, provocada pela leitura de David Copperfield. Após o que a entrevista se encerrou abruptamente, e o cardeal, com rapidez fulgurante, me pôs nas mãos um exemplar duma carta pastoral que viria a ser lida nas igrejas da sua diocese e que condenava implicitamente a minha obra. (Infelizmente, só mais tarde pensei em pedir-lhe que a autografasse.) Em sequência, quando o papa Paulo VI me declarou, por sua vez, ter lido "O Poder e a Glória", entre outros dos meus romances, respondi-lhe que neste caso tinha lido um livro condenado pelo Santo Ofício. A sua atitude foi mais liberal que a do cardeal Pizzardo.
«Há em todos os seus livros, disse ele, passagens que ofenderão sempre certos católicos. Mas não há razão para se inquietar.» É um conselho que eu segui sempre à risca. ..."

Graham Greene (1904-1991), in A Sort of Life.