As Rosas de Saadi
Por esta manhã bem quis trazer-te rosas;
Mas recolhi tantas no avental fechado
Que os laços apertados não puderam contê-las.
Os nós desataram-se. As rosas levadas
Pelo vento, até ao mar todas voaram.
Seguiram pelas águas p'ra não mais voltar;
A onda ficou rubra e toda ela abrasada.
Ainda agora, o vestido rescende perfumado...
Aspira em mim o seu odor lembrado.
Marceline Desbordes-Valmore (1768-1859), Poésies inédites, in "1oo Poèmes incontournables".
Nota: conheci esta autora, por intermédio de Luís Barata ( a quem, de algum modo, esta tradução é dedicada) e do livro oferecido, que foi antologiado por Patrick Poivre d'Arvor. O poema encontra-se na pg. 60 e a autora, francesa, é reconhecida pelo tom nostálgico dos seus temas líricos.