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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Da Janela do Aposento 73: Democracia em perigo

 


Ora, quando os altos magistrados da nação, PR e outros, entram, finalmente, em rota de colisão com os princípios fundamentais da democracia, promovendo os antigos fogos da inquisição para eliminar os seus adversários mais competentes, é o quadro acima que nos explica o efeito nocivo. 

Para bom entendedor, nada mais a acrescentar !

Post de HMJ 

domingo, 23 de abril de 2023

Bibliofilia 204



Nem sempre se guardam estes encartes, muitas vezes, e é pena. Servem, com textos apropriados, para apresentar exposições temporárias e, por isso, nem sempre se conservam, apesar da qualidade estética, gráfica, mas também, por vezes, lírica dos textos. Tenho mais dois, para além destes, com textos de Eugénio de Andrade (1923-2005), que era amigo de Júlio Resende (1917-2011). Sobre mostras do Pintor.



Este último, em imagem, era um livrinho da Fundação do Mestre, com vários desenhos a esferográfica do Pintor, e dedicatória datada de Novembro de 2007.

P. S.: De Resende entre a Angústia e a Esperança, de Eugénio de Andrade, passo a citar:

Em páginas de extrema juventude, Paul Klee recusava-se a acreditar na expulsão do paraíso. Vários anos depois ainda se interrogava: "Posso então morrer, eu, cristal?" Recentemente outro pintor, Manolo Millares, afirmou: "El quadro se parió así porque está hecho en un tiempo feo... Aqui no hay nada más que basura..." Entre o tempo adolescente de Klee e o tempo apodrecido de Millares, muita água correu. Klee ainda viveu o suficiente para conhecer a expulsão do paraíso: a bestialidade nazi se encarregaria disso; quanto à certeza de que também ele, cristal, era mortal, as suas últimas obras a ninguém deixam  dúvidas de a ter adquirido. O que Klee já não viu, viu-o Millares: um tempo em que a confiança dos homens foi reduzida a lixo.
Todos os paraísos tiveram sempre a dimensão do homem, e os deuses que lá habitaram nunca foram mais que o reflexo da sua face branca, da sua face negra. A história dos deuses é o espelho da nossa aflição, da nossa esperança. ...
(São Lázaro, Outono, 1965)

domingo, 8 de agosto de 2021

Pensar - 1

 

Embora gostando de algumas palavras pelo efeito sonoro, como é tagarelar, não aprecio, no caso em apreço, o sentido do termo pelo facto de se enquadrar, na perfeição, neste mundo oco e pouco dado a exercícios mentais mais consistentes.

Assim, e querendo registar – porventura para memória futura – alguns pensamentos que se me vão surgindo nas leituras, escolhi a palavra pensar que, no seu sentido infinitivo, se afasta cada vez mais da nossa vida quotidiana. Infelizmente.

 Lembrei-me logo do livro Pensar, de Vergílio Ferreira, a propósito da minha escolha do tema para registar, oportunamente, algumas máximas ou pensamentos estimulantes. Do autor citado, segue uma frase com que abre o seu livro: “Não se pode pensar, fora das possibilidades da língua em que se pensa.”

Acrescento meu: dominando várias línguas, aumentam, sem dúvida, as possibilidades e variantes de pensamento.

 Para o início desta secção dos meus contributos no Arpose, encontrei uma observação de Jorge de Sena, sobre o Romantismo e o Modernismo Brasileiro que não queria perder. Aqui vai:

 “Os modernistas (...) apelavam para uma quebra de todas as tradições e para uma renovação com algo mais fundo e mais verdadeiro para com a vida do que qualquer tradição. É esta a essência do espírito modernista. E devo apontar que só à primeira vista é possível achar que o Romantismo pode ser definido quase nos mesmos termos. A diferença está na qualidade: o Romantismo era tudo isto como maneira de ser: o Modernismo não foi nunca uma maneira de ser mas uma maneira de entender o nosso ser.”

