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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Um português sobre os portugueses

 

Ora atente-se neste retrato muito curioso que Rocha Martins (1879-1952) traça sobre nós:

" O português desinteressa-se colectivamente; não vibra numa acção conjunta. Entusiasma-se facilmente -, é um rastilho - mas com a mesma rapidez se aborrece. É uma faúlha. Impulsivo, ardente, cosome-se como um fogaréu de palha. Para ele só existe o facto realizado. Falho de espírito crítico e ávido de sensações, ignorante e pouco previdente, com um fundo ancestral de mandria e uma confiança estúpida nos que, por força, o hão-de explorar, indignado ao ver-se no ludíbrio, é então feroz, pachola ante o fascinador, o intrujão, é pascácio e tolo, como seu filho a quem vendem cordões de latão. Ele acabou por duvidar à saloia e fatalmente por se deixar vigarizar embora se julgue com lume no olho.  Isto, porém, acontece-lhe, por via de regra, diariamente sem que se emende mas é certo também, que não faz cousa alguma para isso. Em políticos já não acredita e hoje tem apenas um ideal à vista e outro escondido: o que mostra é a ânsia de comer barato; o que oculta é o sonho de se alimentar de graça."

Rocha Martins, in "Resposta de Roberto" (17-III-1923), pg. 12.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Últimas aquisições (45)

 

Comprei o livro talvez por desfastio, mas só depois reparei que se tratava de uma antologia de autores diversos portugueses (de Alçada Baptista a P. Varela Gomes), sobre o tema, escolhidos pelo Embaixador. Com certeza que a selecção tenderá, na oblíqua, para a direita, só espero é que tenha bom gosto nos textos incluídos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Jorge Dias, sobre os portugueses


... O português é menos exuberante, ruidoso e expansivo que os outros meridionais. Um só espanhol, numa carruagem de comboio, abafa com a sua voz a de todos os portugueses. Além disso o português é inibido por um forte sentimento do ridículo. Como é muito sensível e dotado da faculdade de se aperceber do que vai nos outros, receia ser vítima da ironia e da crítica trocista tão comum em Portugal. ...

Jorge Dias (1907-1973), in Os elementos fundamentais da cultura portuguesa (1955).

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Portugueses, segundo Antonio Tabucchi (1943-2012)


Há nos portugueses, um veio pícaro forte, um escárnio sempre presente, uma maldadezinha, um tom mais baixo, rabelaisiano.

Antonio Tabucchi, em entrevista (2000) a Maria João Seixas.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Cromos : os bons portugueses


Três vezes por semana (sexta, sábado e domingo), no meu jornal diário, tenho a oportunidade de me cruzar com os dois casos típicos e extremos do bom português. Um, que é representante do nacional porreirismo, mas fala quase sempre de casos estrangeiros ou então da sua aldeia e arredores (Colares); o outro é o protótipo do nacional pessimismo, debita amarguras como quem chora. Pena não se poder arranjar uma barriga de aluguer, para cruzar estes dois espécimes. Talvez, nove meses depois, viesse um português perfeito: sólido, lúcido, equilibrado.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Nós, portugueses


Somos dados, nós portugueses, à desmesura, quer seja pela epopeia do sonho e vontade (ainda que com falta de meios), quer pela depreciação invocada das qualidades (tanta vez, por hipocrisia e falsa modéstia).
Entre o vitupério inconsequente em relação aos vivos ("agarrem-me, se não, eu mato-o!") e a lamechice branqueadora e compassiva nos funerais ("ele até nem era má pessoa..."), andamos nisto, há séculos.
Nestas últimas situações, lembro-me, em nome de algum rigor, equilíbrio e corência de uma frase iluminista que, não sendo do Marquês de Pombal, lhe é atribuida, logo após o terramoto: "Enterrar os mortos e cuidar dos vivos" - porque estes últimos são, muitas vezes, os mais esquecidos.

sábado, 25 de agosto de 2012

Os portugueses, pelo Padre Juan de Mariana


Não conheço muitos testemunhos de escritores espanhóis sobre o nosso país e sobre os portugueses. Um dos mais polémicos, pertence a Unamuno que considerava Portugal um país de suicidas. Na sua época, teria algumas razões para o afirmar: Antero, Camilo, Laranjeira, Soares dos Reis corroboravam a sua opinião...
Outro testemunho, que conheço, é mais antigo. Do historiador e jesuíta Padre Juan de Mariana (1536-1624) que, na sua Historia General de España (1592), capítulo XIII, se refere assim a Portugal e aos portugueses:
"...O terreno na sua maior parte é estéril e delgado, tanto, que habitualmente se sustentam do que trazem do mar. A gente é muito ciosa de honra e muito valente entre todas as de Espanha, marcada pela temperança no comer e no vestir, dada à piedade e aos estudos de sabedoria, de grande humanidade e cortesia. ..."
Não saíamos mal no retrato, no século XVI, ao que parece.