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terça-feira, 26 de março de 2024

Antologia 18



Tenho dúvidas se os livros de Wenceslau de Moraes (1854-1929) serão ainda hoje procurados e lidos. Para quem queira ter uma ideia do Japão antigo, as suas obras serão, no entanto, imprescindíveis. Mas depois dum ressurgimento, merecido, da sua pessoa devido ao diplomata Armando Martins Janeira (1914-1988) e da reimpressão dos seus livros, nos anos 70 do século passado, pela Parceria A. M. Pereira, creio que o escritor terá entrado num certo limbo de apagamento.
Para contrariar um pouco esse esquecimento, vou aqui deixar um pequeno extracto pitoresco repescado duma antologia organizada por A. M. Janeira para a Portugália Editora , em 1971. Segue (pgs. 198/9):




"Eu tenho aqui um galo e três galinhas, de raça anã, vulgar neste país (Japão); quase do tamanho de pombos. Nem eu poderia passar sem ouvir, todas as madrugadas, cantar o galo, em minha casa. Porquê? Difícil de explicar. Um sentimento herdado, presumo. O cantar do galo sugere-me miragens de um mundo de delícias - alacridades campesinas, alegrias de aldeia, vida serena no lar, com esposa e muitos filhos... - Eu devo ter tido algum remoto avô, que nunca viu o Oceano, que nunca sonhou com viagens e em países de exotismo, que viveu feliz na sua aldeia, rodeado de família, entretido na lavoura, escutando o boi de trabalho mugir cerca, os cães de guarda em seus latidos, os galos a cantarem; e dessa orquestra rústica de vida simples, enlevo do velho parente ignorado, ficou-me, talvez, o amor pelo cantar do galo, ao alvorecer."

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Literatura Infantil


Não sei, em Portugal, qual a data em que a literatura infantil ganhou importância e carta de alforria, mas, na Inglaterra, o primeiro livro destinado a crianças é referido como sendo o Lytille Childrenes Lytil Boke, que terá vindo à luz por volta de 1480.
Entretanto, as coisas evoluíram. E num catálogo recente do antiquário-alfarrabista Peter Harrington (Londres), as primeiras edições de The Adventures of Tom Sawyer, de Mark Twain, e de Max und Moritz, de Wilhelm Busch, de 1865, vinham precificadas a 45.000 libras.
Enquanto que Black Beauty (O Cavalo Preto,* cá editado pela Portugália, nos anos 50 do século passado), de Anna Sewell, na sua edição original de 1877, vinha proposto a 17.000 libras.
É claro que não são preços para crianças...

* pode ver também o poste de 22/6/2010: Leituras Antigas V : Biblioteca dos Rapazes.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Divagações 160


Dou-me bem de vez em quando a reler obras que já foram de minha estimação, até para tomar depois a temperatura da minha perspectiva actualizada e do valor que hoje lhes dou, concretamente.
Calhou esta tarde a vez a Ramos Rosa, Almeida Mattos e Gedeão. O primeiro poeta quase me deixou indiferente, soube-me muito bem reencontrar as palavras do meu amigo António (Conjuntivo Presente, Afrontamento, 1991) e gostei de ler o início da introdução de Jorge de Sena à obra poética de António Gedeão, no volume da Portugália (1964).
Não resisto a transcrever um pequeníssimo excerto do texto de Sena:
[...] Um homem não começa a publicar livros aos cinquenta anos, para brincar de poeta consigo mesmo, mas porque rompeu os muros de timidez e de orgulho, que o inibiam de mostrar-se o poeta que era. Nem toda a poesia deste mundo nasce dos apetites juvenis de ser-se notável pelo menos para algumas páginas literárias e alguns críticos atenciosos. [...] (pg. XII)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Últimas aquisições (11)


Separados por 55 anos, estes dois livros que comprei, usados, ainda ontem.
De 1919, centenário por isso, editado pela Portugália, o Neves de Antanho, do Conde de Sabugosa (1851-1923), despertou-me o interesse por um dos capítulos ser dedicado a D. Jorge de Lencastre (1481-1550), filho bastardo de D. João II, e de Ana de Mendonça. E a uma sua paixão serôdia, por uma jovem fidalga...
A antologia de poetas expressionistas alemães, bilingue (alemão e francês), foi publicada, em 1974, pela prestigiada editora de François Maspero, e pareceu-me muito ampla (360 páginas) e bem representada.
Dei pelos 2 volumes 10 euros, o que me pareceu bom preço e módica quantia pelo prazer que me vão dar, futuramente, com certeza.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Dos contos, como ficção

Não sei se hoje os leitores contumazes costumam ler muitos contos. Mas creio que as editoras preferem editar aqueles tijolos, que vemos muito pelos transportes públicos. E que permitem aos putativos e ocasionais leitores, sem grande concentração (eu creio que também há leitura automática!...), entreter, sem pensarem muito e à tona, o seu tempo de deslocação.



Durante uma boa parte da minha vida, sobretudo até à maturidade, eu comprava muitos livros de contos. E havia bons contistas portugueses. O meu tempo livre não era muito, mas era muito intercalado e havia contos, de 3 ou 4 páginas, admiráveis, que deixavam um rasto prolongado, e imorredouro, na minha memória. Estou a lembrar-me de pequenas narrativas de Somerset Maugam ou de Guy de Maupassant, por exemplo.



Na altura, eu não era esquisito. Quanto aos de temática policial, Edgar Allan Poe ou Conan Doyle eram dos meus preferidos. Na índole histórica, Alexandre Herculano e as suas Lendas e Narrativas mereciam-me emoção e respeito. De pura ficção, mais moderna, para ser justo, terei de lembrar vários contos de  Jorge de Sena e Cardoso Pires. E muitos outros, que seria fastidioso, aqui, enumerar.