[sublinhado meu da máxima que tirei do artigo de Jorge de Sena, com o título, «Modernismo Brasileiro: 1922 e Hoje», in Estudos de Cultura e Literatura Brasileira, Lisboa, Edições 70, 1988]

 HMJ

domingo, 4 de abril de 2021

Quatro sublinhados de leitura, para reflexão alheia

Devo-o ao meu pai, porque, como escrevi em Depois de Babel, ele soube adivinhar que uma língua que se aprende é uma nova liberdade, uma língua nova, um cosmos e um mundo por si só, enfim, uma probabilidade de sobrevivência inestimável. (pg. 26)

Se não soubermos quem era Hipnos, se não tivermos a decência de pegar num bom dicionário de mitologia para o descobrirmos, nada nos será acessível de René Char, do seu papel, da sua luta pela vida e pela liberdade. (pg. 119)

A arte abstracta, a de Paul Klee, de Kandinsky, ilustra a queda da matéria no silêncio com o qual tem laços indissolúveis. Em terceiro lugar, diria que a temática do ruído, na cultura e na educação modernas me apaixona. A intrusão do ruído, a impossibilidade de encontrarmos espaços consagrados ao silêncio, tanto na nossa existência privada, como na vida pública ou na educação reservada às crianças, parece-me ser a poluição mais grave com que a cultura moderna se confronta. (pg. 138/9)

O universalismo não é portador de qualquer valor de tolerância ou de acolhimento. Traz consigo o seu próprio dogma. O supermercado não quer produtos locais, enlata uma cultura capitalista de exportação que o mundo inteiro terá de sofrer. (pg. 177)


George Steiner (1929-2020), in Quatro Entrevistas... (VS Editor, 2020).


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Apontamento 133: Por uma nova racionalidade



Paul Klee

Há bastante tempo que se vinha aflorando, em tertúlia particular semanal nossa, que havia qualquer “fim de festa” no ar, sem se saber o que viria a seguir. De certeza apenas “a consciência da vida caótica que o capitalismo engendra”, singularmente expresso por José Gil no seu último artigo:

“Vivemos, neste momento, dois tempos diferentes, em simultâneo: o nosso presente da vida confinada e o tempo da espera que a pandemia acabe. Nem um nem outro, nem os dois sobrepostos, ajudam a agir. Alguns pensam que este período de isolamento deverá ser aproveitado para tomar consciência da necessidade de mudar de vida, recusando voltar à “normalidade”. A normalidade representa o tecno-capitalismo e a vida caótica que ele engendra. (...) Mas mais profundamente, ela mostrou, segundo muitos, a futilidade e o vazio da vida sem sentido em que os povos viviam antes da pandemia”.
José Gil, Público, 13.4.2020

O que se deseja, certamente e de uma forma lúcida, é que a humanidade regresse a uma outra racionalidade, porventura numa retrotopia, palavra que fixei com interesse. O livro de Zygmunt Baumann, com o título Retrotopia está a caminho. Restam, para já, as palavras do autor, ditas numa entrevista ao El País: “Mirar atrás para recoger no significa ir atrás no volver”.

Post de HMJ

sábado, 18 de maio de 2019

Retratos (23)


Desta vez, o retrato é dúplice, porque os Mascarenhas eram gémeos. Foram meus colegas de proximidade e carteira, no 1º e 2º anos do liceu. Vinham de fora, de uma pequena vila na proximidade da cidade. Vestiam de igual, um pouco à campesina nos tecidos grosseiros, mas sempre de fato e gravata, excepto no Verão. E cercavam-me na numeração escolar, a mim, que era o nº 2. Antecedia-me o Abel Artur, e o Artur Abel detinha o número 3. Eram ambos muito bons alunos, mas o Artur levava a palma ao Abel em quase todas as disciplinas.
A partir do primeiro mês de camaradagem, na turma C, nunca mais tive dificuldade em os distinguir, embora grande parte dos colegas liceais os confundissem, com frequência. Em traços, natureza e feitio, era possível identificar cada um deles. Mas até os próprios professores, às vezes, lhes trocavam os nomes, para gaúdio e galhofa discretos de alguns de nós. Que me lembre, só o dr. Carvalho (de Francês) e a Dra. Maria Estrela, professora de Matemática, atinavam sempre com os seus nomes correctos, para nossa admiração.
Analisando, hoje, a questão de eu os distinguir bem, chego à conclusão que o Artur era mais masculino de aspecto e mais agressivo no trato. O Abel mais compassivo e feminino, pelo rosto glabro mais suave das expressões e pela voz.
Lembrei-me deles, recentemente, ao ver na televisão as duas gémeas Mortágua - a Joana e a Mariana, ambas deputadas do BE.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Citações CCCVI


Toda a alegria de dirigir os jogos e as lutas das sete cores do prisma será semelhante à de um músico multiplicando as sete notas musicais, com o objectivo de produzir a melodia.

Paul Signac (1863-1935).
...

