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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Retro (88)


Perdoe-se a publicidade, que isto depois de um almoço no Restaurante Nepalês, da rua de S. José, recompõe-se muito melhor com uma ginjinha fresca, com elas, ali pelas Portas de Santo Antão.
Por outro lado, estas lojas com tradição merecem a minha melhor estima e o nosso desvelo.
Sublinhe-se a indicação preciosa do pequeno folheto: "Esta Casa nunca concorreu a nenhuma exposição nacional nem estrangeira" - é assim mesmo!... Que isto de concursos, muitas vezes, já têm prémios assegurados de antemão, e só servem para enganar o pagode.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Portas de Santo Antão, à noite


Desordenadas gentes. A rua mais parecia o cenário de um adro medieval: saltimbancos, pífias e pequenas bandas musicais, malabaristas tropicais dançando mal, acordeonistas romenos plagiando o repertório pimba de André Rieu, um homem lançando fogo pela boca, mutilados pedintes sentados pela calçada e mostrando as suas chagas, dois ou três cães vadios fazendo o circuito dos ossos, pelo chão, turistas apalermados de boca aberta, fotografando, ininterruptamente...
A noite parecia de Verão, de tão agradável, embora fosse apenas Abril.
E, no meio disto tudo, na esplanada do restaurante, onde nos sentamos, fomos atendidos e servidos por um empregado nepalês, cheio de salamaleques. Que terá feito vir, este oriental gentil, até ao cu do mundo ocidental? O clima ou a balda? - que não a língua, nem as miríficas oportunidades, por certo.

para a Fernanda e para o António, com afecto.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

As refeições tristes



Não tenho o menor problema em almoçar ou jantar sozinho. Mas há quem tenha, e se sinta infeliz. Hoje, almoçamos bem, numa sequência longa que já vem do Norte, e descemos, depois, da rua de S. José para as Portas de Sto. Antão. À direita, num pequeno pátio reparei, uma vez mais, numa inscrição horizontal, em azulejo (posta pela Câmara de Lisboa, em 1992), que indica o local (nº 137) onde Luís de Camões, já "manquejando" de um olho, esteve preso, na chamada prisão do Tronco. Castigo aplicado ao Poeta por se ter envolvido numa rixa, por aquelas bandas, ocorrida a 15 ou 16 de Junho de 1552 (está a fazer anos), em que feriu gravemente Gonçalo Borges, moço do Paço.
Associando recordei, por isso e visualmente, um dos dois únicos retratos, feitos em vida, de Camões, em que ele, sentado à mesa, parece comer ou ter comido uma parca e triste refeição, sozinho. Mas prosseguindo o passeio, fui vendo alguns seres humanos, pelo vidro das montras dos restaurantes, amesendados e refeiçoando (sozinhos e acompanhados), talvez em nome da dieta e da esbelteza, algumas pobres coisas: alfaces (comida de grilos), milho (vianda de galinhas), rúcula...quase tudo, sem conduto. E fiquei preocupado e compungido, eu que almoçara lindamente, ver aquelas refeições macrobióticas e tristes, acompanhadas a água.