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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Curiosidades 30


A leitura de A Cidade das Palavras, de Alberto Manguel, levou-me a destacar e sublinhar este pequeno extracto: "Por muito que lamentemos o facto, a linguagem escrita, quando surgiu há mais de cinco mil anos, não foi criação de poetas, mas de contabilistas. Viu a existência por razões económicas, para registar existência de factos: possessões, transacções comerciais, acordos de compra e venda." (pg. 65)
Esta afirmação, realmente, encontra suporte, por exemplo, nos considerados mais antigos textos em língua portuguesa, referidos por Ivo Castro (Introdução à Historia do Português) que,  baseando-se nos trabalhos de Lindley Cintra e Avelino de J. Costa, aponta:
- Notícia de Fiadores
- Notícia de Torto (c. 1214)
- Testamento de D. Afonso II (datado de 27 de Junho de 1214)
-  Auto de Partilhas
- Testamento de Elvira Sanches,
todos eles conservados na Torre do Tombo, e que tratam, maioritariamente, de sucessões e transmissões de bens.

domingo, 30 de junho de 2013

Da Janela do Aposento 35: Saber pensar, saber escrever (2)



Como remate do texto anterior, António Guerreiro ocupa-se, na ípsilon de 28.6.2013, dos exames.
A brilhante ironia da análise dos "enunciados e critérios de classificação" dispensa comentários menores. Sublinhei, contudo, dois aspectos que me obrigam a um aditamento pela repulsa, ainda incontida, que me provocam, apesar de me encontrar já, formalmente, "posta em sossego".
O "discurso treinado ao longo do ano" transformou, há muito, o 12º Ano, na área do Português e Literatura Portuguesa, num espaço circense, em que o domador treina os "animaizinhos" a papaguearem as respostas contidas nos numerosos "materiais de apoio" que fazem as delícias das vendas de grupos como a Leya e outros. Felizmente, consegui sempre ficar longe de semelhante espectáculo degradante, pois havia sempre muitos candidatos "decanos" que assumiam tais funções como corolário brilhante das suas carreiras.
A "justiça infalível e universal", de que fala António Guerreiro, é a base do dogma que arruinou a liberdade de ensino e conseguiu, democraticamente, implementar um desejo do Estado Novo, i.e., anular o pensamento próprio dos professores e alunos.
E, no meio de tantos "cenários de resposta", permanece uma "chatice" insolúvel, ou seja, a incapacidade de eliminar a subjectividade própria da Literatura que atrapalha tudo.
Falta, pois, uma "prescrição" que obrigue os escritores - e sobretudo os poetas - a produzirem textinhos mais adaptados à pretensa objectividade dos exames. A partir daí, teríamos, certamente, um sucesso retumbante nas estatísticas.

Post de HMJ