O efeito deixado sobre a retina por um vermelho, bruscamente afastado, depois de uma longa exposição, não é o vermelho mas o verde. E se o olhar se expuser longamente ao verde, o efeito deixado por  estas mesmas condições será a emergência do vermelho. A mesma feitiçaria preside à alternância do amarelo e do violeta, do azul e do alaranjado. Cada um pode constatar empiricamente, e desta maneira, a lei das complementaridades e a existência de três pares de cores.

Paul Klee (1879-1940). 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Da Janela do Aposento 60: Para onde ?


Para um incauto cibernauta, ignorante das minhas contribuições anteriores, este “post” sobre o fim da era palerma e o prenúncio da época de palhaços, parece ser tirado de uma tarde amena passada num qualquer jardim zoológico ou numa sessão de circo. Puro engano.

Infelizmente, o reino do pacóvio, quando prestes a terminar, demonstra, teimosamente e como é próprio do “Reino da Estupidez”, o esplendor da sua fraqueza mental e cultural, acusando também uma acentuada decadência física.

O prenúncio de uma nova época, agora de burlesco, enquadra-se, certamente, nesta nova cultura do espectáculo que pretende tomar conta das nossas vidas.

Por enquanto, e tendo vontade e capacidade, não frequento espectáculos de duvidosa qualidade, porque não aprecio palermices nem palhaçadas.

Fica a pergunta epigráfica. Para onde nos encaminhará a falta de inteligência e cultura que nos cerca ?

Post de HMJ


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Da Janela do Aposento 43: Retrospectiva



Paul Klee, "Ghost of a Genius"

Um artigo de JPP, uma voz esclarecida, no deserto partidário, contra o actual regime, permitiu recuar no tempo e recordar alguns fenómenos na época em que alguns dos “rapazes das jotas” circulavam pelas escolas públicas.
Era o tempo da plenitude do “Cavaquistão”, em que no ensino secundário se podia optar por várias vias, claro está, de acesso ao ensino superior. A motivação centrava-se numa promoção rápida, através do ingresso no grau seguinte, e poucos se identificavam com universos mentais e culturais mais amplos. Basta, aliás, olhar para os lados de Belém para compreender o início deste desastre.
Ora, naquele tempo havia as seguintes opções, ditas de forma abreviada, Ciências, Economia, Humanidades e Artes. Os alunos de Ciências queriam ser médicos, os de Economia, gestores e quiçá políticos, os das Humanidades, advogados e Juízes para fugirem a outros magistérios menos considerados. Os das Artes esforçavam-se para entrar em Arquitectura. Nesta visão de síntese, pouco favorável sobre um universo largo de alunos ao longo de décadas, criados e radicados nos subúrbios de Lisboa, quase não tiveram expressão os poucos, mas excelentes alunos do ponto de vista humano, mental e cívico.
Contudo, os menos dotados “de cabeça”, mais amorfos relativamente a qualquer interesse cultural, eram os alunos de Economia. Fugiam das Ciências, “puras e duras”, iniciando-se nas suas lições de Economia, porque eles eram, numa parte substancial, filhos de “empresários”, ou seja, merceeiros recentemente promovidos a um estatuto social superior e ascendente, donos de lojas com nomes sonantes como “Jacques”, “Kaku’s” e quejandos.
Há quem me contrarie nessa visão pessimista sobre os alunos de Economia, afirmando o contrário sobre os discentes num dos liceus de referência de Lisboa. Aceito o contraditório pela diferença do meio. Os alunos de Lisboa saíram, porventura, para “gestores de topo”, ou, como os Vitinhos, aproveitaram o trampolim da política para outros voos. Os outros, de subúrbios tipo Massamá, levaram mais tempo e, como os Rosalinos, que bem conhecemos, vingaram-se, a valer, da sua condição inferior quando a escada do actual regime lhes ofereceu o poder.
Fica a mágoa de não ter conseguido o essencial, i.e., contribuir para que o ensino se transformasse numa "escola de pensar".

Post de HMJ

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Apontamento 17: A deriva populista



Paul Klee, [Mundo em Ruínas]

Falam-nos, insistentemente, de uma maior complexidade no governo do mundo e dos países em particular, sem nos explicarem, com rigor, competência e responsabilidade, os motivos que levam os actuais "lideres" a ajoelharem-se perante o mundo financeiro.
Em vez de uma informação esclarecida sobre o "estado das nações", assistimos a uma imprensa cada vez mais acéfala ao serviço da voragem financeira, desviando a atenção do cidadão para um "pasto fácil", mas perigosamente populista. 
Um exemplo eloquente deste "desvario" é a fogueira que certa imprensa tenta atiçar relativamente aos povos do Norte contra o Sul, virando os trabalhadores do sector privado contra os do público, tentando quebrar a solidariedade e a estima entre novos e velhos, minando os fundamentos da Democracia ao atacar, sem princípios, os que exercem - ou exerceram - cargos políticos ou públicos, com dedicação e competência.
A última vítima destas "performances" lamentáveis e paupérrimas - como os recentes "briefings" do Governo - foi o anterior Presidente do Supremo Tribunal de Justiça que, pela idade e condição social, dispensa, de todo, o meu desagravo. Lamento, profundamente, este tipo de jornalismo que, ao ver a lista mensal de reformados da Caixa Geral de Aposentação, se fixou apenas na figura de Noronha de Nascimento, aposentado no limite de idade, i.e., aos 70 anos.
Com tanto "mundo em ruínas" - para seguir a imagem de Paul Klee - se os Maduros, Lombas ou outros quejandos não têm mais nada para dizer, pelo menos que nos deixem o silêncio da noite.

Post de HMJ

sábado, 22 de outubro de 2011

A tosca rusticidade de um motor de busca : "search words, again"


É preciso dizê-lo alto e bom som, de uma vez por todas, e preto no branco, sobretudo pelos crédulos "investigadores" que recorrem, piamente, ao Google: o motor de busca é inculto e insensível, cego, surdo e mudo, boçalmente rural e, por vezes, na sua enorme ignorância não-pensante e no seu tactear atabalhoado, muito cruel para com os seus utilizadores. Vejamos, então.
Perdidos na sua solidão infinita e angustiada, 3 pesquisadores escreveram ao Google, provavelmente, para re-encontrar família neste imenso Universo. O primeiro escreveu tremente e esperançoso: "guilherme dinis moreno da silva arroz" e o motor de busca, cavilosamente, indicou-lhe no Arpose o poste: "Mercearias Finas: vai um arroz de espigos com pataniscas de bacalhau?" Isto faz-se, ó Google?! O segundo, foi uma senhora piedosa que referiu, na sua inocência: "sou filha de ruth simoes de goes meu pai armando, da familia bragança". E o Google, cruel e rindo-se, apontou-lhe o poste: "Os meus barbeiros".... Outro crédulo, amarfanhado na sua solidão, escreveu esperançoso, ao motor de busca: "benvinda da fonseca marcelo"; pois o insensível indicou-lhe, para ajuda, o poste: "Cromos 7 : A Gata Borralheira".
Não digo, no entanto, que não haja também "investigadores" maldosos que queiram gozar com o alheio. Ora vejam este que lançou um repto sinistro ao Google, escrevendo: "pinturas medievais parecida com maria cavaco". Que desaforo! Mas aí o motor de busca portou-se dignamente. Ignorou a aleivosia e aconselhou-o a ir ver o poste do Arpose sobre pintura do século XX, onde aparece um quadro de Klee e outro de Paula Rego, em que surgem três figuras femininas, com faces um pouco toscas e rurais, esteticamente. 

domingo, 18 de setembro de 2011

Os gatos de Doris Lessing


Nunca fui muito à bola com gatos. O meu gato primordial, aliás gata, chamava-se "Violeta" e deixou-me alguns arranhões na memória. Por isso, quando vi o livro no alfarrabista, como era de Doris Lessing (1919), prémio Nobel de 2007, folheei-o, mas voltei a pousá-lo na estante. Mais tarde, decidi arriscar e comprei-o. Tem por título "Gatos e mais gatos" (Particularly Cats and More Cats), foi traduzido, para a Cotovia, por Maria Isabel Barreno e publicado em 1995. Fiz bem tê-lo comprado, porque se lê lindamente. Fala de gatos persas, africanos e londrinos, com a minúcia inteligente e o pormenor atento de quem os conheceu e conviveu com eles. A leitura deste magnífico livro quase me fez começar a gostar de gatos -julgo que não posso fazer melhor elogio à obra de Doris Lessing. Aqui vai, por isso, um bocadinho para quem goste de gatos (ou não), e para aguçar o apetite:
"...A minha gata era uma jovem de origem indistinta, branca e preta, garantida como limpa e dócil. Era um bicho bastante simpático, mas eu não a amava; não sucumbi. Estava, em resumo, a proteger-me a mim própria. Achava a gata neurótica, ansiosa, agitada; o que era injusto, porque a vida num gato da cidade é tão pouco natural que ele nunca aprende a ser independente como um gato de quinta. Aborrecia-me porque ela esperava que voltássemos para casa - como um cão; precisava de ajuda humana para ter gatinhos. E quanto aos hábitos alimentares, ganhou a batalha na primeira semana. Nunca comeu, nem uma vez, outra coisa que não fosse fígados de vitela mal passados e pescada mal cozida. Onde arranjara esses gostos? Perguntei ao seu ex-dono, que também não sabia. Deixei-lhe comida de lata, e restos da mesa; mas só mostrou interesse quando nos viu comer fígado. E só comia fígado cozinhado em manteiga, nada mais. Uma vez decidi levá-la à submissão pela fome. «É ridículo que um gato tenha que ser alimentado, etc., etc., quando noutros lugares do mundo há pessoas a morrer à fome, etc.» Durante cinco dias dei-lhe comida de gato, restos da nossa comida. Durante cinco dias ela olhava reprovedoramente para o prato, e ia-se embora.Todas as noites eu deitava fora a comida cediça, abria nova lata, voltava a encher a tijela do leite. Ela vagueava por ali, inspeccionava o que eu lhe dera, abalava. Ficou mais magra. Devia ter muita fome. Mas, por fim, fui eu quem cedeu.  ..."(pgs. 24/25).

sábado, 17 de setembro de 2011

Citações LXXVII : Paul Klee


"Eu gostaria de criar uma ordem a partir do sentimento e, indo mais longe, a partir do movimento."
Paul Klee (1879-1940).

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre Pintura do século XX



As duas pinturas, em imagem, de Paul Klee (1879-1940) e de Paula Rego (1935), foram feitas com um intervalo de 65 anos. "Senecio", de Klee, em 1922, o quadro "Looking back", de Paula Rego, em 1987. Para mim que sou leigo, embora amador atento de Pintura, "Senecio" parece-me mais "moderno" do que o neo-figurativo "Looking back", talvez porque este último é mais transparente e parece, na sua realidade simbólica, contar uma história, ou despertar imediatas sugestões a quem o observa. A informação a propósito deste óleo sobre tela, de Klee, diz-nos que é baseado no retrato do artista Senecio, vestido de Arlequim. O quadro de Paula Rego reinterpreta, de uma forma ambígua, a discreta perversidade feminina.
Cruzaram-se-me, na manhã, porque Klee morreu a 29 de Junho de 1940, e uma boa parte da sua obra foi destruída pelos nazis que a consideravam "degenerada". E o quadro de Paula Rego, ontem em leilão, atingiu um recorde em venda: 860.000,00 euros. Só ultrapassado, em pintores de origem portuguesa, por Vieira da Silva, com o seu "Lisbonne-Ville", de 1958, que foi vendido, em 2007, por: 1.100.000,00 euros. Até parece que os mercados sabem proteger, das vicissitudes, muito melhor a Pintura, do que os políticos. Muito embora os nazis não sejam um bom exemplo de princípios estéticos. Nem éticos, claro.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Der Blaue Reiter

Sob a designação "Der Blaue Reiter" reuniram-se, em 1911, vários artistas, oriundos de diferentes países da Europa. O nome do grupo de artistas explica-se, como eles próprios definiram, de uma forma simples: "um de nós gostava de cavaleiros, outro da cor azul", e foi assim que nasceu o grupo O Cavaleiro Azul.
Em 1912 publica-se, então, o almanaque com o mesmo nome, cuja capa se reproduz acima.
Os artistas pretendiam, essencialmente, sublinhar o lado mental da arte, não tendo publicado nenhum manifesto próprio tal como o referido almanaque parece sugerir.
Da exposição patente, entre 4.2. - 15.5.2011, na Albertina de Viena, escolhemos duas obras de Paul Klee, por opções de ordem mental e pessoal.



Para mais informações sobre a exposição na Albertina de Viena, segue o endereço: http://www.albertina.at/.

Post de HMJ

sábado, 18 de dezembro de 2010

Favoritos XLV : Paul Klee


Paul Klee nasceu na Suiça a 18 de Dezembro de 1879. Autor de uma obra pictórica notável, é também um ensaísta de temas de arte, com reflexões de grande acuidade. A obra que se mostra, tem por título, qualquer coisa como: "Dois homens julgando, cada um, que o outro é de mais alta hierarquia". É também dele, a frase: "A arte não reproduz o que vemos, antes nos faz ver". Klee faleceu em 1940. Antes, tinha também dito: "Como posso morrer, eu, cristal?"